terça-feira, 10 de dezembro de 2013

João Paulo II colaborou com a CIA

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Carta Maior, 10/12/2013

Um dos futuros santos da Igreja, João Paulo II colaborou com a CIA



Por Dermi Azevedo



Com a sua canonização prevista para 2014, o papa João Paulo II, atualmente na lista dos beatos católicos, foi um dos colaboradores mais leais da Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), antes mesmo de ser eleito para o pontificado católico romano. A sua primeira audiência como Papa foi dada ao diretor geral da agência norte-americana de informações, William Casey, em 1978.

O arcebispo de Cracóvia, Karol Wojtyla, forneceu informações consideradas “valiosas” à CIA sobre a resistência polonesa ao regime comunista da Polônia. Esse apoio favoreceu substancialmente as atividades do sindicato Solidariedade, liderado pelo metalúrgico Lech Walesa e representou a ultima pá de cal no fim do regime polonês.

Memórias

O ex-diretor da CIA e ex-embaixador dos EUA no Brasil, general Vernon Walters, apresenta, em suas memórias, alguns exemplos desse entendimento entre o Vaticano e a Casa Branca.

Walters – que era vice–diretor geral da CIA - afirma que uma das principais preocupações do presidente Ronald Reagan era a de manter o Papa informado sobre as despesas militares dos EUA. Nesse sentido, determinou que esse embaixador se reunisse de dois em dois meses, com João Paulo II, no Vaticano.

Um detalhe: o diplomata deveria levar consigo fotografias via satélite dos países do bloco soviético e das regiões estratégicas para Washington. Afirma que, numa dessas audiências, mostrou ao Papa uma base soviética, supostamente com 13 silos contendo centenas de mísseis. “Santidade, cada míssil possui 10 ogivas. O que o senhor está vendo corresponde à morte de 130 cidades americanas ou européias”. Walters diz que o Papa afirmou: “Compreendo exatamente o que o senhor apresenta”.

O general Walters foi também embaixador dos EUA no Brasil nos anos 70, no auge da repressão da ditadura de 1964.

Colaboração antiga

A colaboração de João Paulo II com a CIA aconteceu também nos anos 80 com dois objetivos: desestabilizar o governo sandinista da Nicarágua e desautorizar a Teologia da Libertação. As duas metas foram atingidas e somente agora, com a eleição do papa Francisco I, essa corrente teológica foi oficialmente reabilitada. 

Aliança de interesses

Tanto diplomatas norte-americanos, quanto do Vaticano, descrevem a relação estreita entre os dois interlocutores como uma “aliança de interesses”. A Casa Branca pretendia favorecer a Igreja Católica Romana na sua politica de expansão da sua hegemonia especifica. E o Vaticano, atendia também ao propósito dos EUA de avançar na sua politica também expansionista e hegemonista.

O capataz da Casa Grande não foi convidado




Conversa Afiada, 10/12/2013


Barbosa quis ir com Dilma ver Mandela


O telefone não tocou.



 
Saiu em Ilustre colona da Folha, que se transformou na segundona de um certo Bajulador Jurídico:

LINHA CRUZADA



Primeiro negro a presidir o STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa esperou até o último minuto por um convite de Dilma Rousseff para integrar a comitiva oficial que desembarca hoje na África do Sul para o enterro de Nelson Mandela. Mas o telefone não tocou.

(…)


Em tempo: o Bessinha, pelo jeito, ficou muito impressionado com o post “Innovare, como a Globo se casou o Supremo” – PHA

Paulo Henrique Amorim

domingo, 8 de dezembro de 2013

Mandela nunca defendeu o pacifismo



Publicado em 08/12/2013

Mandela aos 42 anos. Para não pensarem que ele era tucano

O PiG mundial tenta pintar um Mandela branco, tucano, sem caninos e doce como a Madre Tereza de Calcutá.

Note o tipo de pergunta do merválico pigal inglês.

 
 







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Carta Maior, 07/12/2013


Chorando por Mandela




Elizabeth Carvalho (*)



A morte de um ícone como Nelson Mandela tem o dom de ultrapassar a barreira das divergências políticas e fazer o mundo cantar num mesmo diapasão.

