terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

PSDB acusa Estátua da Liberdade por quebra de decoro



Carta Maior, 04/02/2014


PSDB acusa Estátua da Liberdade por quebra de decoro





Por Estanislau Castelo​




​Um dos símbolos da liberdade pode estar com seus dias contados.

O PSDB protocolou ontem, junto ao Supremo Tribunal Federal, e nas mãos de seu mais isento ministro, Gilmar Mendes, um processo contra a Estátua da Liberdade por quebra de decoro monumental.

A Estátua teria sido flagrada com o braço erguido, o que foi considerado pelos tucanos como uma clara referência ao gesto feito por José Dirceu e José Genoíno.

Um dos líderes que protocolaram o pedido ameaçou: "ou aquela piriguete abaixa aquele braço ou vamos às últimas consequências. Cogitamos inclusive derrubá-la".

Um ministro do Supremo que não quis se identificar disse que a Estátua pode ser enquadrada no "domínio do fato" e no artigo 45 do Código Penal, que reza que, sendo petista, todo castigo é pouco. Perguntado sobre o que seria esse "domínio do fato", o ministro não soube responder.

Em uma coletiva dada hoje pela manhã, em Nova York, o ícone mundialmente conhecido disse que prestou solidariedade aos "companheiros" presos por razões humanitárias.

E atacou os tucanos: "eu sou feita de cobre. Já esses que me acusam são um bando de caras de pau".

O símbolo maior da Baía de Nova York já havia feito o mesmo gesto anteriormente em comemoração à vitória dos atletas Tommie Smith e John Carlos, que ergueram o punho cerrado nas olimpíadas do México, em 1968, em homenagem aos Panteras Negras, grupo que lutava pelos direitos civis contra o apartheid nos Estados Unidos.

Questionada sobre se não deveria fazer o mesmo sobre Guantánamo, reagiu com indignação: "mas eu fiz; vocês é que não prestaram atenção".

Uma repórter da rede de comunicação ultradireitista Fox News perguntou à Estátua se ela não se envergonhava de emprestar sua imagem a "comunistas brasileiros", ao invés de continuar como garota propaganda do "American way of life".

Irritada, a Estátua lembrou: "minha filha, eu sou francesa. Vim de presente morar aqui nessa espelunca".

A Estátua foi também indagada se doou dinheiro para as vaquinhas que estão sendo organizadas para pagar a multa imposta aos condenados. "Ah, isso não. Devo confessar que sou muito mão fechada e ando dura faz tempo".

O punho da esquerda contra o capataz da casa grande

​O Globo.com, 03/02/2014

Vice-presidente da Câmara faz gesto de petistas presos ao lado de Joaquim Barbosa



​Maria Lima e Isabel Braga




Deputado André Vargas (PT/SP), vice presidente da Câmara, ergue o punho ao lado de Joaquim Barbosa
Foto: André Coelho / O Globo
Deputado André Vargas (PT/SP), vice presidente da Câmara, ergue o punho ao lado de Joaquim Barbosa André Coelho / O Globo

BRASÍLIA - Durante a leitura de parte da mensagem da presidente Dilma Rousseff ao Congresso nesta segunda-feira, na abertura dos trabalhos legislativos de 2014, as provocações do vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), foram alvo de comentários dos colegas e notadas no plenário. Sentado ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, Vargas fazia troça com colegas no plenário, hora repetindo o gesto de punho erguido feito pelos petistas mensaleiros na hora da prisão, hora postando ironias nas redes sociais sobre o ministro.
Em um momento da leitura da mensagem presidencial, quando Barbosa saiu da Mesa e se ausentou do plenário, André Vargas fotografou a cadeira ao seu lado vazia e postou no Instagram com a legenda: “Joaquim sumiu?”.
Na véspera o petista criticou Barbosa por causa da publicação de uma foto sua ao lado de um empresário foragido, em Miami. "Joaquim Barbosa tira foto em Miami com empresário foragido. “Cadê os moralistas da mídia brasileira? Se fosse o Lula!", escreveu Vargas.
Nesta segunda-feira, ele fez questão de sentar-se ao lado de Joaquim Barbosa na Mesa. Mas passou o tempo todo meio virado para o outro lado, sem trocar uma palavra com o presidente do Supremo. Sobre o gesto dos mensaleiros, ao lado do ministro, justificou:
- Muitos companheiros se cumprimentam assim. Uns com joínha, outros com sinal da vitória, nós com o L de Lula - disse, negando que tivesse ficado constrangido de se sentar ao lado do presidente do Supremo, contra quem tece críticas pesadas por causa do julgamento do mensalão.

