sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Brasil-EUA: A falta de vergonha na cara


http://www.maurosantayana.com/2015/11/brasil-eua-submissao-cooperacao-e.html




Blog do Santayana, 06/11/2015



Brasil-EUA: A submissão, a "cooperação" e a soberania

 
Por Mauro Santayana



A vocação para submissão de parcelas do Judiciário e da área de segurança brasileiras às autoridades norte-americanas é impressionante.

Como exemplo, temos a “colaboração” prestada pelo Ministério Público e pela Operação Lava Jato a procuradores norte-americanos que estão recolhendo provas contra a Petrobras e oferecendo acordos de delação premiada a presos brasileiros submetendo-se colonizada, e alegremente - nas barbas do Ministério da Justiça – às autoridades de um país estrangeiro, como se elas tivessem jurisdição em território nacional, em uma causa que envolve uma empresa de controle estatal que pertence não apenas aos seus “investidores” diretos, mas a todos os cidadãos brasileiros.

Depois, temos a romaria de procuradores e juízes aos EUA, para receber “homenagens” relacionadas a assuntos internos nacionais, e a recente presença de ministros da Suprema Corte em reuniões do Diálogo Interamericano - uma espécie de Foro de São Paulo às avessas - nos EUA. Já imaginaram um procurador norte-americano se deslocando para o Brasil para ser premiado por sua atuação, na investigação, digamos, de corrupção na General Motors, ou na AMTRAK, uma das maiores empresas estatais dos EUA - tradicionalmente deficitária - com mais de 20.000 funcionários, e presente nos 48 estados da Federação?

Como se não bastasse, agora, chega a vez do Rio de Janeiro tomar a iniciativa de anunciar a próxima abertura de um escritório da agência norte-americana de controle de drogas no Estado, a pretexto de prestar, às autoridades fluminenses, "consultoria" no combate ao tráfico e ao contrabando de armas.

Perguntar não ofende.

Considerando-se que as áreas de defesa e de relações internacionais são prerrogativa da União, e o fato de a agência norte-americana ser federal e não estadual, não seria o caso desses convênios e acordos passarem antes pelo crivo e aprovação do Itamaraty, do Ministério da Defesa, do Ministério da Justiça e da Comissão de Defesa e Relações Externas da Câmara dos Deputados?

Quando é que o Brasil vai começar a impedir ou a controlar as atividades de agentes norte-americanos de inteligência - espiões, leia-se, porque de outra coisa não se trata - em nosso território?

Essas áreas, tão solícitas em implorar o prestimoso “auxílio” norte-americano, e em aparecer nos Estados Unidos, em eventos mais "sociais" do que outra coisa, já ouviram ou conhecem o significado do termo reciprocidade, aplicado à  relação entre estados soberanos?

Já se imaginou a Polícia Federal brasileira abrindo um escritório nos EUA, para prestar "consultoria" à polícia nova-iorquina no combate ao tráfico de armas?

Isso nunca ocorreria, pelo simples fato de que a população, a imprensa, o Judiciário e o Congresso dos EUA não o aceitariam, porque, ao menos nesse aspecto, eles têm vergonha na cara.

Vergonha, em nosso lugar, com esse tipo de atitude, não é outra coisa que países latino-americanos - com exceção do México, cada vez mais um estado norte-americano - vão sentir ao saber dessa notícia.

Vergonha, em nosso lugar e não outro sentimento, é o que vão ter nossos parceiros do BRICS, ao saber dessa notícia, já que todo o mundo sabe como os EUA agem: primeiro abrem um escritório em uma determinada área, depois um monte de escritórios de "cooperação" em várias outras áreas, e, depois, dificilmente dão o fora, sem  criar problemas, a não ser que sejam derrotados e escorraçados, como ocorreu ao fim da guerra do Vietnam.

Ou alguém aqui imagina a Rússia, a Índia e a China convidando a polícia e os órgãos de inteligência norte-americanos a instalar escritórios e operar em seus respectivos territórios?

