terça-feira, 2 de julho de 2013

A restauraçã​o em marcha



Terça-Feira, 02 de Julho de 2013


 

A restauração em marcha: ‘A rua já deu o que tinha que dar’


 
Por Saul Leblon



Dos partidos da oposição, o único que aceitou o convite da Presidenta Dilma para conversar sobre o Brasil e a reforma política foi o PSOL.

Demotucanos e assemelhados declinaram.

Os campos se definem em relação às ruas.

Caminha-se para um realinhamento da cena política brasileira.

Se a conversa Dilma/PSOL abrir espaços para um aggiornamento à esquerda da governabilidade, algo de inestimável importância terá acontecido nos dias correm.

Alegam PSDB, Demos e PPS não ter sobre o que conversar.

Faz sentido.


Dilma pretendia ouvi-los sobre a convocação de um plebiscito para estreitar a aderência do sistema político às ruas.

‘Ora direis ouvir as ruas’, replicam demotucanos em sua esférica coerência.

Ouvir as ruas é tudo o que o credo neoliberal entende que não deva ser feito nessa hora; em qualquer hora.


A escuta forte da sociedade soa como dissonância chavista aos ouvidos congestionados pela cera secular conservadora.

A democracia para esse sistema auditivo é um ornamento.

Um adereço nos colóquios dos salões elegantes. Um caramelo, após o cafezinho.

Nos dias que correm, a democracia é a citação de rodapé da judicialização da política.

Sobretudo, a democracia destas siglas gêmeas deve lubrificar a obediência da sociedade aos livres mercados.

É o oposto do que pensa a tradição socialista: a democracia cresce justamente quando escapa aos limites liberais e se impõe como força normativa aos mercados.

Ganha relevância assim.

Quando assume o papel de contrapeso histórico aos apetites rapinosos do dinheiro grosso.

É democracia de fato ao romper a película liberal para se tornar, também, democracia social.

O extremo oposto conservador entende que ouvir as ruas é algo que só cabe em doses módicas.

Com o dinheiro a cerzir as amarras entre o presente e o futuro.

De quatro em quatro anos.

Nunca em ciclos curtos, ou de crise, quando o mais aconselhável são as elites – no limite, os quartéis - assumirem a tutela da vontade popular.

Consultas regulares à cidadania e tudo o mais que possa tornar volátil o mando e o comando devem ser execrados.

Volatilidade é uma prerrogativa dos capitais.

Irrepartível.

À política cabe a tarefa de calcificar o poder e embalsamar a sociedade.

Editoriais de O Globo, Estadão e Veja, ademais de centuriões da mesma extração, uivam a rejeição ao plebiscito e à Constituinte.

O que lhes interessava das ruas, as ruas já deram.

O Datafolha, no calor da Paulista, recompôs a chance de um 2º turno em 2014.

A narrativa tratou de ofuscar o ruído de longo curso, subjacente ao desabafo da hora: se candidato, Lula levaria de 1ª, com 46% dos votos.

A Folha entendeu; e tanto que escondeu o tropeço na primeira página. E pisoteou a informação nas entrelinhas internas.

É preciso desfrutar a ‘colheita’, crua, se necessário, para não desperdiçar a janela de oportunidade.

Interesses que operam no sentido de subtrair fatias de poder à democracia estão satisfeitos com o saldo.

Há mais de 30 anos tem sido hábeis em interditar o debate das grandes escolhas do desenvolvimento.

Para isso, escavaram fossos intransponíveis entre a soberania nacional e a supremacia das finanças desreguladas no circuito global.

Assim se assegurou a hegemonia do poder extra-ruas.

Por que abririam mão dele justamente agora, em pleno divisor de ciclo, quando linhas de passagem terão que ser erguidas em direção a um novo projeto de desenvolvimento?

O ‘não’ ao convite de Dilma encerra a solidez de uma coerência histórica.

A contrapartida cabe à esquerda.

A sorte do país e o destino de sua democracia dependem, em grande parte, do desdobramento concreto que o diálogo simbólico entre Dilma e o PSOL produzir na unificação da agenda progressista brasileira.

Não apenas para articular a reforma política. Mas para democratizar o crucial debate sobre o passo seguinte da luta pelo desenvolvimento.

A ver.

