segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Mídia: Dilma começa a acordar

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CartaCapital.com, 17/09/2012
 
 
Dilma começa a acordar
 
 
Por Leandro Fortes

 
Quando Dilma Rousseff se vestiu para ir à festa de aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, logo depois de assumir a Presidência, em 2011, eu fui um dos poucos a reagir publicamente na imprensa. Mesmo entre os blogueiros progressistas, lembro apenas de outra voz dissonante a reclamar da atitude servil da presidenta, a da historiadora Conceição Oliveira, do blog “Maria Frô”. De resto, o gesto foi forçosamente saudado como um ato de estadista, de representação formal do governo e do Estado brasileiro junto a uma “instituição” nacional, no caso, o conservador diário instalado na rua Barão de Limeira, na capital paulista. O mesmo diário que, meses antes, estampara uma ficha falsa de Dilma na primeira página, com o objetivo de demonizá-la como guerrilheira e assassina e, assim, eleger o candidato do jornal, José Serra, do PSDB.
Não é difícil compreender, contudo, o que pretendia Dilma ao aceitar fazer parte da noite de gala da família Frias. Terminada a Era Lula, a presidenta se viu na contingência de criar uma rede própria de relações na mídia, com quem imaginou ser possível firmar um acordo de civilidade. Lula, a seu tempo, também caiu nessa esparrela. Mas nem a experiência do governo anterior, nem as baixarias encampadas pela mídia na campanha de 2010, ao que parece, foram capazes de convencer Dilma da inutilidade desse movimento.
A mídia que aí está, protegida pelas cidadelas dos oligopólios e por uma adestrada bancada parlamentar de vários níveis, nunca irá se conciliar com um governo de cores populares, de ligações esquerdistas, mesmo esse esquerdismo envergonhado do PT. Essa mídia tem como única agenda a defesa do grande capital, do latifúndio e do liberalismo econômico predatório do mercado. É uma mídia constrangedoramente provinciana, mas absolutamente descolada da realidade brasileira, ignorante da força dos movimentos sociais e nutrida, cada vez mais, por jornalistas pinçados da mesma classe média que acostumou a paralisar pelo medo. E, em muitos casos, por experientes jornalistas cooptados pela perspectiva de visibilidade e uma aposentadoria tranquila, às favas com os escrúpulos, pois.
Dilma, por sua vez, protege-se dessa discussão por trás do escudo da “gerentona”, da presidenta voltada para a administração da infraestrutura e da saúde econômica do país. Pouca ou nenhuma atenção dá ao alvoroço golpista diuturnamente organizado, ainda que no modelo cucaracha mais do que manjado aqui consolidado no esqueminha Veja-Jornal Nacional-Folha-Estadão-Globo, com o suporte diário dos suspeitos de sempre plantados nas trocentas colunas de opinião a serviço do pensamento único ditado pela direita brasileira.
Foi preciso um tapa na cara dado, vejam vocês, pelo gentil Fernando Henrique Cardoso para Dilma Rousseff, enfim, esboçar uma reação – e, possivelmente, entender o que está se passando no país que existe além da calçada do Palácio do Planalto e das planilhas sobre evolução da base monetária. Resgatado temporariamente do esquecimento, FHC foi alçado ao patamar de boneco de ventríloquo para falar o que nem mesmo a mídia, em toda sua fúria conservadora, tinha tido coragem até então de por em palavras: Dilma seria vítima de uma “herança pesada” de Lula.
Isso vindo de um presidente que quebrou o país três vezes, submeteu a nação ao FMI, permitiu um apagão energético, foi reeleito graças à compra de votos no Congresso e deixou o cargo com a popularidade no rodapé.
Expor FHC ao ridículo e, ao mesmo tempo, incensá-lo com longos textos laudatórios faz parte de um paradoxo recorrente na imprensa brasileira, também descolada cada vez mais de um artigo de luxo: o jornalismo. A capa da Veja com Marcos Valério de Souza, vermelho como um pobre diabo, a acusar Lula é mais um movimento desesperado para interditar o ex-presidente, justamente quando ele trabalha para eleger candidatos do PT Brasil afora. O texto, baseado em frases atribuídas a Valério, ainda que viesse mesmo da boca do publicitário mineiro, é parte de mais um rito dessa polca golpista entoada por uma estrutura de comunicação viciada e moribunda.
O mais curioso, no entanto, é a revelação feita pela Folha de S.Paulo sobre os gastos oficiais de publicidade federal com essa mídia tão liberal e amante da livre iniciativa: as Organizações Globo ficam com um terço de todo o dinheiro do tesouro nacional disponível para propaganda; as dez maiores empresas do ramo, com 70%. Ou seja, são financiados para fazer panfletagem política de quinta categoria.
Sem essas tetas generosas do governo ao qual achincalham por encomenda, todas essas portentosas instituições da imprensa nacional e seus zelosos colunistas, estes, lacrimosos paladinos da liberdade da expressão e do livre mercado, iriam à bancarrota. Todas, sem exceção.
Na semana passada, Dilma cancelou de última hora a presença em um evento da revista Exame, a quinzenal de economia da Editora Abril, em São Paulo. Alegou “motivos familiares”, mas já havia sido avisada da patranha da Veja. Mandou o ministro Guido Mantega, da Fazenda, em seu lugar. No meio do evento, Mantega se levantou e foi embora. No mesmo dia, instigada pelos donos, a cachorrada hidrofóbica instalada no esgoto da blogosfera se autoflagelou, histérica.
Já é um começo.

