domingo, 24 de abril de 2016

Uma experiência com a corrupção


http://www1.folha.uol.com.br/serafina/2016/05/1763279-uma-experiencia-com-a-corrupcao.shtml



Folha.com, 24/04/16


Uma experiência com a corrupção



Por Henrique Goldman



Ao assistir o bizarro exercício de democracia que foi a votação do impeachment na Câmara e ver deputados corruptos mandando beijinho para os netos no plenário, lembrei de um contato direto e pessoal com a corrupção.

Em meados da década de 1980, eu vivia em Roma. A RAI, rede de televisão estatal italiana, aprovou um projeto de documentário que eu dirigiria e produziria. Era de baixo orçamento, mas ainda assim o contrato final demorava para sair. Percebi que havia algum entrave.

Mesmo depois de entregar na administração uma lista absurda de documentos que incluía até um "certificato anti-mafia", um bizarro documento obtido em qualquer cartório que atestava, em troca do equivalente a R$ 100, que não se era mafioso, eu esperava por semanas pela autorização final e a coisa não acontecia.

Um dia, impaciente e preocupado, fui encontrar a chefe da administração do canal, uma senhora antipática e coberta de joias. Perguntei quando poderia ter o contrato pois precisava começar a filmar. Ela disse, com um sorrizinho cínico, que não tinha a menor ideia. Perguntei se eu podia fazer algo para apressar o processo. Ela sugeriu que eu procurasse uma amiga brasileira, que vendia filmes para a emissora, e perguntasse se ela conhecia alguma solução para o meu problema.

Confuso, procurei minha amiga e expliquei a situação. Ela respondeu sem hesitar: "compra dois mil dólares e entrega num envelope". Fiquei constrangido mas, na cara dura, entreguei a grana na administração e poucas horas depois recebi o contrato assinado.
 
Aquilo fazia parte da vida de qualquer produtor na Itália. A corrupção era capilar, onipresente e exercitada ao ar livre.

Num café em frente a sede da RAI, todas as tardes podia-se encontrar um senhor barrigudo, conhecido por todos, que ficava sentado na mesma mesa recebendo visitas como um capo mafioso. Ele era uma espécie de agente, que conseguia empregos na rede — que pelas leis trabalhistas vigentes eram praticamente vitalícios — em troca de subornos.

As relações de trabalho eram naturalmente corrompidas e às vezes propinas podiam se combinar com gestos de carinho ou gentileza. Uma vez, logo antes do Natal, fiz um teste de elenco para um filme, e vários candidatos a atores me trouxeram panetones, garrafas de vinho e torrones, no afã de conquistar um papel.

Logo depois este sistema foi momentaneamente virado de cabeça para baixo pela famigerada operação Mani Pulite (Mãos Limpas), o equivalente local da nossa Lava Jato, que envolveu cerca de 5.000 políticos, funcionários públicos e empresários e paralisou o país durante anos. Num dado momento, a metade dos parlamentares italianos estava sendo investigada.

Num dos atos iniciais da operação, o procurador Antonio di Pietro, uma espécie de Sergio Moro local, mandou um caminhão escoltado pela polícia estacionar na porta da RAI para confiscar arquivos inteiros.
 
Uma das consequências da operação foi a ascensão de Silvio Berlusconi, um bilionário dono de redes de televisão, julgado em vários casos de corrupção, sonegação de impostos, abuso de poder e até condenado por prostituição de menor. Atacando a classe política corrupta, Berlusconi conseguiu tomar o poder e perpetuar o próprio regime da corrupção que a Mani Pulite tentou eliminar.
 
Um dado assustador: Berlusconi foi primeiro-ministro da Itália quatro vezes entre 1994 e 2011. Quem sabe, depois de tudo, talvez aquela senhora dos contratos continue trabalhando na RAI.

Golpe: Forma e conteúdo


http://www1.folha.uol.com.br/colunas/janiodefreitas/2016/04/1764088-forma-e-conteudo.shtml


Folha.com, 24/04/16



Forma e conteúdo



Por Janio de Freitas




O Ministro Celso de Mello do STF considera "um gravíssimo equívoco" as referências de Dilma a golpe. Porque "o procedimento destinado a apurar a responsabilidade da senhora presidente da República respeitou todas as fórmulas estabelecidas na Constituição".

As fórmulas. Ou seja, Celso de Mello considera a forma, e se satisfaz. Mas o golpe não está na forma, está na essência, no argumento, que apenas se vale da forma. E este argumento consiste em, de repente, considerar crime, para efetivar um impeachment, uma prática financeira aceita nos governos anteriores e em atuais governos de Estados. Um casuísmo, portanto, um expediente oportunista.

Integrante mais antigo do Supremo, nomeado ainda por Sarney, Celso de Mello é o ministro que mais recorre a bases teóricas do Direito, em imensas digressões engordadas com citações a autores, jurisprudências e votos passados. O seu súbito enlace com o formalismo, e do mais simplório, pode satisfazer-lhe a visão política, mas trai sua dificuldade de sustentar com argumentos jurídicos o golpe da repentina criminalização de créditos suplementares, velhos conhecidos da Fazenda, do Tesouro e do TCU.