Não.

Eles não fazem isso, assim como não admitem que imbecis, em seus comentários de internet, em portais russos, indianos ou chineses, preguem a entrega de suas empresas ou de seu país aos EUA, ou encaminhem petições de intervenção à Casa Branca, como comumente ocorre, nestes tempos vergonhosos que vivemos, em portais e sites brasileiros.

Talvez por isso, a Rússia, a China e a Índia, sejam potências espaciais, militares e atômicas, enquanto nós estamos  nos transformando,  cada vez mais, em um ridículo simulacro de província norte-americana, apesar de sermos, com mais de 250 bilhões de dólares emprestados, o terceiro maior credor individual externo dos EUA.

Em tempo: em sua comunicação com a imprensa, o governo do Rio de Janeiro conclui dizendo que não pode dizer quando vai começar a operar o escritório norte-americano em território fluminense.

O anúncio oficial da instalação não será feito por nenhuma autoridade brasileira.

Ele será feito – incrível e absurdamente - como se estivesse ocorrendo em território norte-americano, pelo próprio governo dos EUA.

Nesta toada, conviria começar a pensar, com urgência, na realização de um plebiscito para a entrega do Brasil aos Estados Unidos.

Com isso, os bajuladores poderiam exercer seu amor aos gringos sem precisar de visto, ou de se deslocar para Miami ou Nova Iorque.

Aprenderíamos o inglês como primeira língua, sem necessidade de pagar as mensalidades do curso de idiomas.

E todos nós receberíamos em dólares, trabalhando e descansando quando Deus nos permitisse, já que nos EUA não existe sequer a obrigação de pagar férias remuneradas, por exemplo. 

A questão é saber, se, juntamente com as riquezas e o território brasileiros, os EUA, tão ciosos de sua nacionalidade - aceitariam receber, sob sua bandeira, a "estirpe" de invertebrados morais, hipócritas, entreguistas, submissos e antipatrióticos em que estamos nos transformando.

Homem feministo - o defensor


http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Direitos-Humanos/Homem-feministo-o-defensor/5/34920




Carta Maior, 06/11/2015



Homem feministo - o defensor


​
PorCamila Spósito​



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A pauta feminista ganhou notoriedade nos últimos dias nas redes sociais. Não por causa de um novo clip ou declaração de alguma celebridade – a movimentação partiu principalmente de disputas ideológicas em torno de um projeto de lei que visa restringir a venda da pílula do dia seguinte e da reação das mulheres à predação pedófila da imagem de uma menina na Tevê.

São discussões pautadas pela própria sociedade, de modo ativo, não apenas como comentários passivos aos que ocupam o spotlight. A liberdade da mulher é um tema que borbulha intensamente e tudo indica que essa fervença veio para ficar, muito mais do que um simples modismo.

Entre o machismo extremo reverberado principalmente por homens e aqueles que ignoram completamente o assunto, existem os que reconhecem a importância da pauta e querem ajudar. Geralmente são homens que se aproximam em alguma medida das ideias de esquerda, acostumados a protagonizar as campanhas e protestos que julgaram historicamente válidas e a terem as mulheres ao seu lado nessas lutas – ao seu lado, no máximo, nunca à sua frente.

Esse “costume” é justamente o que gera o desconforto com o movimento feminista entre esses homens bem intencionados. Pela primeira vez, eles veem a luta acontecer e sua opinião não é a mais importante em uma roda de discussão. Nem seu comentário é o mais curtido naquele post: ao contrário, seu comentário é por vezes rechaçado com algum grau de hostilidade.

E alguém que vive essa hostilidade sem entendê-la só pode reagir mal: “que mal educadas! Que ingratas! Estou querendo ajudar. Isso não está certo, não que EU seja contra, mas acho que a estratégia está errada”.

