quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Paralisia do Governo facilita golpismo




http://operamundi.uol.com.br/brenoaltman/2014/12/04/paralisia-governo-ajuda-golpismo-2/




Opera Mundi, 4 de dezembro de 2014


Paralisia do Governo facilita golpismo



​Por Breno Altman


​A aprovação de mudanças na Lei de Diretrizes Orçamentárias, obtida no final da madrugada desta quinta-feira, não sustou ou debilitou a escalada conservadora. Apesar da vitória parlamentar, evitando explosão de uma crise fiscal no colo da presidente, como era desejo da oposição de direita, o governo segue acuado.
Os partidos conservadores, associados à velha mídia, tomam carona na manipulação de denúncias provenientes da Operação Lava Jato e tentam manter o oficialismo sob fogo cerrado.
Os sinais do caráter golpista da estratégia opositora são evidentes.
Mesmo que suas principais lideranças ainda considerem insuficientes as condições políticas e jurídicas para abrir processo de impedimento, as operações de desgaste e sabotagem não escondem o propósito desestabilizador.
Não há surpresa no comportamento do PSDB e o resto da matilha, a bem da verdade. Durante a campanha já era evidente, pelo discurso de alguns próceres, que a aliança reacionária se jogaria de corpo e alma no enfrentamento.
Nunca esconderam a intenção de deslegitimar a presidente, empurrá-la contra as cordas e, se possível, abortar o mandato conferido pelas urnas.
Tampouco deixam dúvidas sobre o plano de desconstruir o PT e o ex-presidente Lula antes das eleições de 2018.
O que espanta é a inação governista desde o final de outubro.
Apesar de resoluções combativas, o petismo parece tomado pela apatia e o cansaço político. A reclamar do golpismo, por infração às regras democráticas, mas sem adotar comportamento resoluto e massivo, capaz de interromper as tramóias.
A tomada das galerias do parlamento por um punhado de delinquentes remunerados, durante a votação da LDO, foi simbólica desta política de guarda-baixa.
Por que o PT e o PC do B não convocaram sua militância para ocupar as arquibancadas do parlamento, em defesa da proposta do governo?
Por que a presidente não foi seguidamente à televisão e ao rádio, em entrevistas e em rede, para indicar o que estava em jogo na decisão sobre o superávit primário?
Por que os instrumentos de comunicação do governo não foram acionados para explicar do que se tratava a batalha em torno da LDO?
De qual manual o governo extraiu a lição que o melhor remédio contra a politização da direita seria a despolitização da esquerda?
O Planalto parece aprisionado pela orientação defensiva adotada depois do triunfo eleitoral, contaminando partidos e movimentos que constituem sua base de apoio.
A presidente e sua equipe mais próxima empenham-se em providências e discursos para apaziguar o capital financeiro, o ruralismo, os meios de comunicação, os centros imperialistas, as frações centristas que flertam com a direita, os próprios partidos de direita.
Partem de premissa comprovada, a correlação desfavorável de forças nas instituições, para conclusão gradualmente desmentida pelos fatos: a política de recuos não revela eficácia para conter as forças golpistas.
Ao contrário. A oposição de direita sente-se mais forte em seus ataques, dedica-se a explorar eventuais contradições e vulnerabilidades da esquerda, toma gosto por fazer política recorrendo à disputa aberta do Estado e da sociedade.
Os momentos de calmaria, propiciados por decisões como a nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, logo são seguidos por novos vendavais.
O conservadorismo, mesmo com fraturas e divisões, expõe inédita determinação, um apetite pantagruélico por ocupar todos os espaços disponíveis.
A política do recuo, por outro lado, inibe o campo popular. Divide e paralisa as forças progressistas que levaram ao triunfo eleitoral de Dilma Rousseff. Não deixa clara qual a agenda pela qual seguirá seu segundo governo, conquistado pela narrativa do aprofundamento e da aceleração de reformas.
Pouco se faz para animar a esquerda e provocar o retorno ao palco dos setores populares. Afinal, são esses os únicos destacamentos aptos a enfrentar o consórcio golpista, como a disputa presidencial deixou claro.
Revelam-se politicamente inócuas medidas como a indicação de ministros amigáveis às classes dominantes, o duplo aumento da taxa de juros, o aceno para política econômica mais ortodoxa, o arrefecimento da crítica aos monopólios da informação e o rebaixamento da defesa de uma Constituinte para a reforma política.
Ainda que parte desses encaminhamentos seja inevitável, para preservar a governabilidade institucional, que depende de coalizão pluripartidária e policlassista, demonstra-se estarrecedora a ausência de programas, decisões e símbolos que mobilizem a base natural do petismo.
Vale lembrar que inexiste registro histórico de intentos golpistas detidos por lamentações acerca de sua natureza pérfida.
Não há saída fora da contraposição, à sanha conservadora, de um movimento popular e democrático impulsionado por governantes e partidos que legitimamente exercem a liderança do país.

O arrocho em marcha


O sistema capitalista e, apenas 3 quadros



http://cartamaior.com.br/?/Editorial/O-arrocho-em-marcha/32354




Carta Maior, 04/12/2014 


O arrocho em marcha


Por Saul Leblon



A fornalha brasileira já acumula tensões suficientes para começar a produzir fatos que condensam,  em ponto pequeno, os impasses e riscos embutidos na travessia de ciclo econômico em curso no país.

Nesta 3ª feira, por exemplo, os metalúrgicos da Volkswagen de São Bernardo do Campo recusaram uma proposta da montadora para contornar o excesso de mão-de-obra em relação à perspectiva das vendas e aos estoques nos pátios.