Dias Toffoli também tem o que dizer sobre o que os jornais disseram que Dilma diria na ONU mas não disse, e por isso os que inventaram que ela diria agora se dizem surpresos. Toffoli: "Alegar que há um golpe em andamento é uma ofensa às instituições brasileiras. E isso pode ter reflexos ruins no exterior". Os reflexos ruins já estão na imprensa internacional, que não se deixou enganar. Sem falar no manifesto de 8.000 juristas mundo afora, denunciando o golpe.

"Ofensa às instituições" é a trama em montagem para separar o processo, no TSE presidido por Toffoli, sobre as contas de campanha da chapa Dilma-Temer. Com um processo para cada um, como Gilmar Mendes articula, Temer pode ser absolvido enquanto Dilma é condenada. Gilmar Mendes chegou a dizer que "o tribunal (Superior Eleitoral) tinha posição contrária, mas agora podemos ter um quadro novo". Outro casuísmo, outro expediente oportunista. O golpinho filhote do golpe.

Em importante artigo na "Ilustríssima" de domingo (17) (pág. 6), cuja leitura recomendo muito, Daniel Vargas faz uma análise original e aguda do Judiciário e, em particular, do STF. Constitucionalista, doutor em Direito Público por Harvard, em dado exemplo diz: "Cármen Lúcia e Dias Toffoli, ao afirmarem publicamente que impeachment não é golpe, pois está previsto na Constituição, abusam da retórica para, implicitamente, oferecer suporte ao movimento político de destituição da presidente Dilma Rousseff".

É o que fazem também os outros ministros aqui citados, com exceção de Teori Zavascki, que mantém a reserva devida por magistrados. São 35 os partidos com registro. Mais os meios de comunicação. O Supremo Tribunal Federal não precisa ser mais do que Supremo Tribunal Federal. Aliás, precisa-se que seja o Supremo Tribunal Federal. 


​http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2016/04/1761293-justica-tem-de-completar-sua-democratizacao.shtml



Folha.com, 17/04/16​


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Justiça tem de completar sua democratização




Por Daniel Vargas




Na década de 1980, o raio democratizante condenou quase todas as instituições vigentes no país: enterrou a Constituição de 1967-9, escrutinou o Legislativo corrompido e retirou as lideranças militares à frente do Executivo. Todos foram declarados "culpados" pelos abusos cometidos durante o regime militar e substituídos nos anos seguintes. No entanto poupamos o Judiciário e o Supremo Tribunal Federal de qualquer escrutínio público.
 
Fingimos, para nós mesmos, que as arbitrariedades que vivemos no passado foram erros morais, políticos ou sociais, mas não jurídicos – quando, na verdade, tudo o que a ditadura fez foi aprovado em leis. E distribuímos o peso da responsabilidade pelos erros do passado sobre os ombros do Legislativo e do Executivo.
 
O pecado original de nossa democracia foi realizar a transição política da ditadura para a democracia, mas não a jurídica. O principal símbolo dessa falha foi entregar nas mãos de 11 ministros do Supremo indicados pelo velho regime militar, e por anos comprometidos com ele, a mais nobre tarefa de dar a palavra final sobre os rumos do regime nascente.
 
Quis o destino que o futuro da democracia brasileira hoje estivesse, em boa parte, nas mãos justamente daquele Poder que, na década de 1980, foi poupado do juízo moral da democratização. Ontem cometemos o grave pecado de não escrutinar a Justiça e sua forma de pensamento e de ação. Hoje ela tem papel decisivo de influência do nosso futuro.


 
CONSEQUÊNCIAS
 
Quais as consequências daquele pecado original para o nosso sistema jurídico? Há várias, ainda por se examinar. Mas duas são muito claras.
 
A primeira é que o velho Supremo tratou de "degradar" a força normativa da nova Constituição. Por anos, direitos sociais foram interpretados como meras diretrizes de governo, o mandado de injunção sofreu uma espécie de "suspensão" constitucional, e impulsos jurídicos inovadores, originários da base do sistema de Justiça, foram neutralizados pela corte. Pelas mãos do velho Supremo, preconceitos da ditadura sobreviveram firmes e fortes.
 
A segunda consequência é que a Justiça brasileira nunca desenvolveu uma autoconsciência sobre as exigências de sua imparcialidade.

Na ditadura, a "força" do Judiciário estava fora dele, concentrada na imagem do ditador. Na democracia, a "força" do Judiciário está nele próprio, nos argumentos e posturas que adota. Ninguém presume que uma decisão, pelo simples fato de ser proferida por juiz competente, seja automaticamente desejável ou correta, ainda que seja cumprida. Hoje já não basta decidir, é preciso saber liderar, comportar-se como árbitro imparcial e fundamentar suas escolhas com profundidade.

Em democracias avançadas, para limitar ou justificar democraticamente as escolhas judiciais, vários métodos de decisão surgiram ao longo do século 20. No Brasil, contudo, ainda prevalece a "técnica do avestruz", muito conveniente durante o regime militar.
 