Pimba! Num passe de mágica, o homem bem intencionado deslegitimou o movimento feminista porque ele não se sente suficientemente contemplado no “diálogo” – e ele é uma parte importante da sociedade, não é? Ou elas querem falar sozinhas, ao vento?

Ele concorda com a pauta mas não concorda com a “forma” como ela é tocada e faz prognósticos de fracasso ao movimento feminista, caso ele não se atente ao seu alerta de dever de dialogar com o próprio opressor. Ou pior: se recusa a ouvir as feministas que não lhe concedem uma posição de “igualdade” nesse diálogo.

Ocorre que não concordar com a “forma”, neste caso, é não concordar com o próprio feminismo; ou, na melhor das hipóteses, não o entender – as mulheres feministas não querem (a sua) atenção e nem aprovação. Elas querem ser ouvidas na mesma posição privilegiada que os homens sempre tiveram: na condição de protagonistas, de únicas legitimadas a falar de uma coisa que só elas sofrem.
 

Quando o homem bem intencionado age em sua ânsia de ajudar sem considerar essa “forma” específica demandada pelas próprias mulheres, em vez de combater, ele só endossa o machismo. Como a recém-lançada música de Zezé de Camargo e Luciano, intitulada “O defensor”, na qual a mulher é representada mais uma vez como um ser frágil que vai ser resgatada da sua situação de violência doméstica.

No jogo dos sete erros do homem bem intencionado, o primeiro erro está fácil: a música é sobre uma mulher que apanha do marido? Negativo. Como o próprio nome diz, a música é sobre ele, (adivinhem?) o homem!! O Defensor, que vai acabar com todas as injustiças sociais e inclusive essa das quais essas feministas estão reclamando aí, a violência doméstica...

E o que ela traz de mensagem principal? Exorta que a mulher denuncie o seu agressor, mas não sem, logo em seguida, pedir, quase que mandando, em tom imperativo: “Deixa ele e vem morar comigo, DEIXA ELE E VEM MORAR COMIGO”. Não se trata de despertar na mulher a consciência de que ela não precisa ter um homem ao lado, ainda que dele apanhe – se trata apenas de achar um homem melhor.

Tenho certeza de que nem os compositores (Marco Aurélio e Fred Liel) e nem os músicos quiseram prejudicar as mulheres. Na cabeça deles, eles estão fazendo o melhor que podem – defendendo, incentivando a não se conformarem com uma situação de violência, estendendo a mão em auxílio às mulheres.

Como diz o ditado das nossas avós: “de boas intenções, o inferno está cheio”. A postura de um homem em relação ao movimento feminista deve ser a de um abre alas: como dizia Chiquinha Gonzaga, nós queremos passar. Não queremos ser puxadas.
 

Não nos levem a mal – ficamos felizes quando os homens se mostram abertos e receptivos à pauta feminista. Achamos muito construtivo e realmente legal quando vocês discutem entre si com tônicas libertárias e afirmativas sobre a gente. As mulheres héteros querem um homem que não bata nelas e que as apoiem na denúncia à delegacia das mulheres quando isso acontecer.

Mas quem vai receber os créditos por esse “salvamento” somos nós mesmas. Quem vai escrever as letras de música, os textos, de preferência, somos nós também – se vocês quiserem colaborar, vocês devem perguntar a nós, feministas, o que achamos. Porque só nós podemos dizer o que e como um homem deve se portar para que nos sintamos verdadeiramente livres.
 

Em um espaço público, fóruns de discussão, redes sociais, reuniões do partido, mesas de bar e etc., colocar o homem em posição de igualdade para o diálogo sobre o feminismo, além de gerar ações que mais perpetuam o machismo do que contribuem com a causa, é a mesma coisa que colocar uma pessoa com um megafone no meio de uma roda de pessoas que contam apenas com a própria voz: injusto. Opressor. A voz de vocês ainda é mais forte, mais ouvida, mais considerada e valorizada. Ela nos silencia quando fala por nós, mesmo quando falando de nós.