Doutores do anticomuni​smo

Imagem inline 1

http://istoe.com.br/colunas-e-blogs/coluna/311970_DOUTORES+DO+ANTICOMUNISMO
 

Doutores do anticomunismo



Paulo Moreira Leite - Desde janeiro de 2013, é diretor da ISTOÉ em Brasília. Dirigiu a Época e foi redator chefe da VEJA, correspondente em Paris e em Washington. É autor dos livros A Mulher que era o General da Casa e O Outro Lado do Mensalão.



Em nota anterior, lembrei que há um  componente social evidente na discussão. O apoio à vinda dos médicos estrangeiros é maior entre os brasileiros de renda menor, que residem em regiões carentes – onde, simplesmente, não há médicos quando mais se precisa deles.
Outro aspecto é ideológico. Não temos um debate exclusivamente sobre saúde pública nem sobre garantias para a população mais pobre do país. Mas sobre o perigo comunista.
 
É ridículo, mas é verdade. Basta ler a imprensa nativa. 
 
Querem nos fazer acreditar que por trás do envio de médicos cubanos ao país encontra-se um plano do regime de Raul e Fidel Castro para exportar a influência de Havana para o Brasil.
 
Seria uma ideia plausível nos anos 1960 e 1970, quando Fidel realmente imaginou que poderia exportar suas ideias e seu regime. Ajudou grupos guerrilheiros, protegeu perseguidos, deu treinamento e aulas de luta armada.
 
O problema, em 2013, é que a própria Organização Mundial de Saúde tem dados que mostram que os médicos cubanos podem fazer um serviço útil à população carente de outros países. 
 
Conheci médicos cubanos em Caracas, em 2006, quando fui fazer uma reportagem sobre a Venezuela de Hugo Chávez.
 
Conversei com médicos venezuelanos que ridicularizavam os conhecimentos dos colegas cubanos, como se fossem maus alunos de faculdades de má qualidade.
 
Poucos anos antes, a Federação dos Médicos da Venezuela havia boicotado uma oferta de vagas abertas pelo governo de Chávez para atender à população carente (a história se repete...), o que havia levado à assinatura de um acordo para receber os profissionais cubanos.
 
Visitei um posto de saúde numa favela de Caracas onde moradores pobres  eram atendidos com dignidade e satisfação. Pessoas acidentadas tinham direito a fazer fisioterapia. Pacientes mais graves contavam com médicos por perto. Não me contaram. Eu vi.
 
Eu não me sentia no ambulatório de um grande hospital privado de São Paulo, mas estava num ambiente com muito mais equipamento e pessoal do que nossos postos de saúde. Não havia fila nem atropelos nem pacientes deitados numa maca à espera de atendimento. 
 
Embora tivesse feito uma visita surpresa, eu podia suspeitar que estava assistindo a um showzinho ideológico para correspondente internacional. Ninguém é bobo nessa matéria, vamos combinar. A saúde pública era um dos trunfos do governo Chávez e ninguém iria querer me mostrar seus efeitos.
 
Minhas dúvidas foram dissipadas depois de consultar os técnicos da Organização Mundial de Saúde. Entusiastas do programa de cooperação com os médicos cubanos, eles mostraram números conclusivos, que confirmavam os bons resultados da iniciativa.
 
Conforme o representante da OMS me disse, na época, em poucos anos o trabalho dos cubanos na área de medicina preventiva havia transformado o desempenho da Venezuela em inferior apenas ao do Brasil – muito superior aos vizinhos, nesse terreno. Os números de mortalidade infantil sofreram uma queda drástica, da mesma forma que o atendimento em vários centros disparou. Se a mortalidade por diarreia era 83 por 100.000 em 1996, fora reduzida a 30 por 100.000 em 2005. Os casos de pneumonia caíram de 30 por 100.000 para 16 no mesmo período. Embora fosse um processo evolutivo, anterior à chegada dos cubanos, as quedas mais significativas ocorreram quando eles se encontravam no país, quando as mortes desabavam.  
 