Aqui em Berlim, a chanceler Angela Merkel se uniu ao coro choroso e afinado de estadistas europeus que destacaram sua coragem, seu heroísmo, seu exemplo de obstinação e de resistência. 

Não contam neste momento as décadas em que a Europa, que esquartejou o continente africano de ponta a ponta e o submeteu a regimes colonialistas, cooperou com o regime do apartheid; nem as acusações de “terrorismo” que fizeram a Mandela o  ex-presidente americano Ronald Reagan e a premier britânica Margareth Thatcher; nem a recusa da Anistia Internacional em adotá-lo como prisioneiro de consciência, porque Mandela não se opunha à luta armada de libertação.

Mandela está morto, e o mito Mandela é um mito necessário a um mundo que vai aos poucos substituindo o fardo do racismo ostensivo  por outras formas de dominação.

É em solo alemão que se encontra, desde 2008, o quartel-general do comando norte-americano Africom, com 43 mil soldados distribuídos em 40 bases militares, denunciado recentemente pelo jornal Süddeutsche Zeitung por conduzir, a partir daqui, uma guerra sangrenta de drones contra supostos alvos terroristas em países africanos e provocar a morte de civis.  É na Alemanha que africanos em busca de asilo vem sendo sistematicamente interrogados para fornecer informações, passadas aos serviços secretos americanos no planejamento de novos ataques.

Chora-se a perda do pacifismo de Mandela, mas poucos lembram as centenas de entrevistas que deu à imprensa internacional com  críticas contundentes à invasão do Iraque pelos Estados Unidos, às sanções impostas contra a Líbia de Muammar Khadafi; e com a defesa intransigente dos princípios da revolução cubana, e de um estado palestino que faça Israel recuar às suas fronteiras de 1967.

A morte de Mandela, representa, sobretudo, o apagar quase definitivo das luzes do século XX; da era dos grandes líderes carismáticos que, com seus erros e acertos, conduziram seus povos às lutas de emancipação.  
Era de panteras negras como ele, como Amilcar Cabral, da Guiné Bissau (grande teórico da libertação das colônias portuguesas), ou como o angolano Agostinho Neto, o congolês Patrice Lumumba, o queniano Jomo Kenyatta, o moçambicano Samora Machel.  E o vietnamita Ho Chi Minh.  O chinês Mao Tsé Tung.  Sobra apenas um, numa pequena ilha caribenha: o atrevido e imperdoável Fidel Castro.
O professor de historia e ciência política da Universidade de Johanesburg, Achille Mbembe,  escreveu que a longa experiência carcerária de Mandela deu a ele a certeza que provavelmente todos os líderes do pantheon do século passado carregaram em algum momento: a de que somos todos, ao mesmo tempo, diferentes e semelhantes.  E a ética da reconciliação e da reparação que Mandela  conduziu passa exatamente por isso: pelo reconhecimento da parte que pertence ao outro, pela proclamação da diferença, pela liberdade de escolha – sem as quais não é possível a construção de um projeto de justiça universal.
Mandela se vai, mas o desafio permanece.

(*) Elizabeth Carvalho é jornalista em Berlim

sábado, 7 de dezembro de 2013

O PT cospe fogo e o PSDB se prepara para engolir espadas

Carta Maior, 07/12/2013

Enquanto o PT cospe fogo, o PSDB se prepara para engolir espadas.

Por Antonio Lassance



 
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O PSDB encara 2014 com o otimismo de um Titanic frente a um iceberg. Seus dirigentes continuam dando declarações de que não irão afundar de maneira alguma. Mas a verdade é que sentem o frio percorrer a espinha. As más notícias das pesquisas de opinião sobre as eleições presidenciais são o de menos. Aquilo que realmente os apavora é o ataque sofrido ao que têm de mais caro, Minas Gerais e São Paulo, sua república particular do café com leite.

Em 2014, terão pela frente, de um lado, o julgamento do seu próprio mensalão, o original e que deu origem à série, no Supremo Tribunal Federal - STF. De outro, sofrerão as investigações da Polícia Federal sobre o trensalão paulista - denúncia de cartel, superfaturamento de obras públicas e pagamento de propina a dirigentes em altos postos de comando no governo paulista. Perto do propinoduto dos paulistas, o mensalão mineiro é brincadeira de criança.