*Camila Spósito é advogada, integrante do Coletivo Dandara da Faculdade de Direito da USP, graduada e mestranda pela mesma instituição.​

Lydia Litvyak, a caçadora de aviões nazistas

http://airway.uol.com.br/lydia-litvyak-a-cacadora-de-avioes-nazistas/




Airway, 06/11/2015



Lydia Litvyak, a caçadora de aviões nazistas


 
Por Thiago Vinholes



No dia 13 de setembro de 1942, uma esquadrilha de bombardeiros alemães Junker Ju-88 surgiu sobre os céus de Stalingrado (atual Volgogrado, na Rússia) dispostos a destruir a cidade, que era a porta de entrada para a Alemanha invadir a antiga União Soviética (URSS), no que foram alguns dos episódios mais sangrentos da Segunda Guerra Mundial. Os pilotos da Luftwaffe (Força Aérea da Alemanha), que imaginavam ter pela frente uma missão fácil, se surpreenderam quando caças soviéticos Yakovlev Yak-1 se aproximaram atirando com suas metralhadoras e canhões para impedi-los de lançarem suas bombas.

Mas os Ju-88 não estavam sozinhos. Os bombardeiros eram escoltados pelos temíveis caças Messerschmitt Bf 109. Ao ver um dos Junkers em chamas abatido por um avião soviético, o piloto alemão Sargento Erwin Maier, já um Ás condecorado com 11 vitórias aéreas, decidiu perseguir o líder daquela esquadrilha soviética.

Ao engajar o Yak-1, o alemão notou que aquele piloto russo era bem agressivo e nem de longe era um novato. Da posição de ataque com seu Bf 109, Maier subitamente foi surpreendido com uma manobra brusca de seu inimigo, que conseguiu se posicionar em sua traseira, virando o jogo. Agora perseguido pelo Yak, o avião alemão foi atingido e incendiado por tiros de canhão de 20 mm e o piloto alemão teve de saltar de paraquedas.

Ao ser capturado em solo pelas tropas soviéticas, o sargento Maier pediu para conhecer o piloto que o havia derrotado. Quando se encontraram ele riu, achou que se tratava de alguma brincadeira, até o piloto russo descrever em detalhes como foi o combate entre ambos. Neste momento o Erwin Maier descobriu que havia sido derrubado por uma mulher, a comandante Lydia Litvyak.

A aviadora soviética combateu os nazista com os caças Yakovlev​

Rosa de Estalingrado

Lydia nasceu em Moscou no dia 18 de agosto de 1921 e sua paixão pelos aviões surgiu ainda na infância. Com 14 anos ingressou na escola de aviação de um aeroclube da capital e dois anos depois já havia conseguido sua licença de “piloto esportivo” e em 1939 se tornou instrutora de voo.

Quando a Alemanha iniciou a invasão da URSS, em junho de 1941, Lydia se voluntariou para a unidade de aviação militar. No entanto, acabou rejeitada por não ter horas de voo suficiente. A aviadora então decidiu falsificar seus registros de voo e acresceu mais 100 horas a tabela. Desta forma acabou aceita no recém-formado regimento exclusivo para mulheres, formado por Marina Raskova, navegadora aérea com vasta experiência militar.

Agora no meio militar, Lydia iniciou seus treinamentos com o caça Yak-1. Após um ano e meio de instruções, a aviadora estava pronta para entrar em combate. Em setembro de 1942, a piloto foi enviada a frente batalha em Estalingrado, que era palco de um violento combate entre os soldados nazistas e o “Exército Vermelho”.

E naquele mesmo mês, no dia 13, a aviadora já conseguiu suas primeiras vitórias aéreas conta a Luftwaffe. Em uma única surtida, Lydia conseguiu um “Double Kill”, derrubando um bombardeiro Ju-88 e um caça Bf 109, pilotado pelo Sargento Erwin Maier. Era apenas a sua terceira missão de combate na carreira.