domingo, 16 de setembro de 2012

Otan mata ao menos oito mulheres civis durante bombardeio no Afeganistão

 
 
Jornal Correio do Brasil - Notícias online

 

Otan mata ao menos oito mulheres civis durante bombardeio no Afeganistão


16/9/2012 12:55, Por Redação, com BBC - de Cabul


Otan Mulheres feridas se recuperam no hospital de Laghman, após um bombardeio da Otan na região


A Otan reconheceu que entre cinco e oito civis morreram durante a sua ação que tinha como alvo insurgentes do Talebã. O caso está sendo investigado pela aliança militar.
O ataque aconteceu em uma remota região de Laghman, província no leste do país. As autoridades de Laghman confirmaram à BBC a morte de pelo menos oito mulheres, mas um integrante de um conselho político local disse que existe uma nona vítima.
O porta-voz da Otan, o militar Adam Wojack, disse à BBC que vários dos 45 insurgentes que eram alvos do bombardeio aéreo morreram.
- Infelizmente nós ficamos sabendo de possíveis fatalidades civis causadas pela Isaf [as forças internacionais] como resultado deste ataque, totalizando entre cinco e oito afegãos – disse.
- A Isaf oferece seus pêsames mais sinceros à comunidade afetada e aos familiares, assim como ao povo afegão em relação a esta perda trágica de vidas.
Pelo menos sete mulheres ficaram feridas. Uma autoridade de saúde local, Latif Qayumi, disse que meninas de até dez anos de idade estão entre os feridos.
O gabinete do governador de Laghman disse que algumas das civis mortas estavam nas montanhas juntando lenha e nozes, uma prática comum no vale do Noarlam Saib, onde ocorreu o ataque.
A região montanhosa e com densas florestas atraiu o Talebã, que se esconde na área. A morte de civis acontece em meio a tensões entre os Estados Unidos e o presidente afegão, Hamid Karzai, sobre o tema.
No mês passado, dados da ONU indicavam que houve uma queda de 15% no número de civis mortos e feridos no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2011.
Policiais contra soldados
Também neste domingo, quatro soldados americanos foram mortos em ataques atribuídos a policiais afegãos. Este atentado na província de Zabul, no sul do país, elevou para 51 o número de soldados da Otan mortos por pessoas que trabalham para as forças de segurança afegãs.
No sábado, dois britânicos haviam sido mortos em um incidente semelhante. A Isaf ainda investiga o caso para tentar entender se os agressores eram de fato policiais, ou apenas insurgentes com uniformes.
Há suspeitas de que se trata de políciais de verdade, já que quatro oficiais afegãos desapareceram da base onde aconteceu o ataque.
A Otan revelou mais dados sobre o ataque da noite de sexta-feira a Camp Bastion, uma de suas bases de maior segurança, na província de Helmand. Na ocasião, dois fuzileiros navais americanos morreram.
A Otan disse que seis aeronaves US Harrier, três postos de reabastecimento e seis hangares foram destruídos. Quatorze insurgentes morreram no ataque, e um deles sobreviveu e está preso. Nove pessoas da coalizão de forças internacionais ficaram feridas.
A Otan disse que o ataque foi feito por pessoas que “pareciam estar bem equipadas, treinadas e ensaiadas”.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Nada é pior para o capitalismo do que a paz