A Volks levou à mesa de negociações um elenco de medidas que incluía: um programa de demissões voluntárias; a suspensão do reajuste salarial de 2015;   uma correção de folha abaixo da inflação em 2016; um abono para mitigar as perdas; e a promessa de investimentos da ordem de R$10 bilhões na unidade de São Bernardo, para a produção de três novos modelos de veículos.

A rejeição dos operários não poderá ser respondida com demissões em massa, por enquanto. Um acordo anterior, ainda em vigência, veta esse expediente.

Resta o  "layoff".

Previsto na legislação, ele permite afastar operários por até cinco meses, quando passam a receber apenas uma parte do salário; outra, com teto até R$ 1,3 mil, é bancada por recursos do FAT, o Fundo de Amparo ao Trabalhador.


Problema número 1: no ano passado, o FAT teve um déficit de R$ 10,365 bilhões; o deste ano deve  ficar acima de R$ 13 bi, exigindo repasses do Tesouro que o novo comando econômico  pretende cortar.

Problema número 2: se isso acontecer, o FAT terá que usar recursos próprios, aplicados em  projetos de infraestrutura através do BNDES.

Ou seja para amparar famílias assalariadas num eventual agravamento do desemprego, o FAT  reduzirá aportes em logística – indispensáveis para encorajar o investimento privado e a geração de empregos...

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come?

O episódio é ilustrativo por encadear uma série de elementos com alta probabilidade de se repetir em escala ampliada no país nos próximos anos.

O caldo de cultura borbulha no tacho.

Vendas industriais em declínio; desemprego em alta no setor fabril; exigências leoninas para novos investimentos e o cobertor curto do Estado para harmonizar as partes em rota de colisão.

Faltou um ingrediente, porém, na mesa de negociações do ABC que talvez possa mudar esse cardápio.

No mínimo, representa uma chance de composição entre  lógicas díspares que cada vez mais vão marcar a dinâmica da economia.

O elemento ausente na negociação é a força persuasiva de um amplo consenso político sobre as prioridades do passo seguinte do desenvolvimento brasileiro.

O futuro do emprego, da renda, do investimento e da  industrialização não pode mais ser decidido em mesas restritas.

Vive-se um divisor no qual essas decisões colocam em jogo o destino de toda a sociedade.

Se a equação não for mediada pela força e o consentimento derivados da organização do interesse coletivo –que compete aos partidos, aos sindicatos e aos movimentos sociais mobilizar- o desfecho será o impasse.

Com ele, o desemprego, a míngua do investimento e o ocaso da economia lapidarão o rosto do país de amanhã.

Há perguntas estratégicas que uma mesa exclusivamente corporativa não pode responder.

Por exemplo: onde é mais importante aplicar os recursos fiscais escassos do país?
No pagamento de juros cada vez mais abusivos  aos rentistas, como decidiu o Banco Central nesta 4ª feira ao elevar a Selic a 11,75%?

Ou na pavimentação acomodatícia de um chão firme para o emprego e o investimento industrial?


Não só isso.

Nos últimos quatro anos, a indústria automobilística remeteu  R$ 35 bilhões em lucros às matrizes; ficou com  53,4% do total das desonerações concedidas pelo governo, quase R$ 8,5 bilhões; expandiu em apenas 0,04% ao ano o emprego no setor.

Existe, portanto, um crédito  a zerar a favor do país.
 Mas, sobretudo, há aí uma lição de como não se deve conceder incentivos sem contrapartidas estratégicas de interesse de toda a sociedade.

Isso quem faz é um governo fortemente ancorado em diretrizes abraçadas por uma convergência ampla de forças sociais.

Nada do que se refere ao futuro da industrialização brasileira poderá mais ser tratado assim com a frivolidade ou ligeireza.

Qualquer descompromisso deixará marcas profundas, talvez irreversíveis, no futuro do desenvolvimento.

É desse mirante mais amplo que se deve avaliar o impacto das medidas de arrocho fiscal e aperto monetária em marcha no país.

A elevação da Selic em mais meio ponto  nesta 4ª feira (mais R$ 6 bilhões em juros) é um exemplo daquilo que  encurrala o Brasil entre o mar e a rocha.

O governo parece entender que só existem duas saídas.

Ou atende a especulação financeira e mata o investimento produtivo –quem vai investir e gerar emprego se o governo está dizendo que vai esgoelar o nível de atividade?

Ou incentiva o investimento produtivo e abre guerra contra o capital parasitário.


Esse que hoje ameaça jogar  o país nas cordas com uma saraivada de golpes que incluem fuga de capitais, especulação com o dólar, disparada de preços, perda de grau de investimento, etc.

Não se duvida do poder letal do dinheiro organizado na vida das nações no século XXI.

Mas o ônus de não afrontá-lo tampouco pode ser equiparado ao preço de galinha morta.


A nova e balofa alta nas taxas de juros vai acelerar a contagem regressiva para a irrupção de centenas, milhares de impasses semelhantes ao registrado agora no ABC paulista.

De um lado, trabalhadores instados a escolher entre a perda do emprego ou a dos salários; de outro, empresas premidas a cortar a produção e a folha, ou amargar prejuízos diante dos sinais contundentes de uma demanda em parafuso.

Isso vai levar à retomada do investimento na economia brasileira?

Nos últimos doze meses a produção industrial já acumulou queda de 2,6%.

Em outubro a queda mensal foi de 3,6%: oitavo resultado negativo subsequente
.

Nos últimos dez anos, a demanda brasileira por manufaturados criou um milhão de empregos –na China, graças ao vazamento de demanda interna para importações favorecidas pela valorização do Real.