http://www.conversaafiada.com.br/politica/2014/02/04/o-pt-mostra-o-punho-falta-o-lula/


Conversa Afiada, 04/02/2014


O PT mostra o punho. Falta o Lula




O Supremo achou que ia descer redondo ! (Foto: Sérgio Lima/Folhapress)



O Supremo deve ter achado que bastava o PiG para referendar um julgamento de exceção.

Com duas ou três colonas do Ataulfo Merval de Paiva, duas ou três entrevistas do Gilmar Dantas no “Bajulador Jurídico” -, um prêmio “Faz a Diferença” – e estava tudo resolvido.

O vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), ao lado do Presidente do Supremo, Joaquim Barbosa – quando legitimará a Satiagraha ? -, cerrou o punho várias vezes durante a cerimônia de abertura do ano Legislativo.

Como diz o Globo, Vargas repetiu o gesto dos “mensaleiros” Genoino e Dirceu ao se apresentarem à Polícia Federal.

(Como se sabe, Dirceu foi condenado ao semi-aberto e continua trancafiado por Barbosa. Talvez, porque Barbosa não terá o prazer de vê-lo trancado para sempre, já que, provavelmente, a imputação de “formação de quadrilha” cairá. Então, tranca-o como se não caísse …)

“Foi o símbolo de reação dos nossos companheiros que foram injustamente condenados,” explicou Vargas.

É uma pena que o PT não tenha um único senador – caso contrário,  poderia iniciar-se ali um processo de revisão das nomeações de Barbosa e Gilmar Dantas, este, como se sabe, incurso em vários capítulos do livro “Operação Banqueiro”.

(E, talvez, no “Operação Satiagraha”, do Protógenes Queiroz.)

O senador tucano eleito pelo PT de São Paulo, Eduardo Suplicy, por exemplo, prefere ir ao lançamento de novela da Globo…

Outra surpresa para o Supremo e a Big House foi a demonstração de virilidade dos militantes do PT, ao levantar o dinheiro para o Genoino e o Delúbio pagarem a multa imposta pelo Barbosa.

Foi um murro, como se diz na TV Afiada.

O Supremo foi, ali, condenado por um tribunal de júri popular.

E de novo será quando se levantar o dinheiro do Dirceu e do João Paulo Cunha.

João Paulo enfrentou Barbosa num artigo na Folha, chamou Lula às falas, e nesta segunda-feira foi para a porta do Supremo almoçar com militantes do PT ali acampados.

A condenação não desceu redondo, Presidente Barbosa.

Se a Big House vai levar o mensalão (o do PT) para a eleição, o PT parece demonstrar que vai expor o Supremo à luz do sol.

O julgamento do mensalão (o do PT) mudou mais o Supremo que o PT.
Agora, segundo o Estadão, na pag. A6, o Ministro Marco Aurélio (Collor de) Mello, relator do inquérito do trensalão tucano, anunciou que vai abrir os dados.

Ou seja, os tucanos não se esconderão “em segredo de Justiça”, o que, no Brasil, é uma forma de proteger criminosos de colarinho branco.

Ademais, diria o Ministro Mello, segundo o Estadão, ele vai examinar o pedido da Procuradoria-Geral da República para investigar o Procurador Rodrigo de Grandis, que esqueceu numa gaveta o pedido da Suíça para punir o trensalão.

O insigne Ministro Fux está para relatar a legitimidade da Operação Satiagraha – que, breve, o Presidente Barbosa poderá submeter ao plenário.