Com frequência, os magistrados decidem como querem, invocam um princípio ou regra abstrata para fundamentar sua visão e depois se retraem, como quem diz: "Eu não fiz escolha alguma". Em vez de enfrentar o problema, fogem dele, como se ainda estivessem na ditadura e, por sobrevivência ou covardia, devessem evitar a todo custo revelar suas opções.

Episódios recentes ilustram várias modalidades de escolhas não reveladas por nossos magistrados.
As que têm mais perturbado são as do tipo "implícito". Cármen Lúcia e Dias Toffoli, por exemplo, ao afirmarem publicamente que impeachment não é golpe, pois está previsto na Constituição, abusam da retórica para escolher, implicitamente, oferecer suporte ao movimento político de destituição da presidente Dilma Rousseff.
 
Moro e a Lava Jato, ao decidirem avançar as investigações contra Lula, escolheram implicitamente não investigar representantes da oposição, também citados nas delações. No mesmo sentido, o Supremo suspendeu a posse de Lula na Casa Civil, embora seja ele apenas investigado, mas decide implicitamente preservar Eduardo Cunha, réu em processo criminal, à frente da Presidência da Câmara dos Deputados.
 
Ainda que, individualmente, cada uma das decisões pareça legal, a verdade é que, no seu conjunto, essas posições trazem uma enorme carga de parcialidade.

A renovação completa da composição do Supremo Tribunal Federal, após a aposentadoria do último ministro indicado pelo regime militar, resolveu só parte das questões apresentadas – principalmente, teve efeito sobre a primeira consequência, a desidratação normativa da Constituição de 1988. Ao longo dos anos, o Supremo gradualmente reverteu sua jurisprudência para cumprir o que, fosse ou não de nosso agrado, o constituinte comandava.

Mas a segunda e principal consequência – a afirmação da autonomia do direito e de sua imparcialidade – nunca chegou a se desenvolver plenamente na cultura jurídica. Ainda preservamos, hoje como na ditadura, a mesma estratégia que a Justiça usava para se fingir de inocente – a suposta obediência à lei.

A única diferença é que, no passado, a Justiça fingia não ter escolha, porque temia o Executivo. Era submissa e tímida. Hoje, a submissão e a timidez desapareceram, mas a Justiça ainda finge não ter escolha, de modo a camuflar suas próprias preferências. O Judiciário deixou de se comportar como servo do ditador para se comportar da maneira como bem entende, sem qualquer limite ou freio.

Vivemos presos a uma espécie de infância moral: como uma criança que brinca de Super-Homem e pensa que o mundo todo a sua volta acredita em sua fantasia. Do mesmo modo, parte da Justiça age como se todos acreditassem, ou devessem acreditar, em sua decisão como sempre imparcial.
É possível que a Justiça se redima? A princípio, sim.

Para isso, os líderes do sistema de Justiça deveriam começar fazendo todos os esforços para retirar do ar o cheiro de "dois pesos, duas medidas" que marcou o processo de investigação contra um partido, personalizando muito do que é estrutural.
 
Os membros do Judiciário devem conter os arroubos de voluntarismo e messianismo, que enaltecem biografias, e não instituições. Devem cuidar com a máxima atenção do impacto político de seus posicionamentos e suas decisões, especialmente as implícitas. Devem fundamentar, de forma transparente e rigorosa, suas escolhas e os métodos em que se basearam para fazê-las. Devem fazer da discrição e da profundidade suas maiores conselheiras. E, a esta altura do campeonato, deverão contar com o apoio da sorte.

É possível, contudo, que os esforços não deem certo.

A principal razão para isso é que nossos líderes na Justiça não parecem ser tão virtuosos – ou, até o momento, tendem a agir mais como torcedores do que como estadistas seguros de si. Se falharem, fica a lição: a transformação de uma democracia sem a transformação do direito, do seu pensamento e de suas prática, pode ter vida breve.

 
DANIEL VARGAS, 37, é doutor em direito pela Universidade de Harvard e professor da FGV Direito Rio.


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23/04/16

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​Gastrofascismo


Por Leandro Fortes, jornalista (De seu Facebook)



A doença infantil do antipetismo criou, no Brasil, a figura do fascista de restaurante.

É o sujeito ou grupo de sujeitos que vai ao restaurante insultar pessoas que pensam de forma diferente ou tem outra opção política-ideológica à dele.

São, quase sempre, idiotas funcionais que foram ativados pela mídia, como naquelas experiências com espiões hipnotizados atribuídas a americanos e soviéticos, durante a Guerra Fria.

O sujeito sai de casa com a esposa, vai almoçar ou jantar num restaurante qualquer e, de repente, ele vê...um petista!

Não um petista qualquer, aquele vizinho inconveniente que não bate panelas, que chama ele de coxinha pela varanda, que coloca ‪#‎Lula2018‬ como nome de rede de internet, por pura sacanagem.

Um petista MESMO: uma deputada que defende direitos humanos, um senador que apoia o MST, uma celebridade que detona Bolsonaro nas redes sociais.

Aí, o fascista de restaurante, simplesmente, esquece a mulher, os filhos, a comida, o próprio sentido de sair de casa para ir comer fora, e parte para cima do petista. Mesmo que o alvo não seja petista, mas apenas esquerdista, o que é, claro, a mesma coisa.