O déficit comercial do país na área de manufaturas somou meio trilhão de dólares nos últimos 15 anos.

Nas últimas três décadas, de 1982 a 2012,  a participação da indústria no PIB  recuou  quase 13%.


Um levantamento do jornal Valor mostra que em numa lista de 22 países, a indústria brasileira só perdeu menos espaço que a da Polônia.

Repita-se, não é conjuntural.

No ciclo de governos do PT essa corrosão foi de 3,9 pontos; nos dez anos anteriores, marcados pelo ciclo do PSDB, foram oito pontos.

O definhamento da estrutura industrial –principal núcleo irradiador da produtividade requerida por novos saltos na justiça social— não apenas persistiu  no tempo.

Ela se espalhou como uma metástase no metabolismo fabril do país.

Asfixiada pelo câmbio valorizado e pela concorrência chinesa, a indústria perdeu elos importantes em diferentes cadeias de fornecimento de insumos e implementos.

Linhas e fábricas inteiras foram fechadas. Máquinas foram trocadas por guias de importação.

Clientes passaram a se abastecer no exterior. Fornecedores se transformaram em importadores.

Empregos industriais foram eliminados; o padrão salarial do país foi afetado, para pior.

Não por acaso, as taxas de desemprego hoje são proporcionalmente maiores entre a mão de obra qualificada do que junto aos trabalhadores sem especialização.

É possível mitigar essa sangria com medidas paliativas, a exemplo dos incentivos e desonerações acionados pelo governo?

Por algum tempo.

O exemplo da Volkswagen, porém, evidencia que o modelo atingiu um ponto de saturação.

O dinamismo perdido terá que ser substituído agora por uma gigantesca determinação de reverter e redesenhar a engrenagem industrial brasileira.


Não é café pequeno.

É uma tomada de posição política.

Requer amplo e desassombrado debate.

Em que tipo de país a sociedade quer viver no futuro?

Com qual distribuição de renda?

Com empregos e salários de que qualidade?

Com que margem de soberania para decidir o seu destino e o destino de seu desenvolvimento?

Não decidir, muitas vezes,  é a forma de decidir com maior  custo  político.


Deixar que os impasses se multipliquem nas mesas de negociações e daí escorreguem para as estatísticas de desemprego e a suspensão de investimentos acarretará uma fatura de valor elevadíssimo às próximas gerações.

Quem vê no capitalismo apenas  um sistema econômico e não uma engrenagem de dominação que se calcifica em  mecanismos políticos e sociais poderá se  deixar iludir  pelas ditas soluções ‘ de mercado’.

Tal escolha subestima os impactos daquilo que está em gestação no país.

A coagulação rentista da sociedade, com uma elite perfeitamente integrada ao circuito da alta finança global, amesquinhará a democracia, recusando-lhe instrumentos para dar à riqueza a sua finalidade social.

A maximização do retorno financeiro contamina todas as dimensões do cálculo econômico submetendo as demais instâncias do mercado a padrões de retorno irreproduzíveis na esfera produtiva.

Sem o investimento que eleva a produtividade, a única maneira de se melhorar a competitividade é pela depreciação do salário direto e indireto, que agrava a desigualdade corroendo dede holerites a serviços públicos.
É essa arapuca histórica que perpassa os  impasses em marcha  no ABC paulista nesse momento.

Não é um vaticínio. É uma realidade em sedimentação.
A mesma que já se marmorizou em economias até mais pujantes e estruturadas que a do Brasil, mas enredadas pioneiramente na mesma lógica.

Por exemplo, a dos  EUA.

Sua opção desindustrializante, associada ao fastígio do poder financeiro criou nos últimos quarenta anos uma espiral de decadência social e supremacia plutocrática que atingiu o coração do seu modo de vida, assentado na mobilidade da classe média e na transparência da democracia.

Quem acredita que os mercados conduzirão o Brasil a bom termo convém ler o artigo da economista Laura Tyson, publicado originalmente no Project Syndicate e veiculado também pelo Valor Econômico (03-12).

Ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos de Bill Clinton, Tyson fala de um processo de encarceramento da sociedade pelo dinheiro organizado da plutocracia financeira. Às vezes parece falar do Brasil.

Abaixo, trechos:

Há muitas décadas a desigualdade de renda nos Estados Unidos vem aumentando de forma significativa - e as tendências não mostram sinais de reversão. A ocasião anterior em que o nível de desigualdade esteve tão alto foi logo antes da Grande Depressão;

Por trás do aumento da desigualdade no país está a estagnação de renda da maioria dos americanos. Enquanto uma parcela cada vez maior dos ganhos do crescimento econômico flui para uma diminuta fração de famílias de alta renda nos EUA, a renda da família média dos 90% na base da pirâmide está estagnada desde 1980;

O principal culpado por trás da sorte cada vez pior da classe média dos EUA é o baixo crescimento dos salários. Depois de chegar ao pico no início dos anos 70, a mediana da renda real (ajustada pela inflação) dos trabalhadores em tempo integral, na faixa entre 25 e 64 anos ficou estagnada, em parte em consequência da desaceleração do crescimento da produtividade e em parte pela diferença gritante entre o crescimento dos salários e o da produtividade.

Além disso, a globalização e as mudanças tecnológicas reduziram a proporção dos empregos de capacitação média em relação ao total, enquanto a parcela dos empregos de baixa capacitação aumentou.