Avaliando este trabalho, a Organização Panamericana de Saúde, representante local da OMS, atestou que “na medida que os médicos e médicas cubanas começaram a tratar de pacientes, sua aceitação nos bairros foi crescendo. Como resolviam tanto casos agudos como crônicos, com resultados tangíveis na melhoria do estado de saúde das pessoas, as comunidades foram valorizando sua capacidade. “(Ver documento “Bairro Adentro, direito a saúde e inclusão social na Venezuela”, OPS, página 28). 
 
Referindo-se a um atendimento que não se via nos pontos remotos e miseráveis do país, uma auxiliar de enfermagem revelou que se tornou possível procurar atendimento a qualquer hora do dia ou da noite, “médicos que estão no dia a dia conosco, que sentem e vivem a pobreza conosco. Isso, para nós é o mais valioso.”(Bairro Adentro... página 29).
 
Diante de resultados tão evidentes, não consigo encontrar um motivo legítimo para se tentar impedir a vinda de médicos cubanos ao país.  Sei que eles não serão capazes, sozinhos, de curar todos os males de nosso sistema de saúde, mas é difícil negar que poderão prestar um auxílio muito necessário. 
 
Tampouco se pode dizer que trarão os mesmos benefícios, na mesma velocidade, na mesma quantidade.
 
Combater sua chegada, sem oferecer alternativas concretas, é uma iniciativa motivada por baixos interesses políticos e nenhuma sensibilidade social. De olho em 2014, aposta-se no “quanto pior, melhor”.
 
Para se reforçar o caráter ideológico da iniciativa, procura-se debater a vinda de médicos estrangeiros como se a iniciativa envolvesse apenas profissionais cubanos. O plano, na verdade, inclui médicos portugueses e espanhóis.  Mas como estes não combinam com o figurino do médico-guerrilheiro, evita-se mencionar sua presença. 

João Pedro Stedile: O significad​o e as perspectiv​as das mobilizaçõ​es de rua






Entrevista do Stédile ao Brasil de Fato

Data: 02/07/2013
  Fonte: Brasil de Fato

João Pedro Stedile: O significado e as perspectivas das mobilizações de rua



É hora do governo aliar-se ao povo ou pagará a fatura no futuro. Essa é uma das avaliações de João Pedro Stedile, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) sobre as recentes mobilizações em todo o país. Segundo ele, há uma crise urbana instalada nas cidades brasileiras, provocada por essa etapa do capitalismo financeiro. “As pessoas estão vivendo um inferno nas grandes cidades, perdendo três, quatro horas por dia no trânsito, quando poderiam estar com a família, estudando ou tendo atividades culturais”, afirma. Para o dirigente do MST, a redução da tarifa interessava muito a todo o povo e esse foi o acerto do Movimento Passe livre, que soube convocar mobilizações em nome dos interesses do povo.

Nesta entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Stedile fala sobre o caráter dessas mobilizações, e faz um chamamento: devemos ter consciência da natureza dessas manifestações e irmos todos para a rua disputar corações e mentes para politizar essa juventude que não tem experiência da luta de classes. “A juventude está de saco cheio dessa forma de fazer política burguesa, mercantil”, constata. E faz uma alerta: o mais grave foi que os partidos da esquerda institucional, todos eles, se moldaram a esses métodos. Envelheceram e se burocratizaram. As forças populares e os partidos de esquerda precisam colocar todas as suas energias para ir para a rua, pois está ocorrendo, em cada cidade, em cada manifestação, uma disputa ideológica permanente da luta dos interesses de classes. “Precisamos explicar para o povo quem são os principais inimigos do povo”.



1. Como você analisa as recentes manifestações que vem sacudindo o Brasil nas ultimas semanas? Qual é base econômica para elas terem acontecido?

JPS - Há muitas avaliações de porque estão ocorrendo estas manifestações. Me somo à analise da professora Erminia Maricato, que é nossa maior especialista em temas urbanos e já atuou no Ministério das cidades na gestão Olivio Dutra. Ela defende a tese de que há uma crise urbana instalada nas cidades brasileiras provocadas por essa etapa do capitalismo financeiro. Houve uma enorme especulação imobiliária que elevou os preços dos alugueis e do terrenos em 150% nos últimos três anos. O capital financiou sem nenhum controle governamental, a venda de automóveis, para enviar dinheiro pro exterior e transformou nosso trânsito num caos. E nos últimos dez anos não houve investimento em transporte publico. O programa habitacional minha casa, minha vida, empurrou os pobres para as periferias, sem condições de infra-estrutura. Tudo isso gerou uma crise estrutural em que as pessoas estão vivendo num inferno, nas grandes cidades, perdendo, três quatro horas por dia no transito, quando poderiam estar com a família, estudando ou tendo atividades culturais.   Somado a isso, a péssima qualidade dos serviços públicos em especial na saúde e mesmo na educação, desde a escola fundamental, ensino médio, em que os estudantes saem sem saber fazer uma redação. E o ensino superior virou lojas de vendas de diplomas a prestações, aonde estão 70% dos estudantes universitários.

