quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Por que o que está acontecendo na Islândia não aparece nos noticiários

http://ouropel.blogspot.com/2011/11/islandia-de-que-ninguem-fala.html

A Islândia de quem ninguém fala




Por incrível que possa parecer, uma verdadeira revolução democrática e anticapitalista ocorre na Islândia neste preciso momento e ninguém fala dela, nenhum meio de comunicação dá a informação, quase não se vislumbrará um vestígio no Google: numa palavra, completo escamoteamento. Contudo, a natureza dos acontecimentos em curso na Islândia é espantosa: um Povo que corre com a direita do poder sitiando pacificamente o palácio presidencial, uma "esquerda" liberal de substituição igualmente dispensada de "responsabilidades" porque se propunha pôr em prática a mesma política que a direita, um referendo imposto pelo Povo para determinar se se devia reembolsar ou não os bancos capitalistas que, pela sua irresponsabilidade, mergulharam o país na crise, uma vitória de 93% que impôs o não reembolso dos bancos, uma nacionalização dos bancos e, cereja em cima do bolo deste processo a vários títulos "revolucionário": a eleição de uma assembleia constituinte a 27 de Novembro de 2010, incumbida de redigir as novas leis fundamentais que traduzirão doravante a cólera popular contra o capitalismo e as aspirações do Povo por outra sociedade.
Quando retumba na Europa inteira a cólera dos Povos sufocados pelo garrote capitalista, a actualidade desvenda-nos outro possível, uma história em andamento susceptível de quebrar muitas certezas e sobretudo de dar às lutas que inflamam a Europa uma perspectiva: a
cólera dos Povos sufocados pelo garrote capitalista, a actualidade desvenda-nos outro possível, uma história em andamento susceptível de quebrar muitas certezas e sobretudo de dar às lutas que inflamam a Europa uma perspectiva: a reconquista democrática e popular do poder, ao serviço da população.
De facto, desde o dia 27 de Novembro de 2010 que a Islândia dispõe de uma Assembleia Constituinte composta por 25 simples cidadãos eleitos pelos seus pares.
É seu objectivo reescrever inteiramente a constituição de 1944, tirando nomeadamente as lições da crise financeira que, em 2008, atingiu em cheio o país. Desde esta crise, de que está longe de se recompor, a Islândia conheceu um certo número de mudanças espectaculares, a começar pela nacionalização dos três principais bancos e sem pagar quatro mil milhões e uns trocos por nenhum deles -, seguida pela demissão do governo de direita sob a pressão popular. As eleições legislativas de 2009 levaram ao poder uma coligação de esquerda formada pela Aliança (agrupamento de partidos constituído por social-democratas, feministas e ex-comunistas) e pelo Movimento dos Verdes de esquerda.
Foi uma estreia para a Islândia, bem como a nomeação de uma mulher, Johanna Sigurdardottir, para o lugar de Primeiro-ministro.
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http://engajarte-blog.blogspot.com/2011/09/revolucao-popular-na-islandia.html

A REVOLUÇÃO POPULAR NA ISLÂNDIA.


Deena Stryker
Daily Kos


Um programa de rádio italiano falando sobre a revolução em andamento na Islândia é um exemplo impressionante do pouco que os meios de comunicação nos dizem sobre o resto do mundo.
No início da crise financeira de 2008, a Islândia declarou-se literalmente em falência. As razões são citadas apenas superficialmente, e desde então, esse membro pouco conhecido da União Européia voltou a cair no esquecimento. Como os países europeus vão caindo um após o outro, colocando o euro em perigo, com repercussões para todo o mundo, a última coisa que os poderes desejam é que o caso da Islândia se transforme em um exemplo. A seguir, eis por quê.
Cinco anos de um regime puramente neoliberal fizeram da Islândia (população de 320 mil pessoas, sem exército), um dos países em que, todos os bancos do país foram privatizados e, num esforço para atrair investidores estrangeiros, ofereceram empréstimos em linha, cujos custos mínimos lhes permitiram oferecer taxas relativamente altas de rendimentos. As contas, chamadas de "icesave", atraíram muitos pequenos investidores ingleses e holandeses; mas, à medida que os investimentos cresceram, isso também aconteceu com a dívida dos bancos estrangeiros. Em 2003, a dívida da Islândia era igual a 200 vezes o seu PIB, mas em 2007 ela chegou a 900 vezes. A crise financeira mundial de 2008 foi o golpe de graça. Os três principais bancos islandeses, Landbanki, Kapthing e Glitnir, quebraram e foram nacionalizados, enquanto que a coroa islandesa perdeu 85% do seu valor em relação ao euro. No final do ano, a Islândia se declarou falida.