O ajuste de contas chegou com a crise financeira de 2007 e 2008. Deste então, o crescimento do consumo agregado mostra-se fraco, com as famílias de baixa e média renda forçadas a reduzir a captação e pagar dívidas, muitas vezes com dolorosos calotes em suas residências - seu ativo primário (e, frequentemente, o único).

Desde o fim da recessão, em 2009, o consumo real dos 5% do topo da pirâmide aumentou 17%, em comparação com o 1% nos demais 95%. O padrão da recuperação reforçou as tendências de longo prazo. Em 2012, os 5% do topo representavam 38% do consumo pessoal, em comparação aos 27% verificados em 1995. A parcela do consumo dos 80% da base da pirâmide caiu de 47% para 39%.

Como resultado, o sistema político dos EUA é cada vez mais dominado pelo dinheiro. Esse é um claro sinal de que a desigualdade de renda nos EUA chegou a patamares nos quais ameaça não apenas a expansão econômica, mas também a saúde de sua democracia.”

Aécio tem uma organização criminosa para chamar de sua




http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/-A-organizacao-criminosa-que-apoiou-Aecio-Neves%0A/4/32353



Carta Maior, 04/12/2014
 


A organização criminosa que apoiou Aécio Neves

 

Por Antonio Lassance
 



O Senador Aécio Neves terá que engolir sua afirmação de que foi derrotado por uma organização criminosa.

Grande parte dos políticos corruptos que receberam propina do esquema que saqueou a Petrobrás, citados por um dos delatores, apoiou sua campanha, desde o primeiro turno.

Ainda conforme os próprios delatores, o envolvimento de cada um deles com essa organização criminosa data do governo do presidente Fernando Henrique.

Já basta desse lenga-lenga de Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Roberto Duque.

Os brasileiros querem saber os nomes dos políticos que receberam dinheiro de propina do esquema que assaltou a Petrobrás.

O que se espera agora é que as informações já vazadas sejam confirmadas no inquérito da Polícia Federal, se os delegados fizerem o trabalho de delegados e não de cabos eleitorais de distintivo.

O que se quer é que todos sejam imediatamente julgados pelo STF ou fujam logo de seus mandatos para serem processados em primeira instância, como fizeram os acusados Eduardo Azeredo e Clésio Andrade, mensaleiros amigos de Aécio Neves.

Quando os nomes ligados a Aécio nas eleições de 2014 e que constam da delação premiada forem qualificados como parte do esquema, Aécio terá uma organização criminosa para chamar de sua.

No PP, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), ao que consta, um dos citados na delação, organizou o apoio de todo o Diretório do Partido Progressista do Rio de Janeiro ao presidenciável tucano.

Outro citado, João Pizzolatti, presidente do PP de Santa Catarina, articulou o apoio desse diretório a Aécio e ao chapão em aliança com o PSDB no estado, incluindo o apoio à candidatura do tucano Paulo Bauer, a governador, e de Paulo Bornhausen ao Senado, pelo PSB - também apoiador de Aécio.

Mesmo no PMDB, muitos dos nomes citados estiveram oficialmente associados à oposição, como o atual presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o senador Romero Jucá, de Roraima, e o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
A recomendação ética de Aécio aos membros prediletos dessa que acusa de ser uma organização criminosa foi: "suguem mais um pouquinho e depois venham para o nosso lado".

A consequência da baixaria do senador e presidente do PSDB é que ele próprio, ao nivelar por baixo o debate político, ao invés de agir como líder da oposição, incorporou o discurso e vestiu a camisa de chefe de um bando desqualificado de extrema direita que pretende levar a disputa política para as vias de fato.
A partir de agora, Aécio torna-se responsável direto por qualquer ato que fuja do controle do processo democrático e revele a face não apenas golpista e autoritária, mas violenta desse bando.

O que se viu nas galerias do Congresso (terça, dia 2) é apenas o começo de algo que, na República, sempre teve um fim triste e personagens obtusos.

Aécio acaba de entrar para a essa galeria de personagens obtusos.



(*) Antonio Lassance é cientista político.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Corrupção na Petrobras X Soberania do Brasil




http://www.aepet.org.br/site/noticias/preview/12089/A-corrupo-na-Petrobras-X-Soberania-do-Brasil



Jornal da AEPET, 03/12/2014




A corrupção na Petrobras  X  Soberania do Brasil


Por Henrique Sotoma



Inicialmente, vejamos algumas particularidades sobre o nosso Brasil:

1)  É    um  país  incrível:  possui  uma  grande  dimensão  territorial,  possui  uma  das maiores  florestas  tropicais, possui água doce em abundância que pode facilmente ser transformada em água potável  e transportada via aquedutos para os grandes centros consumidores, possui terras agricultáveis, minérios de ferro, petróleo ; e, por  ser  um  país tropical  em  que  boa  parte  de  seu  território  recebe  a  incidência  de  raios  solares   é perfeitamente possível instalar pequenos coletores solares para fins de aquecimento e geração doméstica de energia elétrica;  temos, também, a incidência de ventos com uma força capaz de girar pequenas turbinas eólicas  para  geração  de  consumo  domestico  e iluminação  publica,  deixando  a  geração  hidráulica  e termelétrica para o consumo das grandes industriais e grandes centros populacionais.

2)  Temos  uma  população  economicamente  pobre  e  uma  classe  media  ávidos  para  o consumo  de  bons produtos, mas que sejam acessíveis ao seu bolso; como fazer para que essas pessoas tenham acesso? Só há um caminho: através da educação  (fim do analfabetismo, formação de técnicos de nível médio e superior ) dando-lhes a ferramenta para o seu desenvolvimento  econômico  e social  aliado a  uma boa estrutura como moradia, saúde, saneamento básico  transporte e segurança.