Basta ter dito por aí que o impeachment de Dilma é golpe.

Ele parte para cima, ativado no modo Globo News, uma metralhadora de clichês roubados dos debates radiofônicos da CBN, uma Veja desgovernada babando ódio e ressentimento de classe.

"Como assim, no MEU restaurante, ESSA GENTE?"

No caso do ator José de Abreu, que encerrou a discussão com uma bela cusparada na cara de um desses cretinos, o argumento de fundo utilizado é uma pérola no direitismo tupiniquim: como alguém que vota no PT, ou é comunista, pode ser dar ao desfrute de almoçar em um caro restaurante japonês?

Essa visão pedestre de que a esquerda deve se alimentar de ovo frito e banana não é fruto de reflexão alguma, por óbvio.

É parte de um vasto relicário de dogmas organizados em apostilas da Escola Superior de Guerra para serem usados como doutrina anticomunista, entre os anos 1960 e 1980.

Trata-se de uma contraposição primária, feita sob medida para alienados, ao conceito marxista de mais valia.

Ou seja, ao fato de que o trabalho incorporado a um produto, pela força do trabalho em si, é sempre inferior ao que Marx chama de "trabalho comandado" - isto é, o que o valor de venda desse mesmo produto pode comprar em termos de horas trabalhadas.

Essa discrepância está na base da impossibilidade natural, no nosso capitalismo, de os trabalhadores e trabalhadoras não poderem acessar boa parte dos bens de consumo que produzem, seja um automóvel de luxo, seja um pedaço de salmão cru em cima de um bolinho de arroz.

O que o pensamento de esquerda clássico (não necessariamente marxista) defende é que tudo que o trabalhador produz deve, para efeito de justiça social, também ser consumido por ele.

Justamente, essa interface escandalosamente ideológica está na origem da reação do grande capital aos governos do PT. A percepção de que a aproximação do trabalho ao seu valor de uso capitalista cria uma perigosa consciência de classe contra-hegemônica.

Por isso, os principais interessados em destruir essa percepção - o capital rentista e o latifúndio - acionaram a mídia. A esta, ancorada no dinheiro e nas concessões públicas, coube ativar a vasta rede de analfabetos políticos e indigentes morais que atacam pessoas em restaurantes.

Os gastrofascistas, a nossa mais nova jabuticaba.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

O amanhã promete ser violento


http://insightnet.com.br/segundaopiniao/?p=306



Segunda Opinião, 22/04/16



A grande dúvida constitucional de que o Supremo fugirá


Por Wanderley Guilherme dos Santos



​Avalio como inoportuna, inviável, e ilegal, exceto se por decisão do Superior Tribunal Eleitoral, a sugestão à esquerda de que reivindique “eleições, já”. Inoportuna porque lançada em meio ao processo decisório, primeiro, do Senado da República, e depois, se for o caso, do Supremo Tribunal Federal; inviável porque a Câmara, os partidos que votaram de forma truculenta a favor do impedimento de Dilma Rousseff, não irão introduzir tal mudança na Constituição; e ilegal porque se trata de mudança na regra do jogo ao fim do segundo tempo. Perder a bandeira da legalidade é presentear os golpistas com o argumento de que não dispõem e buscam desesperadamente forjar: o de que a presidente Dilma comete crime de responsabilidade, atentando contra a letra da Carta Magna. E sem ele não há justa causa para a violência impeditiva.

 

Tenho escassa esperança de que o Senado, julgando o mérito do pedido de impedimento, aceite o óbvio: por nenhuma evidência atual ou histórica, e até biográfica, a presidente Dilma Rousseff jamais violou ou tentou violar as instituições representativas democráticas. Nada até agora pôs em dúvida esse fato, cuja tonelagem de verdade é brutal. Por declarações de mais de um dos integrantes da partidariamente insuspeita força-tarefa da Lava-Jato, jamais houve tentativas de interferência do Executivo no andamento da investigação. Delações interesseiras, assinadas por tipos que acreditam na clemência do algoz quanto mais fabulam historietas para agradá-lo, transformam conversas cotidianas em conspiratas clandestinas em calabouços do Planalto. Mas a denúncia de conveniência será tratada como pepita pelos impolutos senadores, especialmente porque a acusação de deslize administrativo padece de precária virtude, assentada em ilegalidade não comprovada e anã.

 

Tampouco acredito no discernimento do Supremo. Em matéria de extenso conflito social, só os ministros autoritários costumam içar bandeiras. Os liberais, como de hábito, se escafedem. Dirão todos, ou a maioria esmagadora deles que o rito foi respeitado e não lhes cabe apreciar o mérito da decisão congressual. O dedo do demônio golpista está precisamente neste detalhe. Pode ser difícil encontrar fissura nos trâmites adotados pelo Presidente da Câmara dos Deputados. E não tenho segurança para julgar se é ilegal um réu de processo no Supremo presidir à votação de um pedido de impedimento da Presidente da República, sendo, ademais de réu ele próprio, declarado inimigo político dela. Mas a lisura do rito tem sido reivindicada, até com obsequiosa cautela, não obstante os espasmos alucinados que a TV registrou.