Contrariamente ao que se poderia esperar, a crise deu lugar à recuperação dos direitos soberanos dos islandeses, através de um processo de democracia direta participativa, que finalmente conduziu a uma nova Constituição, mas depois de muita dor.
Geir Haarde, o Primeiro-Ministro de um governo de coalizão social democrata, negociou 2,1 bilhões de dólares em empréstimos, aos quais os países nórdicos acrescentaram outros 2,5 bilhões. Contudo, a comunidade financeira estrangeira pressionava a Islândia para impor medidas drásticas. O FMI e a União Européias queriam assumir o controle da sua dívida, alegando que era o único caminho para que o país pagasse seus débitos com a Holanda e a Inglaterra, que tinham prometido reembolsar seus cidadãos.
Os protestos e os distúrbios continuaram e, finalmente, obrigaram o governo a renunciar. A eleições foram antecipadas para abril de 2009, resultando na vitória de uma coalizão de esquerda que condenava o sistema econômico neoliberal, mas que de imediato cedeu às demandas de que a Islândia deveria pagar de 3,5 bilhões de euros. Isso requereria de cidadão islandês 100 euros por mês (perto de 130 dólares) durante 15 anos, com 5.5% de juros, para pagar uma dívida contraída pelo setor privado. Foi a gota dágua.
O que aconteceu depois foi extraordinário. A crença de que os cidadãos tinham que pagar pelos erros de um monopólio financeiro e que a toda uma nação deveria se impor o pagamento de dividas privadas se desmanchou, transformou-se a relação entre os cidadãos e suas instituições políticas e finalmente conduziu os líderes da Islândia para o lado de seus eleitores. O chefe de estado, Olafur Ragnar Grimsson, negou-se a ratificar a lei que fazia os cidadãos islandeses responsáveis pela sua dívida bancária, e aceitou os chamados para um referendum
Obviamente, a comunidade internacional só aumentou a pressão sobre a Islândia. A Grã-Bretanha e a Holanda ameaçaram com represálias terríveis e isolamento do país.
Como os islandeses foram votar, os banqueiros estrangeiros ameaçaram bloquear qualquer ajuda do FMI. O governo britânico ameaçou congelar as poupanças e as contas correntes islandesas.
Como disse Grimsson, "nos disseram que se nos negássemos a aceitar as condições da comunidade internacional, nos transformariam na Cuba do Norte. Mas, se tivéssemos aceitado, nos teriam convertido no Haiti do Norte".
Quantas vezes tenho escrito que, quando os cubanos vem o estado lamentável do seu vizinho Haiti, podem considerar-se afortunados?
No referendum de março de 2010, 93% votou contra a devolução da dívida. O FMI imediatamente congelou seus empréstimos, mas a revolução (ainda que não tenha sido televisada nos EUA) não se deixou intimidar. Com o apoio de uma cidadania furiosa, o governo iniciou investigações cíveis e criminais em relação aos responsáveis pela crise financeira. A Interpol emitiu uma ordem internacional de detenção para o ex-presidente de Kaupthing, Sigurdur Einarsson, assim como também para outros banqueiros implicados que fugiram do país.
Mas os islandeses não pararam aí: Decidiu-se redigir uma nova constituição que libere o país do poder exagerado das finanças internacionais e do dinheiro virtual (a que estava em vigor tinha sido escrita no momento em que a Islândia se tornou independente da Dinamarca, em 1918, e a única diferença com a constituição dinamarquesa era que a palavra presidente tinha sido substituída pela de "rei".
Para escrever a nova constituição, o povo da Islândia elegeu vinte e cinco cidadãos entre 522 adultos que não pertenciam a nenhum partido político, mas recomendados por pelo menos trinta cidadãos. Esse documento não foi obra de um punhado de políticos, mas foi escrito na Internet.
As reuniões dos constituintes foram transmitidas online, e os cidadãos podiam enviar seus comentários e sugestões vendo o documento, que ia tomando forma. A Constituição que eventualmente surgirá desse processo democrático participativo será apresentada ao Parlamento para sua aprovação depois das próximas eleições.
Alguns leitores lembrarão do colapso agrário da Islândia no século IX, que é citado no livro de Jared Diamond, com esse mesmo nome. Hoje em dia, esse país está se recuperando de seu colapso financeiro de formas em tudo contrárias às que eram consideradas inevitáveis, como confirmou ontem a nova diretora do FMI, Chistine Lagarde, a Fared Zakrie. Ao povo da Grécia disseram que a privatização de seu setor público é a única solução. Os da Itália, Espanha e Portugal enfrentam a mesma ameaça.
Deveria se olhar para a Islândia. Ao negar a submeter-se aos interesses estrangeiros, esse país indicou claramente que o povo é soberano.
É por isso que ele não aparece nos noticiários.


Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

Nota: A Islândia ainda não faz parte da União Europeia, embora estejam a ser efectuadas negociações nesse sentido.
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O Estado de São Paulo, 06 de janeiro de 2012

Número de pessoas sem emprego na zona do euro bate recorde em novembro


Clarissa Mangueira e Danielle Chaves, da Agência Estado

LONDRES - A taxa de desemprego na zona do euro permaneceu em 10,3% em novembro, informou a Eurostat, mesmo nível de outubro e em linha com as previsões dos economistas consultados pela Dow Jones. A taxa é a mais alta desde junho de 1998.
O número de pessoas sem emprego, por sua vez, atingiu um novo recorde de 16,372 milhões - nível nunca visto desde que os dados começaram a ser compilados, em janeiro de 1995.
As vendas no varejo da zona do euro diminuíram em novembro, destacando os receios sobre uma volta da recessão à região. Segundo a Eurostat, as vendas no varejo caíram 0,8% em novembro ante outubro e 2,5% em comparação com novembro de 2010.
As quedas foram maiores do que as previstas pelos economistas ouvidos pela Dow Jones, que esperavam declínio mensal de 0,4% e anual de 0,8%. A queda anual foi a maior desde setembro de 2009 e o recuo mensal foi o maior desde maio do ano passado.
As vendas no varejo diminuíram na Alemanha e na França, as duas maiores economias da zona do euro, e também em Portugal e na Espanha. Na Irlanda, as vendas subiram 2,0% em termos mensais, mas caíram 0,4% em termos anuais.
Os dados de outubro foram revisados para baixo, para mostrar que as vendas no varejo subiram apenas 0,1% em comparação com setembro, em vez da alta de 0,4% calculada inicialmente.
A confiança ao redor da zona do euro se enfraqueceu em dezembro, apesar do período de feriado, em razão das preocupações sobre o ambiente econômico, mostrou uma pesquisa da Comissão Europeia.
O índice de sentimento sobre a economia entre os 17 países que usam o euro recuou pelo 10º mês consecutivo em dezembro, para 93,3, de 93,8 em novembro. O resultado representa o nível mais baixo em mais de um ano, embora ainda esteja 20 pontos acima da mínima recorde de 69,6 registrada em março de 2009. Os economistas esperavam que o índice recuaria para 93,0.
No entanto, o índice de ambiente para negócios, uma medida separada, aumentou pela primeira vez em 10 meses, em linha com a última pesquisa do instituto alemão Ifo. O índice aumentou para -0,31 em dezembro, de -0,42 em novembro, conduzido pela avaliação mais otimista do setor industrial em razão do aumento das encomendas de exportação, afirmou a Comissão Europeia. A melhora do indicador contrariou a previsão dos analistas que esperavam uma leitura de -0,48.
O índice de confiança do consumidor declinou para -21,1, de -20,4 em novembro. A previsão dos economistas era de uma leitura de -21,2.
A confiança entre os produtores de manufaturas ficou estável em -7,1 em dezembro, em relação a novembro, e foi provavelmente sustentada por uma surpreendente resistência do setor industrial alemão. O dado veio um pouco melhor do que as expectativas dos economistas, que esperavam que o indicador recuaria para -7,5.
O setor de serviços foi incrivelmente pessimista, com o índice de confiança cedendo para -2,1 em dezembro, de -1,6 em novembro.
Os setores de varejo e construção também declinaram em dezembro para -11,7 e -25,2, respectivamente, de -11,1 e -25,0.
As informações são da Dow Jones.

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