Ou seja, somos um país que tem matéria prima para alavancar toda uma indústria de transformação e daí partirmos para  uma  industrialização  transformando-os  em  produtos e  consumindo  vários  serviços  de  infraestrutura;  enfim, temos grandes oportunidades pela frente. Além disso, como dito acima, temos um grande mercado consumidor que só não se  concretiza  pela  falta  de  oportunidades  de  um  desenvolvimento  social  e econômico contínuo  para  as classes menos favorecidas.

Infelizmente,  somos  um país que se contenta com muito  pouco; em 1993 sob o governo do então presidente Itamar Franco,  criou-se  as condições políticas para que o Plano Real fosse implantado;  FHC nessa ocasião era o Ministro da Fazenda e com isso o Plano Real também levou  a assinatura de Fernando Henrique Cardoso. Mudou a moeda de cruzeiro para real; o povo ficou feliz pelo fato do Governo ter baixado a inflação e controla-lo em níveis satisfatórios. 

Em seguida, FHC foi eleito presidente para o seu primeiro mandato em 1994 com o apoio de Itamar Franco. E o  pior estava por vir:  enquanto o povo  se  contentava com a queda da inflação,  FHC  privatizou várias empresas estatais, entre  elas  a  Vale  do  Rio  Doce, Bancos  Estaduais,  Telecomunicações,  etc.,  vendendo-as  para  grandes  empresas privadas  nacionais  e  estrangeiras  e  ainda  financiou  essas  privatizações  através  do BNDES  utilizando  juros subsidiados

Com  a  ajuda  do  Congresso  Nacional,  FHC  reformou  a  Constituição  permitindo  a  livre entrada    para  o  capital estrangeiro  sem  o  pagamento  de  nenhum  imposto;  estava aberto  o  caminho  para  a  especulação  no  mercado financeiro  e  o  inicio  da dominação total  da  indústria    nacional  pelas  empresas  estrangeiras:  fecharam-se várias pequenas e medias indústrias ou foram , absorvidas por  empresas multinacionais a preços módicos. 

Por  pouco,  muito  pouco  não  se  privatizou  de  vez  a  Petrobras,  mas  conseguiram quebrar  o  monopólio  que  era exclusivo  da  PetrobrasEm  seguida,  tentou-se  mudar o nome  de  Petrobras  para  Petrobrax  para  “facilitar”  a internacionalização da empresa; também não conseguiram. Mesmo assim, fizeram o    lançamento de ações na Bolsa de Nova Iorque. O Brasil começava a perder a sua soberania, pois a empresa passaria a atuar tendo que obedecer as leis do mercado acionário americano (Securities Exchange Commission = SEC). 

Esse inicio da perda de soberania só não foi maior, porque não conseguiram alugar a Base de Alcântara ao Governo dos EUA; o Acordo previa que os brasileiros não poderiam ter acesso a uma grande parte da Base que ficaria sob o controle direto dos EUA !  

Todos  sabem  que  a  transformação  do  petróleo  em  subprodutos  tais  como  gasolina, diesel,  querosene  e  outros subprodutos  para  a  geração  de  produtos  petroquímicos geram   grandes  encomendas de  produtos  industriais alavancando  toda  a  cadeia  de pequenas  a  grandes  indústrias  fornecedora  de equipamentos  e  que  geram  muitos empregos. 

Não é novidade para ninguém que o mercado  mundial de petróleo está vivendo  seus piores momentos em termos de preços devido  a produção adicional de petróleo pelos EUA. adicionado a uma recessão europeia,  americana  e asiática; todos ávidos para vender para mercados promissores como o Brasil. 

E    no Brasil, com o escândalo proporcionado pela maior empresa do país, é  visível o constrangimento do corpo de funcionários, assim como de toda a diretoria, vendo a marca da Petrobrás transferida do noticiário econômico para o policial. Nada está resolvido e  o Conselho de Administração da empresa terá que tomar decisões ainda mais graves no que diz respeito  a continuidade das obras e dos novos projetos    que a estatal precisará fazer para cumprir seu plano  de  negócios  e  aumentar  sua  produção  de  óleo  e  gás.  Se seguir  o  seu Manual  de  Procedimentos,  nenhuma empresa envolvida nos escândalo poderá  fazer obras para  a Petrobras  por um bom período.  E aqui é que mora o grande perigo  da  perda   da  soberania  brasileira:  com  a  entrada  de  capital estrangeiro  livre de  empecilhos,  nada impede que empresas de construção civil , de  detalhamento e montagem  industrial tomarem o lugar das grandes empresas  nacionais  envolvidas  nos atos  de  corrupção Essas  empresas  vão  tomar  o lugar  das  nossas  grandes empresas e vão fazer suas encomendas no exterior aumentando a produção de seu parque industrial e diminuindo o desemprego  em  seu  país  de  origem,  ao  passo  que  o  Brasil  irá aumentar  o  seu desemprego;  será  a  derrota  do desenvolvimento  industrial e  social brasileiro, rumando para uma completa perda de soberania.  Voltaremos a ser uma colônia? É um grande problema político, econômico e social que terá que ser resolvido. Qual será a solução?  

Não sei; sei apenas que  os petroleiros  devem manter a cabeça erguida, exigir a demissão de todos os envolvidos  nas corrupções e que os mesmos sejam punidos exemplarmente pela Justiça. Como petroleiro aposentado apelo a todos os  demais,  principalmente  àqueles que  estão  na  ativa  que  permaneçam  atentos  a  qualquer comportamento antiético e imoral, inclusive denunciando-as.
É verdade que a Petrobras está ferida, mas ela não morreu  e nós temos uma boa chance de  fazer desta empresa que é a nossa PETROBRAS, a bandeira para manter a soberania do Brasil. 