 
 
Jornal do Brasil, 14/09/2012
 
 
É hora de desarmar Deus
 

Por Mauro Santayana

O grande problema de Deus é que não o conhecemos senão na mente e no coração dos homens. E os homens constroem a sua fé com a frágil experiência de seus limitados sentidos, suficientes apenas para o trânsito no mundo em que vivemos. Os olhos podem crescer nos telescópios e ir ao fundo dos universos, ou na perscrutação das moléculas e átomos, mas isso é pouco para encontrar Deus, e menos ainda para construí-lo.

Sendo assim, e desde que há comunidades políticas, o monoteísmo tem servido para identificar ou acerbar as razões ou desrazões nacionais.

O Ocidente judaico-cristão não assimilou a chamada terceira revelação, a de Maomé, embora ela não tenha significado nenhuma apostasia essencial ao hebraísmo. O problema se tornou político, com a expansão dos povos árabes pelo norte da África e a invasão da Península Ibérica. Os islamitas sempre toleraram os cultos judaicos e cristãos nas áreas sob sua jurisdição política, mas a política recomendava aos reis cristãos a expulsão dos árabes da Europa e a guerra, continuada, fosse para contê-los, fosse para fazê-los retroceder ou para eliminá-los.

As cruzadas ainda não acabaram, e se tornaram menos românticas e mais cruéis por causa do petróleo.

Agora, um filme de baixa qualidade técnica e artística – conforme a opinião de especialistas – traz novo comburente às velhas chamas. Sem nenhum fundamento histórico, um fanático israelita (é o que se sabe) produz película eivada de insultos e ódio contra o fundador do islamismo, como se Maomé tivesse sido o mais infame e desprezível personagem da História. Como o filme foi produzido nos Estados Unidos, a reação imediata foi contra as representações diplomáticas nos países islâmicos. Essa reação, que culminou com a morte do embaixador norte-americano na Líbia, ainda não se encontra contida, e é provável que ainda se agrave, apesar das declarações do governo norte-americano, que busca distanciar-se dos insultos.

Os republicanos, em plena campanha eleitoral, devem ter exultado. A morte do Embaixador (asfixiado no incêndio do Consulado em Benghazi) pode ter sido uma baixa para os seus quadros, mas representa um trunfo contra Obama: sua política não tem conseguido dar segurança absoluta aos cidadãos norte-americanos. É essa a mensagem de Romney ao eleitorado dos Estados Unidos. A resposta de Obama, enviando dois destróieres à Líbia, não foi a melhor para reduzir as tensões; ela pode intensificá-las.

O que o governo de Washington e os republicanos não dizem é que o apoio, incondicional, aos radicais de Israel, que pregam abertamente a eliminação dos muçulmanos do mundo — assim como os nazistas desejavam a eliminação de todos os judeus – estimulam os insultos infamantes ao Islã e a resposta espontânea e violenta dos fanáticos do outro lado contra aqueles a quem atribuem a responsabilidade maior: os norte-americanos. E há ainda a hipótese, tenebrosa, mas provável, diante dos precedentes históricos, de que as manifestações tenham partido de agentes provocadores dos próprios serviços ocidentais – ou israelistas, o que dá no mesmo.

A mentira de Blair e Bush – dois homens que o bispo Tutu, da África do Sul, quer ver no banco dos réus em Haia – custou centenas de milhares de civis mortos no Iraque e no Afeganistão, e muitos milhares de jovens norte-americanos mortos, feridos, enlouquecidos nos combates inúteis. Nada é pior para os capitalistas do que a paz – e nada melhor do que a guerra, que sempre os enriquece mais, e na qual só os pobres morrem.
 