(Ocasião em que Gilmar Dantas, por certo, se considerará impedido de votar por motivos óbvios…)

Os punhos do PT começaram a se exibir naquele texto do Partido sobre o Dudu Campriles.

O Dudu e alguns petistas – como a Ministra Marta Suplicy – ficaram horrorizados com o teor incisivo e apropriado do texto.

Fita da petista paulista.

Um passarinho passou aqui na janela de casa e disse que o texto refletia exatamente o pensamento da Presidenta, que não aguenta a intensidade do golpe que Dudu lhe aplicou nas costas, com uma peixeira.

O texto refletia o sentimento da Presidenta da República eleita pelo PT …

Nessa caminhada para mostrar à sociedade que o julgamento foi uma exceção – ou Mentirão – falta a palavra do Lula.

A certa altura, o presidente Lula deve voltar da África e dar uma passada na Papuda para visitar o Dirceu.

Na volta, ir ao apartamento de oito quartos, dezenove suítes e Jacuzzi que o Genoino alugou em Brasília, com a grana que tomou do Tesouro Nacional !

O mundo gira e a Lusitana roda.

Mas, quem sabe, pela primeira vez, Lula vá andar atrás do PT ?

E, não, o inverso.



Paulo Henrique Amorim

domingo, 2 de fevereiro de 2014

A Secom e o desassosse​go da mídia

Carta Maior, 02/02/2014


A Secom e o desassossego da mídia


 

Por Saul Leblon





O desassossego da emissão conservadora com a saída de Helena Chagas, da Secom, não diz algo apenas sobre a ex-ministra egressa das Organizações Globo, e que por mais de quatro anos esteve à frente do órgão que centraliza a comunicação e o orçamento de publicidade do governo federal.

O alarido em colunas e gargantas adestradas no varejo dos recados patronais expressa, ademais, o entendimento consuetudinário que as grandes corporações  do setor nutrem em relação a essa pasta.

- Se é preciso mexer, que seja para nada mudar
, adverte o ectoplasma dos interesses que se avocam a indivisiva prerrogativa sobre a opinião pública nacional.

O dispositivo midiático relaciona-se com a  Secom  na mesma chave hierárquica  através da qual o  mercado financeiro busca impor sua soberano ao BC. Equivale ao tratamento dispensado pelos oligopólios regulados às agencias regulatórias, por reles capturadas.

Tudo se passa como se a esfera pública lhes devesse a fidelidade própria de uma extensão dos interesses privados.

Essa é a natureza dos recados disparados ao governo por ocasião da saída de Helena Chagas da Secom.

Equivale aos avisos intimidativos que gangues enviam à chegada de novos moradores no quarteirão.

Justiça seja feita, há coerência com o que se estampa e se emite a título de noticiário.

Importa, assim, discutir o outro lado.

O problema maior é a eficácia –razoavelmente alta- que esse comportamento tem obtido. 

Há quem tema que o sucesso se repita agora, mergulhando-se a mudança na Secom em um formol de busca de indulgência composto de mais do mesmo.

Que um governo progressista, há mais de uma década à frente do Estado, não tenha formado ainda um consenso quanto a necessidade de tornar mais ecumênico o sistema de comunicação do país, configura um mistério que até mesmo os dilatados limites das alas moderadas da esquerda não conseguem mais aceitar.

Muito das hesitações petistas nessa esfera pode ser atribuída à percepção de uma correlação de forças adversa, que impõe a estrita seleção dos confrontos a enfrentar.

A avaliação teria excluído das prioridades do governo Dilma o projeto de regulação das comunicações audiovisuais preparado pelo ex-ministro  Franklin Martins.

O texto dorme no berço esplendido da gaveta do ministro Paulo Bernardo, mas embalado por ordens superiores.


Há uma inércia histórica que explica –ou pelo menos explicou até a crise do chamado mensalão- o comportamento dos governos petistas nessa área.

O PT nasceu há 34 anos, em fevereiro de 1980.

Veio ao mundo com a simpatia abrangente dos jornalistas brasileiros.

As greves históricas dos anos 70 e 80 no ABC paulista magnetizaram as redações e toda uma geração de profissionais formada na resistência à ditadura.