(*) Henrique Sotoma – Ex-engenheiro de projetos da Petrobras e atual Diretor Administrativo da AEPET.

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http://www.aepet.org.br/site/noticias/preview/12090/Contedo-nacional-sob-ataque




Jornal da AEPET, 03/12/2014


Conteúdo nacional sob ataque



Por Rogério Lessa



A ideia de se construir navios e plataformas no Brasil gera emprego e renda no país, mas desagrada muita gente. Outros querem abrir o nosso mercado para empreiteiras estrangeiras

Segundo o jornalista Sergio Barreto Motta, do Monitor Mercantil, as críticas, antes limitadas ao Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás (IBP), após o escândalo Petrobrás, passaram a ser generalizadas. "É bom lembrar que o preço de uma plataforma está em torno de US$ 1 bilhão, ou seja, dá margem a muitas comissões para intermediários nas importações", diz o colunista.

"Nos oitos anos de governo do PSDB, a Petrobras lançou o programa Navega Brasil, que sequer implicou a construção uma única unidade no país, enquanto dois navios usados, com nomes típicos brasileiros, foram importados da Coréia do Sul: Ataulfo Alves e Cartola. Seus nomes eram, respectivamente, Mega Eagle e Mega Hawk. O que é melhor, fazer esses navios no país, pagando o Custo Brasil – onerado com política cambial que supervalorizou o real – ou simplesmente comprá-los na Ásia?
Em editorial desta quarta-feira, com o título de “Monumento ao desperdício do dinheiro público”, O Globo chama o conteúdo local de “programa anacrônico de substituição de importações”, no “figurino da ditadura militar”. Qualifica a Sete Brasil de empreendimento-símbolo de dirigismo estatal, embora seja obrigado a citar que dela participam gigantes privados, como Bradesco, Santander e BTG Pactual. Garante que apenas cinco das sondas começaram a ser montadas. 

No próprio jornal, um anúncio da Sete Brasil corrige números e fatos. Diz que 29 sondas serão usadas no pré-sal, únicas no mundo a atender aos requisitos de conteúdo local. Em vez de cinco, estão em construção 16 sondas, sendo que duas 80% prontas. Explica que os pagamentos iniciais seriam prática usual, para compensar gastos em projeto e encomendas a subfornecedores. Informa Sete Brasil que está em curso processo de auditoria interna, para apurar ligações com a operação Lava Jato. Querem aproveitar um escândalo para minar, a qualquer custo, um projeto de pleno sucesso, que é a política de conteúdo local", finaliza Barreto. 

Já o jornal site 247 aponta que "O Globo, dos irmãos Marinho, decidiu pegar carona na Operação Lava Jato" para defender uma antiga bandeira do governo dos Estados Unidos: a abertura do mercado brasileiro de engenharia a empresas internacionais. "Reportagem publicada neste domingo no jornal, com destaque na primeira página, afirma que a abertura às empreiteiras internacionais será inevitável." 

Um dos fatores que poderia acelerar a abertura do mercado brasileiro seria uma eventual declaração de inidoneidade das empreiteiras brasileiras. Como a Lava Jato atinge praticamente todas as construtoras nacionais, como Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa, além de Mendes Júnior, UTC e Engevix, uma solução radical poderia inabilitar o trabalho de praticamente todas as empreiteiras com órgãos públicos. 

"O Globo cita, ainda, um caminho para facilitar o ingresso de gigantes internacionais no País. "Uma das estratégias do governo para abrir o mercado da construção, se a Lava-Jato tornar as grandes empreiteiras locais inidôneas, seria aproximar as estrangeiras das empresas médias brasileiras, a fim de dar a estas mais fôlego financeiro", resume a reportagem.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

A realidade sórdida do mercado: loucura, violência e poluição



http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-socialismo-esta-em-crise-E-o-capitalismo-%0A/4/32317




Carta Maior, 28 de novembro de 2014



O socialismo está em crise? E o capitalismo?



Por Wadih Damous*




A queda do Muro de Berlim e a extinção do bloco socialista na Europa do Leste fizeram a alegria dos defensores do capitalismo. Houve até quem, como Francis Fukuyama, decretasse o fim da história: a partir dali, afirmava ele, não haveria mais solavancos. As coisas aconteceriam sem mudanças radicais na sociedade.

Fukuyama não foi o primeiro a vaticinar o caráter perene de uma determinada situação de hegemonia. O Império Romano já falava nisso. Vindo mais para perto no tempo, poderia ser lembrado também o “Reich dos Mil Anos”, apregoado pelos próceres do nazismo, e que, em vez de mil, mal durou 15 anos…

De qualquer forma – é preciso reconhecer – as experiências socialistas enfrentaram percalços para transformar em realidade os sonhos de milhões de lutadores sociais que as defenderam ao longo dos últimos cento e poucos anos.

Essas dificuldades têm que ser objeto de estudo. A compreensão de suas razões será importante para a construção do futuro.

Questões relacionadas com a democracia e o desenvolvimento da produtividade do trabalho, e das forças produtivas em geral, estão a clamar por respostas. Ao não serem resolvidas, empurraram aquelas sociedades para uma excessiva estatização e uma burocratização que criou camadas privilegiadas e parasitárias – o que lhes foi fatal.

Mas, seria o caso de, por isso, se abdicar do socialismo, de se jogar fora a criança juntamente com a água da banheira?

Penso que não.