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Jornal do Brasil, 13/09/2012

Embaixadas dos EUA e de aliados são alvo de mais protestos de muçulmanos

Agência Brasil


As capitais do Egito, do Iêmen e do Irã – todos países muçulmanos – amanheceram hoje (13) em clima de tensão, pois manifestantes protestam em frente às embaixadas dos Estados Unidos e aliados dos norte-americanos nesses locais. No Cairo, capital egípcia, os policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.
Em Teerã, capital iraniana, cerca de 500 pessoas ocuparam uma área perto da Embaixada da Suíça, enquanto no Iêmen a representação diplomática norte-americana foi ocupada por manifestantes. Em todos os locais, as reações ocorreram por causa da divulgação de um filme, produzido por norte-americanos, considerado ofensivo ao profeta Maomé e ao islamismo.
Os protestos ocorrem um dia depois de os Estados Unidos reforçarem a segurança em todas as embaixadas e consulados no exterior, após a morte do embaixador americano na Líbia, John Christopher Stevens, e mais três funcionários durante um ataque de manifestantes. As autoridades norte-americanas condenaram o ataque e também os protestos.
No Egito, 13 pessoas ficaram feridas apenas no protesto de hoje que começou de madrugada. Os manifestantes, segundo as autoridades, atiraram pedras e garrafas com explosivos contra os policiais. A área onde fica a Embaixada dos Estados Unidos foi cercada por carros policiais. Ontem (12), o governo egípcio apelou para a população se conter.
No Irã, os manifestantes foram convocados por uma associação de estudantes. Com exemplares do Corão e cartazes com a fotografia do guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, os manifestantes gritaram: “Morte à América e Morte a Israel”.
No Iêmen, os manifestantes ocuparam a embaixada norte-americana, mas a polícia conseguiu retirar os funcionários do local. Antes de entrar na embaixada, os manifestantes protestaram retirando a placa que identificava as instalações diplomáticas e queimaram pneus. Fuzileiros norte-americanos atiraram para o ar na tentativa de dispersar os manifestantes, e a polícia iemenita lançou bombas de gás lacrimogêneo e usou canhões de água para dispersar os manifestantes.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Prostitutas contratadas para as reuniões de “motivação” da equipe da AMBEV

UOL,13/09/2012

"Me sentia um lixo", diz ex-vendedor obrigado pela Ambev a participar de eventos com prostitutas


Rafael Moro Martins
Do UOL, em Curitiba


Imagem feita de telefone celular por um dos participantes foi anexada aos autos do processo

Imagem feita de telefone celular por um dos participantes foi anexada aos autos do processo
“Me sentia um lixo”, afirmou o microempresário Elcio Milczwski, 34, em entrevista exclusiva ao UOL, em Curitiba. Ele se refere aos anos em que trabalhou na Ambev de Curitiba e era obrigado a ver garotas de programa tirarem a roupa na sua frente, a esfregar óleo bronzeador no corpo delas e a assistir a filmes pornográficos em reuniões de “motivação” da equipe de vendas da qual fazia parte.
No início deste mês, a história ganhou manchetes em todo o país quanto o TST (Tribunal Superior do Trabalho) manteve condenação do TRT do Paraná à Ambev, que determinara que a empresa deverá pagar indenização de R$ 50 mil por conta de “assédio moral decorrente de constrangimento”.
Elcio entrou na Ambev em 2001, aos 23 anos. Já era casado. Seu trabalho era percorrer mercados, bares, restaurantes e outros pontos de vendas, munido de um computador de mão, e coletar pedidos de compra. A partir de 2003, as reuniões matinais promovidas pela gerência com a equipe de vendas –realizadas, usualmente, a partir das 7h da manhã– se tornaram pouco ortodoxas.
O gerente passou a levar garotas de programa como forma de motivar a equipe. Mas ninguém foi avisado de que isso ia acontecer, e uma vez lá dentro, não podia sair da sala. Éramos todos obrigados a passar óleo nas garotas, éramos empurrados contra elas. Quem se mostrava contrariado era alvo de zombaria. Para quem tivesse atingido a meta de vendas era prometido um vale-programa.”
Além de homens casados, havia também funcionárias na sala”, disse o advogado André Luiz Souza Vale, que defendeu Elcio no processo. Não é seu único cliente daquela turma. Pelo mesmo motivo, Souza Vale diz que tem outras duas dezenas de ações na Justiça trabalhista. “Uma delas já rendeu, em segunda instância, uma indenização de R$ 100 mil a um ex-supervisor de vendas, mas há recurso em trâmite no TST.”
Eu e muitos outros não queríamos estar ali, mas tínhamos de ficar. Eu tenho uma família para sustentar. Era meu trabalho. Mas sempre penso que seria mais simples, e melhor, se a Ambev oferecesse prêmios em dinheiro em vez de vales-programa