Ao final daquele mês, a aviadora soviética derrubou mais um caça e um bombardeiro, além de compartilhar outra vitória com um colega.

Com quatro vitórias em um mês, Lydia entrou para o grupo de elite de pilotos soviéticos e foi transferida para o 9º Regimento de Caças da Guarda, onde haviam somente homens. A piloto voltaria aos combates somente em fevereiro de 1942, derrubando mais três aviões até receber sua primeira condecoração, a Estrela Vermelha, e foi promovida a sub-tenente.

Nessa época, pilotos costumavam carregar amuletos, como pés de coelho e outros trevos de quatro folhas. Já Lydia pintou em seu avião uma flor de lírio, que acabou confundida com uma rosa branca, detalhe que rendeu a aviadora russa o apelido “Rosa de Stalingrado”.


Caçadora livre

Após a vitória da URSS na Batalha de Stalingrado, Lydia passou a atuar como “caçadora livre”, voando sem ordens específicas e com autorização para abrir fogo contra qualquer avião ou veículo alemão.
Atuando nessa nova função, a aviadora abateu mais caças e bombardeiros, além de um balão de observação que orientava as posições de artilharia alemã. Foi também uma época muito perigosa. Lydia foi abatida e ferida duas vezes (em 22 de março e 16 de julho de 1943) e em ambas ocasiões conseguiu realizar pousos de emergência em campos abertos.

Em 1943, Lydia se casou com o também piloto russo Aleksey Solomatin, mas a união durou pouco meses. O marido da aviadora morreu durante um treinamento naquele mesmo ano. A partir desse momento, segundo relatos, a piloto passou a combater em estado de fúria, realizando ataques extremamente perigosos e violentos, muitas vezes exagerando nos disparos contra os inimigos, que eram alvejados mesmo após já estarem em chamas no ar.


Última missão

O dia 1 de agosto de 1943 foi longo para Lydia. A Batalha de Kursk presseguia com toda intensidade e a aviadora se voluntariou para quatro missões nesse dia, na qual deveria escoltar com seu Yak-1 os bombardeiros soviéticos Ilyishin IL-2. No quarto raid, a esquadrilha da aviadora foi atacada de surpresa por caças alemães, que se aproximaram da formação quase invisíveis, voando de costas para o sol, que ofuscava a visão dos pilotos soviéticos.

O avião de Lydia recebeu um ataque frontal efetuado por quatro caças alemães e entrou em chamas. Seus companheiros disseram ter visto seu avião caindo, mas não conseguiram encontrar nenhum paraquedas. Após várias tentativas de localizar a piloto, as buscas terminaram e ela foi declarada desaparecida. Durante muitos anos, os soviéticos suspeitaram que a aviadora fora feita prisoneira pelos nazistas. Mas não foi isso que aconteceu…

A solução para o mistério sobre o desaparecimento de Lydia Litvyak foi esclarecido somente em 1979, quando o corpo da aviadora foi finalmente encontrado em Donestk, na Ucrânia, próximo ao local onde seu avião caiu. Além dos restos mortais da aviadora, que pereceu decorrente de um ferimento da cabeça, a história sobre seus últimos momentos também foi descoberta.

Mesmo ferida e com o avião avariado, Lydia conseguiu pousar mais uma vez de barriga sobre um campo. A piloto chegou a sair da cabine, mas acabou morrendo nas asas do avião, como foi encontrada pelos locais, que temendo que seu corpo fosse violado pelos alemães decidiram enterrá-la ali mesmo. O Yak-1 da aviadora, por outro lado, nunca foi encontrado – a hipótese mais aceita é de que o avião tenha sido desmontado e saqueado por caçadores de lembranças ou sucata.

Em seus pouco mais de dois anos de carreira militar, Lydia Litvyak abateu 12 aviões alemães e compartilhou outras quatro vitórias com seus colegas. Em 1990, o então presidente da URSS, Mikhail Gorbachev, concedeu postumamente a Lydia a medalha de ouro de Heroína da União Soviética. Quando morreu, Lydia estava prestes a completar 22 anos de idade.