Os levantes metalúrgicos criariam o sujeito histórico do novo período acalentado.

São Bernardo do Campo simbolizava o protagonista e o lugar da mudança.

Era uma pauta de apelo avassalador.

Estabeleceu-se uma camaradagem solidária entre repórteres e os destemidos metalúrgicos de Lula. A intimidade com o baixo clero das redações trouxe apoios, informações e contatos.

Era um tempo em que a luta operária carecia de escala e organização política.

A proximidade com os jornalistas - muitos dos quais renunciariam a cargos e carreiras para se engajar na luta sindical e depois, na do PT - criou também ilusões.

O trânsito fácil com a imprensa sugeria haver espaço a ocupar na grande indústria da notícia. Formou-se um consenso: a margem de manobra existia, bastava habilidade, certa moderação e bons contatos para explorá-la.

Marcaria uma inflexão nesse entendimento a derrota para Collor em 1989.
A Globo editou o debate final da campanha; deu quase dois minutos adicionais ao 'caçador de marajá' no compacto que levou ao ar no Jornal Nacional; estigmatizou as falhas de Lula, selecionando-as em contraponto aos melhores momentos do rival.

O alerta foi claro, mas não construiu uma novo diagnóstico político a ponto de renovar a agenda em relação ao aparato midiático.

Pesaria mais naquele momento a autocrítica das falhas da campanha do que a percepção do novo adversário de peso.

Foi um erro.


Não era qualquer adversário, mas aquele que aos poucos se revelaria com poderes para exacerbar a relação de forças e disposto a fazê-lo  -até o limite da manipulação, se necessário.

A 'união' nacional no impeachment de Collor, ato contínuo à derrota, e a vitória em 2002, num ambiente de hostilidade aberta, mas contrastado pelo racha que a inoperância tucana promoveria no interior do  próprio empresariado, mitigaram o conflito entre as convicções históricas do partido e a postura abertamente anti-petista da mídia.

A liderança de massa de Lula atingiu seu auge então reverberou no país durante os oito anos em que esteve à frente de um governo exitoso no plano social e econômico.

O prestígio esmagador dentro e fora do país empalideceu o cerco midiático e coagulou o debate sobre o tema da comunicação no interior do partido.
Parecia desnecessário.

Lula falou todos os dias, algumas vezes por dia, durante os 2.920 dias em que exerceu a Presidência da República.

O instinto político comandava a garganta.

A voz rouca abria espaços na opinião pública estabelecendo uma linha direta com o imaginário popular, a contrapeso da má vontade dos veículos de comunicação.

Não eram apenas palavras ocas, como alvejavam os editoriais raivosos. Elas carregavam resultados de políticas bem-sucedidas que entravam na casa dos mais humildes, sentavam-se à mesa, mudavam a rotina do país, redesenhavam as fronteiras da produção e do consumo de massa.

A mídia era obrigada a repercutir e Lula falava sem trégua.

Pautava a conversa nacional: era uma estratégia militante de ocupação de um espaço que se tornara esfericamente adverso. Eles chamavam a isso de 'lulo-populismo'.

Paradoxalmente, a exuberância oratória de Lula  –ancorada em êxitos econômicos robustos- veio revalidar a ingenuidade dos que ainda apostavam na existência de um espaço de tolerância no interior das redações.

Escaparia a esses dirigentes petistas a brutal transformação em marcha no interior da mídia e na própria composição das redações.

Ao longo de duas décadas de polarização política entre a agenda afuniladora do neoliberalismo e as urgências sociais do país, o ambiente jornalístico sofreria uma mudança qualitativa de pauta, estrutura e composição profissional.

A tentativa de impeachment de Lula em 2005, já no ciclo da chamada crise do 'mensalão' - que culminaria em novembro de 2012 com o linchamento e a condenação à  prisão justamente de lideranças históricas e pragmáticas  do partido -  sacudiu a inércia petista com força, pela primeira vez.

O espaço de tolerância acalentado ainda por emissários autonomeados, que traziam recados dos donos da mídia sobre o preço a pagar por uma trégua, perdeu eco na cúpula do governo.