 

O atentado ao contrato social básico é outro, de cujo exame o Supremo fugirá como lebre. Cabe a qualquer maioria interpretar como lhe convier a forma de aplicar preceitos constitucionais? O rito pode criar o objeto a que se aplica? Se dois terços da Câmara dos Deputados decidirem que as contas do atual presidente da Casa não são contas e que a Suíça não existe, vale a anistia com que pretendem presenteá-lo? Se valer, para quê serve um Supremo Tribunal? Qualquer decisão majoritária seria constitucional. Esta é a mácula do processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff: o rito criou o crime a ser punido. Vale? Não devia, pois a verdade de juízos de existência não é matéria plebiscitária.  É matéria jurídica, de lógica e da fé contratual que funda as sociedades. Mas os eminentes ministros vão fingir que ela não existe. A seriedade das instituições republicanas se dilui no despudor de um Legislativo que convive com a propaganda da tortura e na prolixidade capciosa dos tribunais de justiça. A república se esfarela e o amanhã promete ser violento.

 






Carta Maior, 22/04/16



Para a leitura de Celso de Mello e seus pares



PorTarso Genro




As afirmações do decano do STF,  Ministro Celso de Mello, desqualificando a opinião de dezenas de juristas importantes como ele  (e também se opondo a uma manifestação da Presidenta,  que classificou como golpe o "impeachment" em andamento)  tem tanta legitimidade, perante a História e perante o Direito, como o curto "mandato" do ex-Presidente da Câmara Federal,  Ranieri Mazzilli, logo depois da deposição do Presidente João Goulart. A comparação não é irônica: a força dos fatos às vezes legitima, rapidamente, o direito produzido de maneira "torta" - como o Supremo legitimou todos os atos institucionais depois da derrubada do governo João Goulart -  mas, nem por isso, o Golpe de 64 deixou de ser Golpe, independentemente dos juízos de valor, positivos ou negativos para o país, que os historiadores tenham sobre ele.

Qual a armadilha "dogmática", que está presente no discurso do ministro Celso? A falta de especificidade da sua fala (a que tipo golpe ou "impeachment" ele se reporta), de um lado e, de outro, o uso de uma abstração, que tenta blindar o discurso, como discurso neutro (meramente "jurídico"), sem qualquer conotação histórica ou política, aparentando que quem o emite não tem posição política sobre o processo de derrubada da Presidenta. Como se todos os golpes fossem iguais e todos os "impeachments" fossem os mesmos. Por isso, a sua fala é um óbvio, que sempre quer dizer mais do que óbvio: para ele, este "impeachment" não é golpe!"

Querem testar?  Vamos supor que o Ministro Celso de Mello, como decano do STF - com o seu brilho costumeiro -  dissesse que "um 'impeachment', em tese não é golpe, assim como nem todo o golpe, é golpe militar".  Se dissesse desta forma o Min. Celso de Mello poderia ser atacado como um assistente jurídico do "impeachment"?  Ou como um Ministro suspeito, que deverá julgar uma das questões jurídico-políticas, mais importantes da nossa história constitucional?  Certamente poderia, mas  se lhe atacassem por essa hipotética fala, quem o fizesse certamente seria um crítico sectário ou, no mínimo, um imprudente. Mas não foi o caso. Com sua intervenção o Ministro passou a compor o contencioso político e a sua frase óbvia, representa muito mais do que óbvio: "podem tocar o "impeachment" que nós os respaldamos!"
 
Os juristas dogmáticos, cujo raciocínio só vai da "norma para norma" - mesmo que a aplicação de um dispositivo possa atingir os fundamentos da constituição -  não raro enredam-se na defesa da exceção, ("declarada"), como num golpe militar, ou "não declarada" (como num falso processo de "impeachment"). Mas o objetivo é o mesmo: subtrair a soberania popular.  Na primeira hipótese, as autoridades supremas do Judiciário, por exemplo, validam atos institucionais e leis raciais,  porque a força os obriga; na segunda hipótese, aceitam instrumentos legais de correção da soberania (face a "cometimento de crimes") falsificando sua interpretação: as famosas pedaladas, que, para outros governos, não eram crimes de responsabilidade, passam a ser para "este". Aceitam dar aparência de legalidade à aplicação de um instrumento correto, para uma causa política espúria.   

O significado da categoria "golpe de Estado" não é o mesmo através dos tempos. Os sujeitos do "golpe" variaram e os motivos, evidentemente, também. Mas o que permaneceu invariável foi que o golpe é sempre realizado por "órgãos do Estado", que ele constrói um novo direito ou reconstrói o direito vigente e, quando existe uma soberania mínima do Poder Judiciário, esta é flexionada para legitimá-lo. Ou esta soberania é destruída por atos de força, para dar lugar a um poder supremo novo, que tanto pode ser um mero cúmplice da força do novo grupo dirigente ou pode ser seu aliado incondicional.