O que realmente entrou em crise?

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/2015/11/1702707-o-que-realmente-entrou-em-crise.shtml



Folha.com, 06/11/2015



O que realmente entrou em crise?


Por Vladimir Safatle



Dentro da narrativa hegemônica construída para explicar a crise brasileira encontra-se a tentativa de afirmar que o grande vilão é o Estado. Conta-se, em todos os meandros dos cadernos de economia dos jornais e na boca de seus analistas, que o primeiro governo Dilma teria "feições estatistas e intervencionistas" responsáveis pelo descalabro final das contas públicas e orçamentos com previsão de deficit. A crise que hoje vivemos seria assim a prova do fracasso gerencial do capitalismo de Estado brasileiro, não restando outra coisa do que aceitar, de vez, a boa e sã cartilha do liberalismo.

Há, no entanto, várias ilusões de ótica neste raciocínio.
 
Primeiro, chamar o governo Dilma de estatista e intervencionista é dificilmente defensável. Até onde consta nos anais destes últimos anos, seu governo privatizou (com o estratagema da "privatização branca" das concessões) aeroportos, rodovias, portos e ferrovias. Ele ainda abriu a exploração do pré-sal para empresas estrangeiras, entregando 60% da maior reserva de petróleo da camada salina para quatro empresas estrangeiras e contrariando, com isto (para variar), promessas de campanha.

Acrescente ao bolo uma política de desoneração e redução de impostos que produziu uma renúncia fiscal de R$ 327,16 bilhões entre 2011 e 2015. Gostaria de saber em que lugar do mundo um conjunto de políticas desta natureza seria chamado de estatista e intervencionista.

Na verdade, este debate procura esconder o que realmente entrou em crise atualmente.
 
A dicotomia liberalismo X estatismo que parece comandar boa parte do nosso debate é uma falácia. O capitalismo nunca foi liberal. Ele simplesmente oscila em sua história, respondendo a pressões de conflitos sociais e da força de interesses setoriais sobre como regular e mediar demandas.
 
Não lembro de nenhum destes economistas com Adam Smith no coração reclamar de o governo norte-americano, em plena crise de 2008, usar dinheiro público para salvar bancos privados como o Citibank. Também não consta que algum deles tenha reclamado da Comunidade Europeia despejar dinheiro público em seu combalido sistema financeiro, permitindo que tal dinheiro fosse usado até para pagar "stock options" de executivos cujo maior feito de suas capacidades gerenciais fora quebrar bancos. O que não é de se estranhar, já que a questão liberal nunca foi "como diminuir o Estado", mas "como privatizar o Estado, colocando-o a serviço dos interesses dos empresariados nacionais ou da classe de financistas".

Nós já vimos isto ocorrer milhares de vezes em terras brasileiras. Basta lembrar como o "liberal" governo FHC usou dinheiro do contribuinte para salvar bancos falidos através do Proer. Ou, se quisermos ser mais estruturais, basta se perguntar sobre a origem da dívida pública brasileira, cuja parte substancial é resultado da transformação de dívidas privadas de empresas e bancos em dívidas públicas.

Quer dizer, no capitalismo, o Estado sempre intervém. A única questão real é: "A favor de quem?".

Neste sentido, mais honesto seria lembrar que o modelo em crise atualmente no Brasil é outro.
 
O que entrou em crise foi a crença de ser possível "gerenciar" o capitalismo brasileiro com ajustes pontuais que permitiriam recuperar um modelo de "pacto no interior do Estado" entre empresários, sistema financeiro e sindicatos. Modelo cujas raízes encontram-se no sistema de equilíbrio de moldes getulistas.
 
Se a bomba explodiu na mão da esquerda nacional é por seus setores hegemônicos terem acreditado que era seu destino ressuscitar tal modelo, com direito até a foto com mão suja de petróleo em poço da Petrobras. Melhor teria sido escapar da falsa dicotomia entre capitalismo estatista e capitalismo liberal.