2. E do ponto de vista político, por que aconteceu?

Os quinze anos de neoliberalismo e mais os últimos dez anos de um governo de composição de classes transformou a forma de fazer política em refém apenas dos interesses do capital.
   Os partidos ficaram velhos em suas praticas e se transformaram em meras siglas que aglutinam, em sua maioria, oportunistas para ascender a cargos públicos ou disputar recursos públicos para seus interesses. Toda juventude nascida depois das diretas já, não teve oportunidade de participar em política.   Hoje, para disputar qualquer cargo, por exemplo, de vereador o sujeito precisa ter mais de um milhão de reais, deputado custa ao redor de dez milhões. Os capitalistas pagam e depois os políticos obedecem.    A juventude está de saco cheio dessa forma de fazer política burguesa, mercantil.    Mas o mais grave foi que os partidos da esquerda institucional, todos eles, se moldaram a esses métodos. Envelheceram e se burocratizaram. E por tanto gerou na juventude uma ojeriza a forma dos partidos atuarem. E eles tem razão. A juventude não é apolítica, ao contrario, tanto é que levou a política para as ruas, mesmo sem ter consciência do seu significado. Mas está dizendo que não agüenta mais assistir na televisão essas práticas políticas, que seqüestraram o voto das pessoas, baseadas na mentira e na manipulação. E os partidos de esquerda precisam reapreender que seu papel é organizar a luta social e politizar a classe trabalhadora. Senão cairão na vala comum...da historia.

3. E porque as manifestações eclodiram somente agora?

Provavelmente tenha sido a soma de diversos fatores de caráter da psicologia de massas, do que de alguma decisão política planejada. Somou-se todo o clima que comentei, mais as denuncias de superfaturamento das obras dos estádios, que é um acinte ao povo.   Vejam alguns episódios. A rede globo recebeu do governo do estado do Rio e da prefeitura, 20 milhões de reais de dinheiro publico, para organizar o showzinho de apenas duas horas, do sorteio dos jogos da copa das confederações. O estádio de Brasília custou 1,4 bilhões e não tem ônibus na cidade! A ditadura explícita e as maracutais que a FIFA/CBF impuseram e os governos se submeteram. A reinauguração do Maracanã foi um tapa no povo brasileiro. As fotos eram claras, no maior templo do futebol mundial não havia nenhum negro ou mestiço!    E aí o aumento das tarifas de ônibus, foi apenas a faísca para ascender o sentimento generalizado de revolta, de indignação. A gasolina para a faísca, veio do governo Alckmin, que protegido pela mídia que ele financia, e acostumado a bater no povo impunemente, como fez no Pinheirinho, e em outros despejos rurais e urbanos, jogou sua polícia para a barbárie. Ai todo mundo reagiu.

Ainda bem que a juventude acordou.   E nisso houve o mérito do Movimento passe Livre, que soube capitalizar essa insatisfação popular e organizou os protestos na hora certa.

4. Por que a classe trabalhadora ainda não foi à rua?

É verdade a classe trabalhadora ainda não foi para a rua. Quem está na rua são os filhos da classe média, da classe media baixa, e também alguns jovens do que o Andre Singer chamaria de sub-proletariado, que estudam e trabalham no setor de serviços, que melhoraram as condições de consumo, mas querem ser ouvidos. Esses últimos apareceram mais em outras capitais e nas periferias.

 A redução da tarifa interessava muito a todo povo e esse foi o acerto do Movimento passe livre, soube convocar mobilizações em nome dos interesses do povo. E o povo apoiou as manifestações e isso está expresso nos índices de popularidade dos jovens, sobretudo quando foram reprimidos.