Lula recorreria ao movimento sindical em 2005. A palavra 'golpe ' foi entronizada no discurso da resistência - para horror dos que insistiam em um acordo com o dispositivo que costurava a derrubada do governo.

A reeleição em 2006 quando se imaginava que o Presidente  sangraria até morrer,  e o êxito em eleger a sucessora, em 2010 - que termina seu mandato assentada em trunfos suficientes para ser reconduzida ao cargo - evidenciariam ao conservadorismo, em contrapartida, a importância crucial de preservar a sua única vantagem verdadeira no embate: o quase monopólio midiático.
Instalou-se, progressivamente, um "termidor" nas redações.

A fratura acalentada originariamente pelo PT, entre o baixo clero feito de jornalistas solidários e as direções conservadoras, foi cicatrizada a ferro e fogo com depurações e rupturas nos últimos anos.

A última purga da década foi feita recentemente no jornal Valor Econômico.

Profissionais íntegros e isentos continuam a existir nas redações.

Mas os sistemas de controle, a pauta e o torniquete da edição, sob comando de robespierres que compartilham do diretório demotucano, esmagaram o espaço da isenção, sem o qual não há contraditório.

A mídia como ambiente democrático permissivo à formação da consciência crítica e progressista da sociedade brasileira deixou de existir no país.

Pouca dúvida pode haver de que isso ameaça a democracia e a equidistância das instituições, do legislativo ao judiciário.

A percepção dessa ruptura, e os desdobramentos políticos que ela acarreta, cristalizou-se no linchamento midiático que subordinou as togas à cenoura dos holofotes, no julgamento da Ação Penal 470.

A tradição acomodatícia do PT em relação à chamada grande imprensa - seu descuido histórico com iniciativas para contrapor pluralidade ao monólogo - tornou-se perigosamente anacrônica.


Quando a Presidenta Dilma diz que prefere o excesso de uma mídia ruidosa ao silêncio das ditaduras, por exemplo, não está dizendo –como se viu acima -  nada de novo para a história do PT.

Mas a frase soa insuficiente para as circunstâncias que se modificaram.

O PT sempre perfilou entre os partidos pluralistas, antagônicos à voz única, ao poder absoluto e à intolerância  ideológica ou religiosa.

O que se discute agora é outra coisa.

Como fazer  prosperar a democracia, o senso crítico e a pluralidade num ambiente em que um poder não eleito e sem rival à altura em sua abrangência e decibéis, dá voz de comando até mesmo à Suprema Corte
- diz quem deve ou não ser julgado, como, com que precedência, a forma como deve cumprir a pena e onde?

A investida algo abusada e intimidadora sobre a Secom, após a saída de Helena Chagas, ilustra a determinação de um apetite pantagruélico que não saciará com a tradicional busca de indulgência, advogada por áreas conservadoras do PT.

Como contrapor a esse ruído despótico um contrapeso equivalente de vozes democráticas?

Essa é a pergunta que a mídia jamais fará à Presidenta Dilma.

Nem por isso a história a exime de responder.

A intimidação em curso tem como meta consagrar o interdito da publicidade federal aos sites e blogs progressistas, aqueles que semeiam a referência de um ponto de vista alternativo ao círculo de ferro conservador.

Por certo, a Presidenta Dilma não convalida em sua concepção de ruído democrático a narrativa de uma nota só evocada por esse jogral, que sobrepõem a liberdade de empresa à liberdade de expressão.

Não se pode mais declinar de dar às consequências as suas causas.

As causas da crispação autoritária que lateja na vida política do país decorrem em grande parte do desequilíbrio avassalador cristalizado no seu sistema de mídia e comunicação.

Não enxergar o óbvio é pagar a crediário o suicídio político.

Um governo democrático, que pretende fazer do Brasil um país de classe média - supõe-se que não simplesmente de consumidores de tablets, não pode mais lutar a batalha do dia anterior.

A disjuntiva que se coloca não é mais entre autoritarismo/aparelhismo ou monólogo conservador, como quer o capcioso enunciado da emissão dominante;
Não estamos nos anos 60 ou 70.