A ação

Em 2005, Elcio pediu pela primeira vez para ser demitido pela Ambev. “Como a empresa tinha uma política que limitava o número de demissões de vendedores, não era possível.” A saída era pedir demissão, mas aí a saída renderia menos.
“O jeito foi aguentar.” Elcio finalmente conseguiu que a empresa o mandasse embora em julho de 2007. “Foram dois anos pedindo para ser demitido.” Até seus últimos dias na empresa, as reuniões de motivação com garotas de programa se mantiveram, ainda que mais raras – o auge se deu entre 2003 e 2004.
“Não entrei com processo contra a Ambev por ser evangélico, como muitas reportagens chegaram a afirmar. De fato, sou evangélico, mas o que me fez ir à Justiça foi o que sofri lá dentro. Tanto que tenho colegas que não são evangélicos nem casados e também acionaram a empresa.”
“Eu e muitos outros não queríamos estar ali, mas tínhamos de ficar. Eu tenho uma família para sustentar. Era meu trabalho. Mas sempre penso que seria mais simples, e melhor, se a Ambev oferecesse prêmios em dinheiro, em vez de vales-programa, a quem atingisse metas de vendas”, disse Élcio, que há três anos toca uma casa de assados em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.
A Ambev não pratica ou tolera qualquer prática indevida com seus funcionários. Casos antigos e pontuais não refletem o dia a dia da empresa. O bom ambiente de trabalho é refletido pelos inúmeros prêmios de gestão de pessoas que a Ambev recebe a cada ano


Outro lado

Procurada pelo UOL, a Ambev manteve o mesmo posicionamento que assumiu quando a indenização a Elcio  Milczwski tornou-se pública, no início de setembro.
“Reconhecida por sua gestão, a Ambev prega o respeito e valoriza o trabalho em equipe. A companhia, que conta com mais de 30 mil funcionários no Brasil, não pratica ou tolera qualquer prática indevida com seus funcionários”, diz nota emitida pela empresa.
“Casos antigos e pontuais não refletem o dia a dia da empresa. O bom ambiente de trabalho é refletido pelos inúmeros prêmios de gestão de pessoas que a Ambev recebe a cada ano”.
A assessoria de imprensa não soube informar ao UOL, até o fechamento deste texto, se o diretor comercial e os gerentes citados por Elcio ainda trabalham na empresa, mas disse que certamente eles não estão mais na filial de Curitiba.

As “inovações” que geram polêmica no julgamento do “mensalão”

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As “inovações” que geram polêmica no julgamento do “mensalão”
 

Najla Passos


Brasília - Em curso há 40 dias, o julgamento da ação penal 470, o “mensalão”, tem provocado polêmica, em função de novas práticas metodológicas adotadas pelo Supremo Tribunal de Justiça (STF) e, principalmente, da forma diferenciada com que os ministros têm reinterpretado doutrinas até então tidas como pacificadas. Do fatiamento dos votos ao alargamento da abrangência dos crimes de colarinho branco, as mudanças em curso são expressivas.

Confira aqui o resumo das principais delas:

O não desmembramento
Pela lei, tem direito à prerrogativa do foro privilegiado no STF apenas políticos em cumprimento do mandato. No caso dos réus do “mensalão”, eram três. Mas o MPF denunciou 38 na ação que chegou à Corte máxima. E a Corte entendeu por bem julgá-los todos em conjunto, sob os holofotes da mídia. Já no caso do “mensalão do PSDB”, o desmembramento foi aceito e cada qual responderá na instância que lhe compete: o ex-governador Eduardo Azeredo no STF e os demais nas instâncias inferiores.