Sabedores de que têm sérias avarias no casco, já existe um plano B. É simples, curto e grosso. Se houver pressão da opinião pública que aprofunde ainda mais a desmoralização que já vêm sofrendo, e se não conseguirem suficiente blindagem midiática e do Ministério Público, terão que sacrificar alguns de seus membros para serem devorados.

Vão, portanto, desovar em alto mar a carga que considerarem podre. Pretendem se livrar do peso morto e, ao invés de lançar botes e coletes salva-vidas, o plano dos comandantes é usar megafones para alertar os tubarões, dizendo: “olhem eles ali! Encham o estômago e nos deixem em paz”. Quanto mais forem fustigados, mais carne estarão dispostos a sacrificar.

Eduardo Azeredo e José Aníbal são sérios candidatos a serem expulsos. Ambos são considerados figuras isoladas e difíceis de se defender. São os primeiros da fila para andar na tábua. A coisa se complica quando se fala em Aloysio Nunes, que é muito ligado a José Serra e a Fernando Henrique. Mas há informações de que a Polícia Federal tem documentos suficientes para colocá-lo em péssimos lençóis.

A alta cúpula do tucanato sabe que houve corrupção em larga escala. O que não contava é que isso se tornasse tão evidente. Já se avalia que algumas provas do escândalo são incontestáveis e que haverá delatores suficientes para enrascar algumas de suas maiores lideranças até o pescoço, com crueza de detalhes.

Na fissura do salve-se quem puder, o PSDB quer evitar a estratégia adotada pelo PT. O PT assumiu que houve irregularidades, mas rechaçou peremptoriamente a prática de crimes. Se solidarizou com os acusados e atacou quem os condenou. Os tucanos que estão com os nomes jogados na lama serão abandonados – lama é apenas uma maneira de dizer, trata-se de algo bem pior.

O partido que ajudou a envenenar o poço agora vê que não pode reclamar de beber da água. A tentativa de se distinguir dos petistas será vendida como um ato de desprendimento em relação aos seus malfeitores. A questão, no entanto, não tem qualquer fidalguia.

A acusação mais grave que os petistas sofreram no STF foi a de atentar contra o Estado democrático e o funcionamento das instituições. Segundo o delator, Roberto Jefferson, o dinheiro amealhado teria sido distribuído a parlamentares de partidos para a compra de votos no Congresso - por isso o apelido de mensalão. E os tucanos? O que poderão dizer de um escândalo envolvendo a construção de um metrô que teve, como destino final, dinheiro guardado em contas bancárias na Suíça? Não é política. Tem cara, cheiro e cor de enriquecimento. Não é poder, é dinheiro. Não é mensalão. É propina.

Os petistas estão indignados e querem seus dirigentes de volta. A condenação de José Dirceu, Genoíno e Delúbio uniu até quem passou a vida fazendo oposição a eles dentro do PT. Os tucanos estão divididos e querem defenestrar aqueles que foram pegos com a mão na massa, pelo menos seus operadores, porque já sabem que deles não podem esperar qualquer reciprocidade partidária.

O PT trata seus três mosqueteiros como heróis - o quarto, João Paulo Cunha, está a caminho. O PSDB está fazendo sua lista de párias para publicá-la a qualquer momento.

Realmente, são duas coisas completamente diferentes. Enquanto o PT cospe fogo, o PSDB se prepara para engolir espadas.


(*) Antonio Lassance é doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB).