A classe trabalhadora demora a se mover, mas quando se move, afeta diretamente ao capital.   Coisa que ainda não começou acontecer. Acho que as organizações que fazem a mediação com a classe trabalhadora ainda não compreenderam o momento e estão um pouco tímidas. Mas a classe, como classe acho que esta disposta a também lutar. Veja, que o numero de greves por melhorias salariais, já recuperou os padrões da década de 80.   Acho que é apenas uma questão de tempo, e se as mediações acertarem nas bandeiras que possam motivar a classe a se mexer.     Nos últimos dias, já se percebe que em algumas cidades menores e nas periferias das grandes cidades já começam a ter manifestações com bandeiras de reivindicações bem localizadas. E isso é muito importante.

4. E voces do MST e dos camponeses tambem não se mexeram ainda...

É verdade. Nas capitais aonde temos assentamentos e agricultores familiares mais próximos já estamos participando. E inclusive sou testemunho que fomos muito bem recebidos com nossa bandeira vermelha e com nossa reivindicação de Reforma agrária e alimentos saudáveis e baratos para todo povo.    Acho que nas próximas semanas poderá haver uma adesão maior, inclusive realizando manifestações dos camponeses nas rodovias e municípios do interior.    Na nossa militância está todo mundo doido para entrar na briga e se mobilizar.   Espero que também se mexam logo....

5. Qual é na sua opinião a origem da violência que tem acontecido em algumas manifestações?

Primeiro vamos relativizar. A burguesia através de suas televisões tem usado a tática de assustar o povo colocando apenas a propaganda dos baderneiros e quebra-quebra.    São minoritários e insignificantes diante das milhares de pessoas que se mobilizaram.   Para a direita interessa colocar no imaginário da população que isso é apenas bagunça, e no final se tiver caos, colocar a culpa no governo e exigir a presença das forças armadas.   Espero que o governo não cometa essa besteira de chamar a guarda nacional e as forças armadas para reprimir as manifestações. É tudo o que a direita sonha!

Quem está provocando as cenas de violência é a forma de intervenção da Policia Militar. A PM foi preparada desde a ditadura militar para tratar o povo sempre como inimigo. E nos estados governados pelos tucanos (SP, RJ e MG), ainda tem a promessa de impunidade.

Há grupos direitistas organizados com orientação de fazer provocações e saques. Em são Paulo atuaram grupos fascistas. E leões de chácaras contratados. No Rio de Janeiro atuaram as milícias organizadas que protegem seus políticos conservadores.
E claro, há também um substrato de lumpesinato que aparece em qualquer mobilização popular, seja nos estádios, carnaval, até em festa de igreja, tentando tirar seus proveitos.

6. Há então uma luta de classes nas ruas ou é apenas a juventude manifestando sua indignação?

É claro que há uma luta de classes na rua.   Embora ainda concentrada na disputa ideológica. E o que é mais grave, a própria juventude mobilizada, por sua origem de classe, não tem consciência de que está participando de uma luta ideológica.  Vejam, eles estão fazendo política da melhor forma possível, nas ruas. E ai escrevem nos cartazes: somos contra os partidos e a política? E por isso tem sido tão difusa as mensagens nos cartazes.   Está ocorrendo em cada cidade, em cada manifestação, uma disputa ideológica permanente da luta dos interesses de classes.   Os jovens estão sendo disputados pelas idéias da direita e pela esquerda.   Pelos capitalistas e pela classe trabalhadora.

Por outro lado, são evidentes os sinais da direita muito bem articulada,e de seus serviços de inteligência, que usam a internet, se escondem atrás das mascaras e procuram criar ondas de boatos e opiniões pela internet.
De repente uma mensagem estranha alcança milhares de mensagens. E ai se passa a difundir o resultado como se ela fosse a expressão da maioria. Esses mecanismos de manipulação foram usados pela CIA e o departamento de estado Estadunidense, na primavera árabe, na tentativa de desestabilização da Venezuela, na guerra da Síria. E é claro que eles estão operando aqui também para alcançar os seus objetivos.