Embora na origem dos estudos sobre o golpe de Estado, estivesse lá a visão de que ele sempre reforçaria o poder do próprio soberano, no constitucionalismo moderno o termo vai ficando cada vez mais preciso. Passa a ser vinculado a mudanças violentas, para atacar de forma deliberada as formas constitucionais, "por um Governo, por uma assembleia ou um grupo de pessoas que detém a autoridade" (Larousse). Foi golpe de Estado, por exemplo, o de Luis Bonaparte (1851), quando este liquidou a Segunda República - da qual ele era Presidente - proclamando-se o novo Imperador da França. Foram golpes de Estado, de "esquerda", aqui na América latina na década de 70, os comandados pelo General Alvarado, no Peru. e pelo general Juan José Torres, na Bolívia. Eram, também, atalhos para buscar a democracia social, que não deram certo. Mas eram golpes.

Na segunda metade do Século passado, na América Latina e na África, sucederam-se golpes de Estado, de caráter tipicamente militar, tendo à frente as Forças Armadas e as Forças da Polícia, estamentos mais organizados dos jovens Estados Nacionais, ou daqueles Estados com experiências constitucionais mais débeis. Eram as forças da burocracia estatal mais organizadas, que garantiam inclusive a existência de governos nacionais, com ou sem legitimidade política. O que parece, neste momento, é que os golpes de Estado na América Latina passam por um processo de "suavização" institucional, sem ação militar específica, destinada a apropriar-se do poder, mas como o mesmo objetivo e por outros atores: a busca do poder, de forma paralela às normas constitucionais.

No Brasil, há mais um detalhe, que faz a situação do nosso golpismo mais atípico: enquanto no Paraguai, as forças que golpearam o Presidente Lugo eram forças politicamente oposicionistas e no Peru, de Fujimori, ocorreu um golpe processual - sem mudanças de Governo - hiper-reforçando o poder pessoal dele e do seu grupo político, aqui no Brasil o golpe se processa por deslocamento de forças governistas. São as mais comprometidas nos processos de corrupção, que constituem uma nova hegemonia no campo oposicionista, com um impulso significativo por uma parte do Poder Judiciário, que tem permitido, até agora,  que o processo seja conduzido por um Presidente de Legislativo, processado por corrupção.

Temos, portanto, Min. Celso de Mello - se é que Vossa Excelência não sabe -  os golpes de Estado que surgiram na juventude do Estado Moderno (ainda não plenamente democrático);  os golpes de Estado de caráter militar (mais recentes); e os golpes pós-modernos, que  obrigaram um dos chefes das Forças Armadas fazer a observação mais jurídica e constitucional - promovida até agora -  pelos poderes reais do país. Disse o General Villas-Boas, algo como: "não existe intervenção militar na política, que seja constitucional; nos pautamos pela legalidade, pela legitimidade, pela estabilidade do país: a crise é ética, política e econômica, e deve ser resolvida pelos políticos, por meios políticos". Não é um "meio político", derrubar uma Presidenta com 54 milhões de votos, para colocar no Governo a pior "troupe" de oportunistas, que até ontem estavam usufruindo dos piores equívocos, do próprio Governo que querem depor.

Número de suicídios nos EUA é o mais alto em 30 anos


http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2016/04/1763764-numero-de-suicidios-nos-estados-unidos-e-o-mais-alto-em-30-anos.shtml




Folha.com, 22/04/16


Número de suicídios nos Estados Unidos é o mais alto em 30 anos



SABRINA TAVERNISE
DO "NEW YORK TIMES"



De acordo com uma análise de dados federais, o suicídio nos Estados Unidos subiu para seu nível mais elevado em quase 30 anos, e sua incidência cresceu entre todas as faixas etárias exceto os adultos mais velhos.
 
O crescimento foi especialmente pronunciado entre as mulheres. Também foi substancial entre os norte-americanos de meia-idade, o que é um sinal de profunda angústia para uma categoria na qual o índice de suicídios vinha estável ou em queda desde os anos 1950.
 
O número de suicídios entre as mulheres de meia-idade dos 45 aos 64 anos subiu em 63% no período do estudo, e entre os homens dessa faixa etária subiu em 43%, o que representa a maior alta para os homens entre todas as faixas etárias. O índice geral de suicídios subiu em 24% entre 1999 e 2014, de acordo com o Centro Nacional de Estatísticas da Saúde norte-americano, que divulgou o estudo na sexta-feira.

A elevação foi tão pronunciada que conduziu a incidência de suicídios no país a 13 por cem mil pessoas, a mais alta desde 1986. De 2006 para cá, o índice vem crescendo em 2% ao ano, uma elevação duas vezes maior do que a registrada no período anterior do estudo. No total 42.773 pessoas se suicidaram em 2014, ante 29.199 em 1999.

"É verdadeiramente espantoso ver tamanha elevação nos índices de suicídio em virtualmente todas as faixas etárias", disse Katherine Hempstead, assessora sênior de serviços de saúde na Fundação Robert Wood Johnson, que identificou um vínculo entre suicídios na meia-idade e os crescentes índices de insatisfação no emprego e quanto às finanças pessoais.