Essas dificuldades têm que ser vistas como desafios a serem vencidos para os que não têm o sistema capitalista como solução para os problemas da humanidade.

Por isso, é preciso travar o debate ideológico. E, se a construção prática do socialismo enfrentou problemas, o que dizer dos resultados apresentados pelo capitalismo? Como anda a África, onde, em pleno século 21, milhões de seres humanos são desnutridos e morrem de fome? O que o capitalismo trouxe para essas pessoas?

Mas, deixemos de lado a África – continente que, ainda hoje, enfrenta as consequências da escravidão, que retirou durante mais de três séculos sua força de trabalho mais qualificada. Vejamos o que o capitalismo oferece aos cidadãos na maior potência econômica da história.

Como anda a assistência de saúde nos Estados Unidos? Por incrível que pareça, lá não existe sequer um sistema universal de saúde, algo correspondente ao nosso SUS (mesmo com os problemas que o SUS possa ter). Quem não tem plano de saúde privado está arriscado a morrer diante de um hospital sem ser atendido. Isso é civilização?

Aos incrédulos, eu recomendaria que assistissem ao filme “Sicko”, realizado em 2007 pelo cineasta americano Michael Moore, que mostra o quão excludente é o sistema de saúde nos Estados Unidos.

E nem só de fracassos viveram as experiências socialistas até agora existentes. 

Vejamos Cuba, por exemplo: é um país pequeno, sem grandes recursos naturais e que apresenta alguns indicadores sociais de fazer inveja. Seu índice de mortalidade infantil – critério usado pelas Nações Unidas para medir a qualidade de vida, pois, quando se esta se deteriora as crianças são a parcela da população mais vulnerável – é o melhor da América Latina, sendo superior até mesmo ao dos Estados Unidos.

Por outro lado, seu sistema educacional – que abrange todas as crianças do país, sem exceção – tem recebido os maiores prêmios internacionais da Unesco, à frente de todos os demais países da América Latina.

Cuba é um país pobre. Deve ser comparada não às nações do Norte da Europa, mas às da América Central, como Guatemala, Honduras ou República Dominicana. Quem vive melhor? A população desses países, que são capitalistas, ou o povo cubano, apesar de todos os problemas que tem diante de si?

Assim, a discussão sobre os problemas do socialismo tem que ser enfrentada sem subterfúgios. Mas considerar que, devido às dificuldades (algumas delas oriundas do bloqueio e da sabotagem de países capitalistas, diga-se), a solução estaria no capitalismo é um enorme engano.

Que, nestes tempos de confusão ideológica e amesquinhamento de objetivos, as correntes progressistas não percam essa verdade de vista.

 
(*) Advogado




http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Meio-Ambiente/A-realidade-sordida-do-mercado-loucura-violencia-e-poluicao/3/32331



Carta Maior, 01/12/2014 


A realidade sórdida do mercado: loucura, violência e poluição



Por ​Najar Tubino



As consequências do sistema econômico custam vidas, lesões fatais, traumas em famílias em todo o mundo. Não importa se é uma economia rica e desenvolvida, como o caso da União Europeia, onde em cada grupo de quatro cidadãos um tem algum distúrbio mental. Ou que a cada nove minutos ocorra um suicídio – 58 mil conforme os dados oficiais ainda do final da década passada. No Brasil em 2013, foram registradas 53.646 mortes violentas- uma a cada 13 minutos - a maioria de jovens da periferia das regiões metropolitanas. Uma pesquisa do Ministério da Saúde apontou a morte de 1.118.651 pessoas entre 1991 e 2000 – mais de 309 homicídios, 62.800 suicídios e 309.212 mortes por acidentes e violência no trânsito. A Organização Mundial de Saúde estima que sete milhões de pessoas morreram em consequência da poluição atmosférica e por poluição domiciliar .

Em São Paulo morreram 99.084 entre os anos de 2006-2011, conforme pesquisa do Instituto de Sustentabilidade e Saúde, dirigido pelo pesquisador da USP, Paulo Saldiva. Desde o ano passado o ar contaminado e o poluente material particulado passaram a ser consideradas causas ambientais de mortes por câncer – de pulmão, na sua maioria. No Rio de Janeiro ocorreram 36.194 mortes no mesmo período. Somadas as duas frotas de veículos das maiores capitais brasileiras – SP e RJ – o total ultrapassa 10 milhões de veículos. A poluição causa doenças no sistema cardiovascular e pulmonar, e embora o Brasil tenha um programa de monitoramento do ar há 25 anos, apenas 1,7% dos municípios mantém estações de monitoramento. Em São Paulo existem 86, no Rio de Janeiro 80 e no Rio Grande do Sul 20, são os estados mais avançados nesta questão.


Dois milhões de mortes por acidentes de trabalho

A professora e juíza do trabalho Martha Furtado de Mendonça Schmitt, de Belo Horizonte, elaborou uma pesquisa sobre o trabalho e saúde mental na visão da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

"Os acidentes fatais no mundo causaram a morte de dois milhões de trabalhadores e os não fatais atingiram 330 milhões. As doenças relacionadas ao trabalho atingem 100 milhões de trabalhadores no mundo. O custo atual dos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho é equiparado a 4% do PIB mundial. Os maiores problemas de saúde relacionados foram o estresse e as disfunções músculo-esqueléticas", registra a pesquisadora.