7. E quais são os objetivos da direita e suas propostas?

A classe dominante, os capitalistas, os interesses do império Estadunidense e seus porta-vozes ideológicos que aparecem na televisão todos os dias, tem um grande objetivo: Desgastar ao máximo o governo Dilma, enfraquecer as formas organizativas da classe trabalhadora, derrotar qualquer propostas de mudanças estruturais na sociedade brasileira e ganhar as eleições de 2014, para recompor uma hegemonia total no comando do estado brasileiro, que agora está em disputa.

Para alcançar esses objetivos eles estão ainda tateando, alternando suas táticas. Às vezes provocam a violência, para desfocar os objetivos dos jovens. Às vezes colocam nos cartazes dos jovens a sua mensagem.   Por exemplo, a manifestação do sábado, embora pequena, em são Paulo, foi totalmente manipulada por setores direitistas que pautaram apenas a luta contra a PEC 37, com cartazes estranhamente iguais e palavras de ordem iguais. Certamente a maioria dos jovens nem sabem do que se trata.   E é um tema secundário para o povo, mas a direita está tentando levantar as bandeiras da moralidade, como fez a UDN em tempos passados. Isso que já estão fazendo no congresso, logo logo, vão levar às ruas.

Tenho visto nas redes sociais controladas pela direita, que suas bandeiras, alem da PEC 37, são: Saída do Renan do senado; CPI e transparência dos gastos da COPA; Declarar a corrupção crime hediondo e fim do foro especial para os políticos. Já os grupos mais fascistas ensaiam FORA DILMA e abaixo-assinados pelo impechment.    Felizmente essas bandeiras não tem nada ver com as condições de vida das massas, ainda que elas possam ser manipuladas pela mídia.   E objetivamente podem ser um tiro no pé. Afinal, é a burguesia brasileira, seus empresários e políticos que são os maiores corruptos e corruptores.   Quem se apropriou dos gastos exagerados da copa? A rede globo e as empreiteiras!

9. Quais os desafios que estão colocados para a classe trabalhadora e as organizações populares e partidos de esquerda?

Os desafios são muitos. Primeiro devemos ter consciência da natureza dessas manifestações, e irmos todos para a rua, disputar corações e mentes para politizar essa juventude que não tem experiência da luta de classes.   Segundo, a classe trabalhadora precisa se mover.   Ir para a rua, manifestar-se nas fábricas, campos e construções, como diria Geraldo Vandré. Levantar suas demandas para resolver os problemas concretos da classe, do ponto de vista econômico e político. Terceiro, precisamos explicar para o povo quem são os principais inimigos do povo. E agora são os bancos, as empresas transnacionais que tomaram conta de nossa economia, os latifundiários do agronegócio, e os especuladores.

Precisamos tomar a iniciativa de pautar o debate na sociedade e exigir a aprovação do projeto de redução da jornada de trabalho para 40 horas; exigir que a prioridade de investimentos públicos seja em saúde, educação, reforma agrária. Mas para isso o governo precisa cortar juros e deslocar os recursos do superávit primário, aqueles 200 bilhões que todo ano vão para apenas 20 mil ricos, rentistas, credores de uma divida interna que nunca fizemos, deslocar para investimentos produtivos e sociais. E é isso que a luta de classes coloca para o governo Dilma: os recursos públicos irão para a burguesia rentista ou para resolver os problemas do povo?

Aprovar em regime de urgência para que vigore nas próximas eleições uma reforma política de fôlego, que no mínimo institua o financiamento publico exclusivo da campanha. Direito a revogação de mandatos e plebiscitos populares auto-convocados.

Precisamos de uma reforma tributaria que volte a cobrar ICMS das exportações primárias e penalize a riqueza dos ricos, e amenize os impostos dos pobres, que são os que mais pagam.

Precisamos que o governo suspenda os leilões do petróleo e todas as concessões privatizantes de minérios e outras áreas publicas. De nada adianta aplicar todo royalties do petróleo em educação, se os royalties representarão apenas 8% da renda petroleira, e os 92% irão para as empresas transnacionais que vão ficar com o petróleo nos leilões!


Uma reforma urbana estrutural, que volte a priorizar o transporte publico, de qualidade e com tarifa zero. Já está provado que não é caro, e nem difícil instituir transporte gratuito para as massas das capitais. E controlar a especulação imobiliária.