Os pesquisadores também identificaram uma alta alarmante entre as meninas dos 10 aos 14 anos, uma faixa etária na qual a incidência de suicídios, embora ainda muito baixa, triplicou. O número de meninas dessa faixa de idade que se suicidaram subiu de 50 em 1999 a 150 em 2014. "É uma categoria que claramente se destacou", disse Sally Curtin, pesquisadora de estatística do centro e autora do relatório.
 
Os indígenas dos Estados Unidos registraram a maior alta entre os grupos raciais e étnicos, com 89% mais suicídios entre as mulheres e 38% entre os homens. As mulheres brancas de meia-idade registraram 80% de elevação no número de suicídios.
 
O índice só caiu para um grupo étnico: os homens negros. E só para uma faixa etária: os homens e mulheres com mais de 75 anos de idade.

A análise de dados oferece novas provas de sofrimento entre os norte-americanos brancos. Pesquisas recentes indicaram os problemas dos brancos com nível educacional mais baixo, mostrando altas no número de mortes por overdose de drogas, suicídio, doenças do fígado, e envenenamento por álcool, especialmente entre as pessoas com nível de educação de segundo grau ou inferior.

O novo relatório não oferece uma divisão do número de suicídios por nível educacional, mas pesquisadores que revisaram os dados afirmam que os padrões de raça e idade são compatíveis com pesquisas recentes e pintam um quadro de desespero para muita gente na sociedade norte-americana.



​"Isso é parte de um padrão mais amplo de provas da conexão entre a pobreza, a desesperança e a saúde", disse Robert Putnam, professor de política pública na Universidade Harvard e autor de "Our Kids", uma investigação sobre as novas divisões de classes nos Estados Unidos.

A alta na incidência do suicídio aconteceu lentamente, ao longo de muitos anos. Os pesquisadores do setor federal de saúde dizem ter selecionado 1999 como data inicial do período para estudo porque representou um ponto baixo para o número de suicídios no país, e eles desejavam cobrir plenamente o período recente de elevação sustentada.

O mais recente relatório da agência federal de saúde sobre o suicídio, divulgado em 2013, apontava para elevação acentuada do suicídio na faixa etária dos 35 aos 64 anos. Mas houve elevação ainda maior de lá para cá – de 8% para a população como um todo, desde 2010, o ponto final do período do estudo anterior – e os pesquisadores federais dizem ter produzido o novo estudo para atrair atenção a esse ponto.

As autoridades norte-americanas dizem que os esforços de prevenção do suicídio são desordenados no país. Embora alguns hospitais e sistemas de saúde busquem sinais de pensamentos suicidas em seus pacientes, e ofereçam bons programas de tratamento, muitos outros não o fazem.

"Temos mais tratamentos e tratamentos mais efetivos, mas precisamos descobrir como incorporá-los aos sistemas de saúde para que sejam usados de modo mais automático", disse a Dra. Jane Pearson, presidente do Consórcio de Pesquisa do Suicídio, no Instituto Nacional da Saúde Mental norte-americano, que controla as verbas de pesquisa para a prevenção do suicídio. "Temos uma coisa aqui, outra ali, mas não as reunimos como deveríamos, até agora".

Ela aponta que embora as verbas dos Institutos Nacionais da Saúde para projetos de prevenção de suicídio tenham se mantido quase inalteradas – subiram de US$ 22 milhões em 2012 a US$ 25 milhões em 2016 –, elas representam apenas uma pequena fração das verbas para pesquisa de doenças mentais, que incluem distúrbios como a depressão.

A nova análise federal aponta que os métodos de suicídio estão mudando. Cerca de um quarto dos suicídios em 2014 envolveu sufocação, uma categoria que abarca enforcamento e estrangulação, ante menos de um quinto em 1999. As mortes por sufocação são mais difíceis de prevenir porque quase qualquer pessoa tem acesso aos meios, disse Hempstead. As mortes por disparo de arma de fogo caíram tanto entre os homens como entre as mulheres, no caso das mulheres de 37% para 31% dos suicídios, e no dos homens de 62% para 55%.

A disparidade na incidência de suicídios entre homens e mulheres se reduziu porque o número de suicídios vem crescendo mais rápido entre as mulheres do que entre os homens. Mas o número de homens que se suicidam ainda é 360% maior que o de mulheres. Ainda que o número de suicídios entre os adultos mais velhos tenha caído ao longo do período do estudo, os homens com mais de 75 anos ainda mostram a maior incidência de suicídio entre todas as faixas etárias – 38,8 por 100 mil em 2014, ante apenas quatro por 100 mil entre as mulheres da mesma faixa.


Tradução de PAULO MIGLIACCI

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Palhaços e circos publicam carta de repúdio ao Deputado Tiririca





​21 de abril de 2016


Palhaços e circos publicam carta de repúdio ao Deputado Tiririca


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​Ao Excelentíssimo Senhor Tiririca Deputado Federal

Senhor Deputado,

Nós, palhaças e palhaços profissionais, brasileiros e estrangeiros engajados na defesa da democracia do Brasil, manifestamos nossa mais completa insatisfação e repúdio em relação à postura e ao voto de V.Exa na votação do processo de impeachment do último domingo, 17 de abril de 2016.