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

As jabuticaba​s constituci​onais do Supremo

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http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/As-jabuticabas-constitucionais-do-Supremo/4/29736




Carta Maior, 06/12/2013



As jabuticabas constitucionais do Supremo

 
Por Wanderley Guilherme dos Santos


A Ação Penal 470 continua a desafiar direitos constitucionais. Durante o julgamento foram indevidamente excluídas de referência todas as passagens dos documentos e dos testemunhos que comprovavam a inocência dos três presos políticos do PT nos crimes em que foram condenados. Ademais, cassou-se o direito de dupla instância de julgamento, a pretexto de que a fase de avaliação dos recursos, principalmente dos infringentes, atenderia ao direito assegurado pelos códigos pertinentes. E eis que, surgida a oportunidade, os encarniçados Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e Luiz Fux, acompanhados pelos oscilantes habituais, quase impediram o julgamento dos recursos. Não é de espantar, em um colegiado que convalida a tese de que promotores não estão obrigados a provar que os acusados são cúmplices pelo conhecimento, e possivelmente artífices, de supostos crimes cometidos.

Exigiu-se, sob a presidência de outro encarniçado ora aposentado, Carlos Ayres de Brito, que os acusados provassem que não tiveram conhecimento do crime, até porque não reconheciam que tal ilícito houvesse ocorrido. Como é curial, a tese é logicamente descabida, mas aceita alegremente, protestos em contrário não obstante, pela esmagadora maioria do Supremo. Só por isso aquelas sessões, gravadas, serão objeto de escárnio pela eternidade do direito universal.

Sempre é bom relembrar o extraordinário silogismo descoberto em parceria por Ayres de Brito e Rosa Weber. Eis o seu enunciado: Mandantes de crime escondem todas as provas; não há provas contra José Dirceu; logo, José Dirceu foi o mandante do crime. Esta pérola, entre várias outras, está gravada também para os séculos futuros, juntamente com a alegação de que se trata de dedução legítima da teoria do domínio dos fatos.

Agora adentramos o capítulo do cumprimento das penas. Não foi decisão que enobreça a jurisprudência fazer conduzir os condenados a Brasília. Legal ou não, expressou o desejo de saborear a sentença de um castigo suplementar. A data de 15 de novembro ficará condecorada por esta valentia sem mérito, em combate contra adversários doentes e previamente linchados. Ao que consta, a biografia do ministro Joaquim Barbosa registra outros episódios de bravura semelhante.

Tal como aconteceu durante as sessões do julgamento, é até apreciável, se vista por um ângulo maligno, a destreza com que juízes de inegável e subida competência jurídica aplicam golpes de surpreendente agilidade nos artigos, parágrafos e alíneas da legislação vigente. Casuísticas e sutilíssimas distinções são extraídas da definição de regimes abertos, semi-abertos e fechados, incluindo considerações sobre a linearidade ou não dos benefícios atribuídos a cada regime, a natureza do tempo newtoniano e o paradoxo das maiorias rotativas.

Os dois últimos temas dizem tanto a respeito dos direitos de apenados quanto o Pilates interpretativo dos juízes. Trata-se tão somente de exibir independência dos juízes diante de réus, assim dito, poderosos. Pois, em geral, acredito mesmo na independência do Supremo Tribunal Federal e justo por isso nada me convencerá de que a Ação Penal 470 não constitui um trágico julgamento de exceção. Trágico para muitos dos condenados, trágico para a história do Judiciário brasileiro.
Mas não terminou. Agora é o direito de livre expressão a sofrer assédio certamente imoral por parte de juízes e ex-juízes. Onde se encontra a lei que retira a prisioneiros de qualquer índole o direito de expressão, e mais, de expressão impressa? Problema sério que o mundo contemporâneo, extravasando os limites de legislação obsoleta, apresenta. Como impedir que um preso mantenha um sítio na internet? Não há menção constitucional a essa modalidade específica de manifestar opinião. O direito à livre expressão (e impressão) de pensamento não hospeda qualificações.

Sabem os especialistas que a tese de que existem países integralmente democráticos é uma balela. A Inglaterra censura jornais e livros, a França proíbe filmes e os Estados Unidos, com o chamado Ato Patriótico, admite a prisão de pessoas sem comunicação à Justiça e a violação de correspondência. Mas têm fundamento legal, de um direito arcaico ou obtuso, mas têm. Não no Brasil. Os casos em que a manifestação de opinião está sujeita a penalidades são constitucionalmente consignados e, todos eles, sempre após o fato, nunca previamente. Capaz de vir por aí outra jabuticaba nacional: a prisão semi-aberta cumprida sob incomunicabilidade.