E finalmente, precisamos aproveitar e aprovar o projeto da conferencia nacional de comunicação, amplamente representativa, de democratização dos meios de comunicação. Para acabar com o monopólio da Globo, e para que o povo e suas organizações populares tenham ampla acesso a se comunicar, criar seus próprios meios de comunicação, com recursos públicos.    Ouvi de diversos movimentos da juventude que estão articulando as marchas, que talvez essa seja a única bandeira que unifica a todos: Abaixo o monopólio da Globo!   

Mas para que essas bandeiras tenham ressonância na sociedade e pressionem o governo e os políticos, somente acontecerá se a classe trabalhadora se mover.

1O. O que o governo deveria fazer agora?

Espero que o governo tenha a sensibilidade e a inteligência de aproveitar esse apoio, esse clamor que vem das ruas, que é apenas uma síntese de uma consciência difusa na sociedade, que é hora de mudar. E mudar a favor do povo. E para isso o governo precisa enfrentar a classe dominante, em todos os aspectos.   Enfrentar a burguesia rentista, deslocando os pagamentos de juros para investimentos em áreas que resolvam os problemas do povo.   Promover logo as reformas políticas, tributárias.    Encaminhar a aprovação do projeto de democratização dos meios de comunicação. Criar mecanismos para investimento pesados em transporte público, que encaminhem para a tarifa zero. Acelerar a reforma agrária e um plano de produção de alimentos saídos para o mercado interno.

Garantir logo a aplicação de 10% do PIB em recursos públicos para a educação em todos os níveis, desde as cirandas infantis nas grandes cidades, ensino fundamental de qualidade até a universalização do acesso dos jovens a universidade publica.
Sem isso, haverá uma decepção, e o governo entregará para a direita a iniciativa das bandeiras, que levarão a novas manifestações, visando desgastar o governo ate as eleições de 2014.    É hora do governo aliar-se ao povo, ou pagar a fatura no futuro.  

11. E que perspectivas essas mobilizações podem levar para o país  nos próximos meses?

Tudo ainda é uma incógnita. Porque os jovens e as massas estão em disputa.    Por isso que as forças populares e os partidos de esquerda precisam colocar todas suas energias, para ir para a rua. Manifestar-se, colocar as bandeiras de luta de reformas que interessam ao povo.    Porque a direita vai fazer a mesma coisa e colocar as suas bandeiras, conservadoras, atrasadas, de criminalização e estigmatização das idéias de mudanças sociais.   Estamos em plena batalha ideológica, que ninguém sabe ainda qual será o resultado.   Em cada cidade, cada manifestação, precisamos disputar corações e mentes.    E quem ficar de fora, ficara de fora da historia.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

OGX, de Eike, suspende projetos, e ações desabam na Bolsa

Imagem inline 1

Do UOL, em São Paulo 01/07/2013

OGX, de Eike, suspende projetos, e ações desabam na Bolsa



A ação da OGX, petrolífera do empresário Eike Batista, desabava na Bolsa nesta segunda-feira (1º). Por volta das 15h35, o papel despencava 25,32%, a R$ 0,59, depois de ter chegado a cair mais de 39% pela manhã.
A ação era a principal influência de baixa para o Ibovespa, principal índice da Bolsa, que tinha queda de 0,56%.
Mais cedo, a petroleira anunciou que pretende suspender o desenvolvimento de três campos de petróleo e interrompeu a construção de cinco plataformas. A empresa também informou que não investirá no aumento da produção dos poços do campo de Tubarão Azul, na bacia de Campos, onde a extração pode parar no ano que vem.
As sucessivas frustrações com o nível de produção da OGX e a queima de caixa pela petroleira têm motivado forte queda das ações da empresa, contagiando os papéis de outras companhias de Eike listadas na Bovespa. Com o preço da ação cotado abaixo de R$ 1, as oscilações na Bolsa ficam mais intensas, e diferenças de centavos causam grandes variações percentuais.
"Essa notícia é bem negativa", disse o estrategista Luis Gustavo Pereira, da Futura Corretora em São Paulo. "Aquele cenário que já era difícil para a OGX no ano que vem, acaba ficando ainda mais crítico", avaliou, lembrando temores do mercado sobre a situação de caixa da petrolífera.
Outras ações do grupo EBX, de Eike, completavam a lista de piores quedas do Ibovespa nesta segunda-feira. A companhia de logística LLX perdia mais de 9%, e a mineradora MMX caía 8%.
Diante da mudança nos planos da OGX, a companhia informou que decidiu cancelar algumas compras da OSX, empresa de construção naval que também pertence ao grupo EBX. A ação, que não faz parte do Ibovespa, perdia 3,57%.