Martha Schmitt também aponta para o número crescente de casos de Karoshi – palavra japonesa que significa morte por excesso de trabalho – no país asiático, tendo por causas a tensão, alta demanda e excesso de obrigação em acatar ordens. Na Alemanha os casos de faltas ao trabalho por transtornos mentais dobrou nos últimos anos. Desde 1995, as doenças mentais tornaram-se a principal causa de aposentadoria precoce – a percentagem dobrou a partir de 1980. Já no Reino Unido o Departamento de Trabalho e Aposentadoria Inglês aponta as doenças mentais e os distúrbios comportamentais como os responsáveis pelo maior gasto do setor - que junto com as doenças relacionadas ao sistema nervoso são a causa da metade das despesas com os benefícios por incapacidade, num total de 3,9 bilhões de libras. Em março de 2010, a Organização Internacional do Trabalho atualizou a Recomendação 194, incluindo as desordens mentais e comportamentais. No Brasil, ainda citando a pesquisadora mineira, em 2007 foram registrados 653.090 acidentes e doenças do trabalho. As notificações por doenças mentais cresceram 1324%, em segundo lugar as doenças osteomusculares registraram crescimento de 893%.


Na Europa custa de 3 a 4% do PIB

A União Europeia firmou um Pacto pela Saúde Mental em 2008, com metas para todos os estados membros, em consequência das “incidências significativas sobre os sistemas econômico, social, educativo, penal e judicial”, além disso a “estigmatização, a discriminação e o desrespeito aos direitos e a dignidade a pessoa doente continua a ser uma realidade, que se opõe aos valores europeus fundamentais”. A doença mental custa a União Europeia de 3 a 4% do PIB, sobretudo através da perda de produtividade. Ou seja, além da falta ao trabalho, as doenças mentais são uma das principais causas de aposentadoria e pensões por invalidez. Em 2014, o Parlamento Europeu decretou o “Ano Europeu do Cérebro e das Doenças Mentais”.

Na China, onde os migrantes deixam suas famílias para trabalhar nas fábricas dos centros industriais, os filhos “deixados para trás”, sofrem de ansiedade e depressão, um índice que atinge 15% das crianças, segundo Zheng Yi, presidente da Sociedade Chinesa de Psiquiatria da Criança e do Adolescente. A depressão já é considerada um problema de saúde pública pela Organização Mundial de Saúde e atinge 400 milhões de pessoas. Nos Estados Unidos o problema tem um contorno mais complicado porque envolve diretamente a indústria farmacêutica. Os psiquiatras que elaboram o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), considerado uma referência não somente nos EUA, mas para outros países, são comprovadamente ligados à indústria. E tem aumentado o número de doenças de uma maneira absurda.


Experimento nocivo

A questão se tornou tão grave que o Instituto Nacional de Saúde Mental (NHI) decidiu excluir de financiamento as pesquisas que se baseiam nas categorias do guia. O psiquiatra Allen Frances, autor do livro “Saving Normal” – Salvando os normais -, que participou da elaboração do guia, denunciou a dobradinha médico-indústria:

"Estamos transformando os problemas diários em transtornos mentais e tratando-os com comprimidos... parte do problema é que o sistema de diagnóstico é muito frouxo... mas o principal problema é que a indústria farmacêutica vende doenças e tenta convencer os indivíduos de que precisam de remédios. Eles gastam bilhões de dólares em publicidade enganosa para vender doenças psiquiátricas e empurrar medicamentos”, disse ele em uma entrevista.

O transtorno do momento é o de déficit de atenção e de hiperatividade. Num mundo digital, onde as crianças já viram celebridades na internet, desde que saem da barriga da mãe e são fotografadas diariamente, logo em seguida, ganham o seu primeiro celular, é inevitável que o sistema nervoso acelere. O inconveniente da agitação é tratado com remédio, e os Estados Unidos são campeões na produção e consumo da Ritalina, o medicamento indicado para estes casos – são 38 toneladas produzidas e 34 consumidas.

Diz o psiquiatra Allen Frances : “o TDHA ocorre em 3% das crianças, mas é diagnosticado em 11% e, ridiculamente, em 20% dos adolescentes homens. Nós estamos fazendo um vasto e descontrolado experimento em nossas crianças, banhando seus cérebros imaturos com produtos químicos fortes sem saber seus efeitos de longo prazo”.


Morrendo à míngua

No Brasil, o Ministério da Saúde considera que 3% da população apresentam transtornos mentais severos e persistentes, mas de 9 a 12% - ou seja, até 15% da população -, em todas as faixas etárias apresentam transtornos mentais leves e necessitam de cuidados eventuais. Também registra a dependência de álcool entre os 12 e 65 anos em 9 a 11% da população.

No momento em que os burocratas da diplomacia mundial começam a reunião preparatória para a próxima Conferência do Clima em Lima - a COP ocorrerá em 2015 na capital da França - é fundamental ter em conta o seguinte: a população mundial tem problemas gravíssimos no seu cotidiano, como consequência do sistema econômico, que só aumenta a concentração de renda na mão de uma elite cada vez menor, e deixa a grande maioria numa corrida sórdida por sobrevivência. E, no dia a dia, vai perdendo a batalha econômica, para uma elite que não quer saber se as condições de vida no Planeta estão piorando, o que significa que vai piorar ainda mais a vida de milhões de pessoas. Muito antes dos governantes se dignarem a traçar metas de mudanças no sistema econômico, onde somente o poder financeiro comanda, ou muito mais difícil, definirem metas de redução de consumo de petróleo, que significa reduzir frotas de veículos e mudar os sistemas de transporte no mundo – além é claro de acabar com o poder das petrolíferas e as ligações do mercado com a elite árabe - milhões de trabalhadores continuarão morrendo à míngua, doentes, enlouquecidos, e pior, se considerando culpados.