Estamos diante de um aparato claustrofóbico de difusão que se avoca o direito de enclausurar a formação da opinião pública brasileira e de interditar o debate –crucial nos dias que correm- sobre o passo seguinte do desenvolvimento brasileiro.

Não se constrói um país de classe média esclarecida sem as condições efetivas ao esclarecimento e à formação da consciência crítica.

Não basta o crédito à aquisição de computadores, celulares etc

É obrigação de governo, também, assegurar espaço para que seu conteúdo seja plural e democrático.

Disputar as expectativas, em certos momentos, é tão decisivo quanto ajustar as linhas de passagem entre um ciclo econômico e outro.

Esse é um desses momentos.

E isso requer um novo entendimento de comunicação do governo.

A  Secom  pode exprimi-lo com equidistância e lisura.

Há uma prova de fogo no caminho: não se submeter à intimidação dos que se avocam a prerrogativa de fixar critérios -e limites implícito--  do que seja uma política democrática de comunicação para a sociedade brasileira hoje.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Petição pelo impeachmen​t de JB

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Brasil 247, 1 de Fevereiro de 2014


Petição coleta assinaturas pelo impeachment de JB



247 - Uma petição online, que defende o impeachment de Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, foi publicada no site Avaaz. Leia abaixo sua justificativa e acesse aqui a petição:
Por que isto é importante
A OAB aprovou documento assinado por todos os seus conselheiros federais cobrando do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) uma investigação sobre a conduta do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Trata-se de uma medida inédita da entidade.

Algo que demonstra o quanto o atual presidente do Supremo extrapolou todos os limites do jogo democrático. Um dos maiores e mais renomados juristas do Brasil, Celso Bandeira de Mello, professor de direito da PUC-SP, criticou as decisões tomadas por Joaquim Barbosa sobre a prisão dos condenados do chamado “mensalão”. “Cabem providências jurídicas contra ele, entre elas o impeachment".

Enquanto isso cresce o movimento pelo impeachment do presidente do STF. O ex-governador de São Paulo, e um dos juristas mais respeitados do país, o conservador Claudio Lembo, concedeu uma entrevista ao programa “É Notícia”, da RedeTV!, que promete incendiar o debate sobre os abusos cometidos por Barbosa.

Nunca houve impeachment de um presidente do STF. Mas pode haver, está na Constituição. Bases legais, há. Foi constrangedor, um linchamento. O poder judiciário não pode ser instrumento de vendetta”, diz o ex-governador paulista.

Já foi lançado um manifesto de repúdio ao que chamam de prisões ilegais de parte dos condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão, assinado por juristas, intelectuais da sociedade civilJoaquim Barbosa mentiu ao defender o sigilo do Inquérito 2474 pois está atuando claramente a favor dos interesses dos magnatas da mídia brasileira, onde inclusive seu filho trabalha.

Para quem não sabe, este inquérito tem as provas de que todo o mensalão foi uma imensa farsa sustentada pela mídia e pela oposição, para derrubar o PT e criar as bases de um golpe de estado através do impeachment de Lula. Não conseguiram derrubar Lula, mas conseguiram iludir, desinformar e colocar boa parte dos brasileiros contra o PT.

A Rede Globo, a Revista Veja, e o Jornal Folha de SP ajudaram durante anos a sustentar a mentira, pois o PT planejava democratizar a mídia, que no Brasil é dominada por 7 famílias de bilionários.

Mariel e nossa direita radical, mal informada e burra

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Carta Maior, 01/02/2014


Pearl Harbor e Mariel

 
Por Mauro Santayana


A inauguração, na semana passada, da primeira fase da expansão do Porto de Mariel, em Cuba, e da Zona Especial de Desenvolvimento do mesmo nome, com a presença da Presidente da República, serviu de pretexto, para o lançamento, pelos anticomunistas de plantão, de  nova campanha na internet.

Alguns deles se comportam como se a obra fosse uma surpresa e tivesse sido feita sob o mais rigoroso sigilo, quando  trata-se do maior projeto em execução na região - a duplicação do canal do Panamá está parada porque as empreiteiras espanholas e italianas contratadas querem receber mais do que foi combinado - envolveu, até agora, centenas de  empresas brasileiras e gerou mais de 150 mil empregos no Brasil.