Fatiamento
A divisão do julgamento em blocos, proposta pelo relator Joaquim Barbosa e aceita pela maioria dos demais ministros, pode ser entendida como um meio mais fácil de construir a condenação dos reús. Ela segue a lógica da acusação, mas em uma ordem própria. O relator começou pelo capítulo 3º da denúncia, pulou para o 5º, voltou ao 4º e, na sequência, promete julgar o 6º, o 7º e o 8º, para só depois retornar ao 2º, que trata do núcleo político. Assim, ele decide quem é julgado primeiro e vai tecendo o ambiente necessário, com uso de indícios, presunções e meios de prova produzidos na fase de inquérito, para condenar os réus contra os quais não há provas judicializadas (produzidas dentro da instrução criminal, sob a fiscalização de magistrado). Esse método de valoração da prova, dando maior relevo àquela não judicializada, de fato, é algo que pode ser considerado como diferente no processo penal. Os ministros têm justificado essa forma de valoração da prova em razão da natureza dos delitos.

Indício e presunção como meio de prova
Antes, indício era um meio de prova de valor menor. Agora, ao lado do uso das presunções, foi utilizado como meio de prova suficiente para a condenação penal. A defesa desta tese foi enfatizada pelo ex-ministro Cezar Peluso, no último voto que proferiu antes da sua aposentadoria. Para ele, não há hierarquia entre as chamadas provas diretas e o indício. “O sistema processual, não só o processual penal, assevera que a eficácia do indício é a mesma da prova direta ou histórico-representativa”, disse.

Individualização das condutas
Como os réus são julgados em blocos, há casos em que a individualização das condutas fica prejudicada. Os advogados reclamam, por exemplo, que Marcos Valério e seus sócios são sempre condenados em conjunto, sem a devida análise da participação individual de cada um nos crimes em pauta. Há receio de que o modelo possa se perpetuar em outros blocos.

Corrupção ativa
Antes, era preciso comprovar um “ato de ofício” para condenar alguém por corrupção ativa, como alegado no julgamento da ação penal 307, que inocentou Collor de Mello. Neste novo modelo inaugurado no “mensalão”, entende-se comprovado o “ato de ofício” por meio da valoração de indícios e presunções. Nas palavras da ministra Rosa Weber, “nos delitos de poder, quanto maior o poder ostentado pelo criminoso, maior a facilidade de esconder o ilícito. Esquemas velados, distribuição de documentos, aliciamento de testemunhas. Disso decorre a maior elasticidade na admissão da prova de acusação”.

Corrupção passiva
A mudança diz respeito, segundo a defesa, principalmente, à destinação da vantagem recebida, antes tratada como pressuposto para configuração do crime. No “mensalão”, os ministros entenderam que não importa se os R$ 50 mil recebidos por João Paulo Cunha provinham de caixa dois do PT para pagar uma dívida de campanha ou se de suborno para favorecer as agências de Marcos Valério na licitação da Câmara. O fato dele tê-los recebido de uma agência de publicidade sem justificativa razoável, aliado ao contrato firmado pela agência poucos dias depois, foi suficiente para comprovar a corrupção passiva.

Peculato
No caso do crime de peculato, caiu a necessidade da comprovação de que os recursos desviados eram públicos: vários ministros destacaram que, mesmo que a integralidade dos recursos do Fundo Visanet fosse privada, o peculato estava configurado, porque eles foram desviados por um agente público no exercício da função pública: o ex-diretor de Marketing do BB, Henrique Pizzolato.

Lavagem de dinheiro
É a maior polêmica e continuará a ser discutida no próximo bloco, quando os ministros analisarão os saques feitos na boca do caixa. Pelo entendimento pacificado até antes do “mensalão”, a materialidade da lavagem de dinheiro pressupunha ao menos duas etapas: a prática de um crime antecedente e a conduta de ocultar ou dissimular o produto oriundo do ilícito penal anterior. A entrega dos recursos provenientes dos “empréstimos fictícios” do Banco Rural foi considerada lavagem, e não exaurimento do crime antecedente de gestão fraudulenta de instituição financeira.

Da mesma forma, e por apenas um voto de diferença, o saque do dinheiro na boca do caixa foi considerado lavagem, e não exaurimento do crime de corrupção. Para os advogados, esse novo entendimento superdimensionará o crime de lavagem, já que sempre que alguém cometer qualquer delito com resultados financeiros e os entregar a outro, incorrerá, automaticamente, nesta prática.