Nestes últimos meses, o Banco Itaú anunciou o maior lucro líquido na sua história entre abril e junho, a saber: R$ 5,9 bilhões só em um trimestre. Cifra praticamente igual ao seu lucro do terceiro trimestre. O Bradesco teve R$ 4,12 bilhões de lucro líquido no terceiro trimestre.

 Quem quiser entender a crise brasileira deveria se perguntar como um país com economia em contração pode ter lucros bancários tão exorbitantes.
 
Longe de um contradição, temos atualmente uma relação de causalidade necessária. Pois não é difícil perceber quem realmente comanda o Estado.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Dois novos livros revelam outro Vaticano

http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/A-velha-guarda-do-Vaticano-ainda-resiste-as-mudancas-que-o-Papa-Francisco-tenta-impor/6/34911




Carta Maior, 05/11/2015

 

A velha guarda do Vaticano ainda resiste às mudanças que o Papa Francisco tenta impor


 
​PorPhilip Pullella, do Vaticano, para Reuters

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​As livrarias da Europa receberão neste fim de ano dois novos livros de jornalistas italianos relatando um outro Vaticano, o que as notícias não mostram: uma instituição assolada pelas más administrações, pela cobiça, pelo amiguismo e pela corrupção, onde a agenda de reformas do papa Francisco ainda precisa enfrentar uma dura resistência de parte dos cardeais da velha guarda.

Os livros 'Merchants in the Temple' ('Vendilhões do Templo'), de Gianluigi Nuzzi, e 'Avarizia' ('Avareza'), de Emiliano Fittipaldi, chegam às lojas da Itália nesta quarta-feira, e já vem sendo fortemente criticados no Vaticano. Na segunda-feira, a Santa Sé divulgou um comunicado dizendo que os livros “geram interpretações confusas, parciais e tendenciosas”. O mesmo comunicado anunciou também a prisão de dois membros da comissão que o sumo pontífice criou para estudar as reformas financeiras. Os dois homens, incluindo um religioso de alta influência dentro da Igreja, foram detidos por suspeitas de vazamento de documentos confidenciais aos autores dos livros.

Um de momentos mais importantes do 'Merchants in the Temple', o livro de Nuzzi, ao qual a Reuters teve acesso antes de sua publicação, é a transcrição de uma gravação do Papa numa reunião, em julho de 2013, quatro meses depois de sua eleição, na qual ele se queixa aos altos cardeais do Vaticano sobre as finanças turvas da instituição. “Temos que esclarecer da melhor forma as finanças da Santa Sé, e torná-las mais transparentes”, diz Francisco na gravação, a que, segundo o autor foi realizada em segredo por alguém que participou da reunião.

“C-l-a-r-i-d-a-d-e. Isso é o que se faz nas companhias mais humildes, e nós devemos fazê-lo também”, disse o santo padre, agregando que “não é um exagero dizer que a maioria dos nossos custos está fora de controle”.


Nuzzi ganhou fama no mundo literário em 2012, com o livro 'Sua Santità', que se baseou, em grande parte, nos documentos vazados por Paolo Gabriele, o mordomo do ex-papa Bento XVI. Na época, o escândalo que foi chamado de Vatileaks levou o mordomo à prisão e gerou uma grande repercussão a nível mundial, o que, segundo analistas, teria contribuído para a decisão do então papa de renunciar – o que ele anunciou no ano seguinte da publicação do livro.

Em 'Avarizia', que também se baseia em vazamentos, Fittipaldi denuncia um esquema que consiste no desvio de alguns dos recursos de uma fundação que administra um hospital infantil do Vaticano em Roma. Esses recursos foram usados, entre outras coisas, para pagar as prestações de um apartamento que pertence a um importante cardeal.
 


Tradução: Victor Farinelli​