Como o senhor bem sabe, nossa profissão se baseia, acima de tudo, na verdade e na honra com a qual o artista se dirige a seu público.

O que certamente nos diferencia do senhor, na atual situação de nosso país, é a coragem ética com a qual nós, ao contrário de V.Exa, lutamos pela consolidação da, ainda frágil, democracia brasileira.

Sabemos perfeitamente que, em nosso sistema constitucional, não se pode derrubar um governo simplesmente porque não se concorda com sua política. É preciso que se prove a existência de crime de responsabilidade. E tal noção de crime, forjada do dia para noite, em uma Câmara cujo presidente é investigado na operação Lava Jato, arranha consideravelmente a legitimidade de um processo que se pretende honesto.

V.Exa não quer, ou não tem interesse em observar esses fatos com isenção, honra e justiça. Daí nossa brutal e essencial diferença.

Portanto, deputado Tiririca, trocando em miúdos: no último domingo, lamentavelmente, o senhor não representou os palhaços e palhaças profissionais, envergonhando aqueles que buscam honrar o seu ofício de levar alegria ao povo brasileiro.

Assinam esta carta, as entidades circenses, os coletivos de circo e da palhaçaria e os artistas abaixo:

Cooperativa nacional de Circo
Cooperativa Paulista de Teatro
Hugo Possolo e Raul barretto
Parlapatões Patifes e Paspalhões – SP
Fernando sampaio - Cia. La mínima
 SPesio magalhães e tiche vianna
Barracão Teatro – SP – Campinas
fernando yamamoto - cLOWNS DE SHAKESPEARE – RN
Lily curcio - Seres DE LUZ – sp – cAMPINAS
dagoberto feliz e suzana aragão – folias d´arte – sp
Vera Abbud – As Graças - sp
VAL DE CARVALHO - Coletivo SampalhAças – SP
paulo federal - Casa 360 – Espaço de Arte e bem estar – sp
SILVIA LEBLON - NA Companhia dos anjos – sp – campinas
christiane paoli quito – professora da escola de arte dramática/eca-usp
bete dorgam – professora da escola de arte dramática/eca-usp
Angel Bonora Jorda - Espanha.
Angela de Castro – Inglaterra
Claudio Carneiro – Cirque du Soleil
Ivan Prado – PORTAVOZ INTERNACIONAL DE PALLASOS EM REBELDIA
Duo Finelli – EUA
giovanni foresti – oucloup - itália
Erin Leigh Crites – EUA
Daniela barros – RJ
ÂNGELO BRANDINI – SP
CHRISTIANE GALVAN -SP
VERA LUCIA RIBEIRO - aS MARIAS DAS GRAÇAS – RJ
eSTUDANTES DO INSTITUTO DE ARTES DA UNESP
Festival dos Inhamuns de Circo, Bonecos e Artes de Rua - CE
Circo Escola Lona da Maria – Ce – Itapipoca
MOVIMENTO POPULAR ESCAMBO LIVRE DE RUA - Brasil
ANEPS (Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular e Saúde) – SC
Ponto de Cultura Galpão da Cena de Itapipoca – ce
Associação de Artes Cênicas de Itapipoca -AARTI- Ce
CIRCO GUARACIABA – SP – SOROCABA
CIRCO KOSKOSWISK – SP - SOROCABA
Cia. Balé Baião – ce
Arte JUCÁ – ce
CERVANTES DO BRASIL – CE
Coletivo M´Boitata – MS – Dourados
paola mussati - cia. pelo cano – sp
lUCIANA vIACAVA - cia do ó - sp
Instituto hahaha – Mg
bando de palhaços - rj
lona bamba – sp
Dona Zefinha - ce
circo klenquen - SP
forças armadas - sp
circo di só ladies - sp
CIA. Cromossomos – SP
Circo do Asfalto – SP - São Bernardo do Campo
Coletivo Bassusseder - SP
Cia Vôos – Sp
Esquadrilha da risada - sp
Cia. da Reprise – sp
Exército contra nada – sp
clowbaret - sp
Cia. Maravilhas – PE
Cia. Humatriz - PE
Las cabaças – pará - brASIL
CIRCOVOLANTE - MG
Grupo Off-Sina - RJ
Cia do Solo - RJ
Núcleo Artístico Gema - RJ
Cia Theatro em Cena - MT
Companhia Cênica Ventura - RN
Grupo Teatral Nativos da Terra Rasgada – SP - sorocaba
Charanga Mutante - RJ
BANDO LA TRUPE- RN
CIA. CIRANDUÍS - Rn
CIA. ARTE E RISO DE UMARIZAL - rn
CIA ARTE VIVA DE SANTA CRUZ - rn
GRUPO CAFURINGA DE RECIFE - pe
MOVIMENTO CHÁ, CAFÉ, PROSEADO - rn
CENOPOESIA TRAK-TRAK - rn
Palhaço Gourmet – pr
Circo Rodado – prColetivo Miúdo – pr
CIRCOVOLANTE - Mg
PALHAÇO CUS-CUZ - JUNIO SANTOS - BRASIL
Cia. Gêmea - Mg
Coletivo VagaMundo - RS