Para os hitlernautas, e os “inocentes” úteis que os seguem, o Brasil estaria dando um “presente” para Cuba, e o BNDES sendo usado para apoiar governos esquerdistas na América Latina quando deveria estar aplicando seus recursos exclusivamente dentro do Brasil.

Ora, essa política de estado - até mesmo FHC fazia isso - vem desde o governo militar, com obras na Mauritânia e no Iraque, por exemplo.
O Brasil não empresta dinheiro para projetos de infraestrutura na América Latina nem por filantropia nem  comunismo. Primeiro, porque os recursos emprestados a outros países pagam juros ao BNDES, e precisam ser gastos com a compra de equipamentos e contratação de técnicos e profissionais brasileiros, ou não são liberados.
E, também, porque normalmente esses projetos estão ligados ao desenvolvimento futuro de nossa economia. A linha de 500 Kv de interligação elétrica de Itaipu com o Paraguai, por exemplo, permitirá que centenas de empresas brasileiras que precisam de energia mais barata para concorrer com os chineses, por exemplo, no mercado internacional, se instalem ali. E o crescimento da economia, do emprego e renda no Paraguai, propiciado pela instalação de novas empresas,  levará ao aumento do poder de consumo da população e à  importação de mais produtos brasileiros, multiplicando, também, os empregos e as oportunidades de negócio por aqui.

O mesmo ocorre, com as obras de ligação ferroviária e rodoviária dos corredores bioceânicos que estão sendo construídas em nossas fronteiras com o Peru e a Bolívia. Por essas estradas, chegarão, com um preço mais competitivo,  produtos brasileiros aos mercados desses países, e, por meio de  portos peruanos e chilenos, ao Oceano Pacífico, à China e ao Extremo Oriente, sem precisar passar pelo Estreito de Magalhães ou o Canal do Panamá.  

As pessoas que denigrem a construção, pelo Brasil, de  Mariel - e que se pudessem, parece que gostariam de  bombardear o porto recém inaugurado, como o Japão fez com a base de Pearl Harbor na Segunda Guerra Mundial -  são as mesmas que desprezam e ridicularizam as relações de nosso país com nações como  Venezuela e Argentina, e que gostam de citar, na internet  nas rodinhas, textos escritos por “analistas” antibrasileiros  nos jornais de Miami e da Cidade do México.

Mas foram Argentina e Venezuela que nos deram 10 bilhões de dólares de superávit no ano passado, e não os EUA ou a Europa, que cortaram as importações do Brasil em 2013 e foram responsáveis por um déficit de quase 20 bilhões de dólares em nossa balança de comércio exterior.   
Se o Brasil não tivesse financiado a expansão do Porto de Mariel, outro país o faria. Países capitalistas, e até de orientação conservadora, como a Itália e a Espanha, ou grandes potências econômicas, como a China, investem mais que o Brasil em Cuba, e ninguém em seus países reclama disso como ocorre por aqui.
O BNDES está investindo bilhões de reais em obras de infraestrutura no Brasil. Mas elas não avançam por motivos que não têm nada a ver com os investimentos do BNDES no exterior, financiando - como fazem  bancos de desenvolvimento  do Japão, da Europa e dos Estados Unidos - a criação de empregos em seus países e a exportação de serviços e equipamentos para outras nações.

As obras no Brasil não andam, e às vezes saem por três vezes mais do que deveriam, porque são sabotadas, e paradas a todo momento, por qualquer razão, como já ocorreu, por dezenas de vezes, com as hidrelétricas de Belo Monte, Jirau e Telles Pires e com as novas refinarias e complexos petroquímicos que estão em construção - e dos quais dependemos para diminuir a importação de combustíveis - como o COMPERJ e a RNEST.

E também porque, enquanto em Cuba a busca do desenvolvimento é consenso, aqui existe uma extrema direita radical, mal informada e burra, que acha que, para ir contra o governo, precisa torcer contra o país.