Ações de Eike enfrentam crise no mercado

As seis empresas do bilionário listadas em Bolsa (OGX, MMX, MPX, OSX, LLX e CCX) enfrentam uma séria crise no mercado, com o receio de investidores. As ações das empresas têm grandes oscilações cada vez que um novo boato ganha repercussão.
O valor de mercado das empresas de Eike teve uma queda de R$ 109 bilhões, do melhor momento das empresas na Bolsa de Valores até a cotação do fechamento da última quinta-feira (27), segundo levantamento do jornal "Valor Econômico".


Eike pode perder controle de grupo de empresas

Com o império em crise, o bilionário Eike Batista pode perder o controle do grupo EBX. Em uma reportagem especial sobre as perdas das empresas do brasileiro nos últimos meses, o jornal norte-americano "The New York Times" afirma que, com o aumento das dívidas do grupo, os principais credores (grandes bancos) "poderiam levá-lo a uma reestruturação que poderia lhe custar o controle das companhias".
Ainda de acordo com o "NYT", as dificuldades do bilionário refletem o momento atual da economia brasileira, com a reversão de expectativas dos investidores internacionais.


Mais rico do mundo

Em maio de 2011, com uma fortuna estimada em US$ 30 bilhões, o brasileiro disse que se tornaria o mais rico do mundo até 2015 -mas o sonho tem ficado cada vez mais distante.
De lá para cá, suas empresas deixaram de cumprir cronogramas e de atingir metas, as ações das empresas do grupo EBX vêm perdendo valor na Bolsa e, consequentemente, a fortuna de Eike vem encolhendo.
(Com Reuters)

Jovens das ruas: Quem sabe faz a hora, não espera o pior acontecer!

Imagem inline 1
 
 
Jornal do Brasil, 01/07/2013
 
JOVENS DAS RUAS: QUEM SABE FAZ A HORA NÃO ESPERA O PIOR ACONTECER!

 
Hildegard Angel


 
 
Não é o povo que sai às ruas, é a classe média.

É e sempre foi…

Em 1968, foram os jovens de classe média que ocuparam a Cinelândia, no Rio de Janeiro, na passeata do estudante Edson Luís, morto no restaurante Calabouço. A primeira manifestação, depois vieram todas as outras.

Foram aqueles jovens da classe média que correram das patas dos cavalos, defenderam-se como puderam dos tanques dos déspotas, foram torturados nas masmorras da truculência e morreram em nome de nossa Democracia.

Depois vieram as passeatas das Diretas Já, dos Caras Pintadas e tantas outras, sempre tendo a juventude classe média como combustível da locomotiva que leva às ruas as multidões.

O hoje não difere do passado.

Os jovens estão nas ruas. Os jovens precisam das ruas. A juventude quer as ruas.
 
Não à toa Caetano Veloso cantou que “a Praça Castro Alves é do povo como o céu é do avião”. Ou que o próprio Castro Alves, muito antes, disse “A praça é do povo! como o céu é do condor”

Os jovens querem as ruas. Não só aqui e agora, mas em toda a parte e ontem, na 1968 de Cohn-Bendit, em Paris, dos Edson Luíses, na Cinelândia.

Os jovens querem gritar o que lhes aperta o peito, o grito da sua idade. E querem uma causa. A de agora nos é apresentada pela mídia como “a causa dos 20 centavos”.  Mas sabemos que é muito mais do que isso.
Esses moços sem ilusões gritam contra a insegurança em casa e fora dela; contra o sistema de saúde capenga, o público e o dos planos de saúde, que oprime a classe média lhe negando vagas, tratamentos e cirurgias, obrigando-a a longas esperas e filas, como se os usuários fossem pedintes e não pagantes; protestam contra os aluguéis extorsivos e inviáveis ao bolso do assalariado; contra o show de horrores da corrupção, corroendo todos os poderes, e não é de hoje.

Gritam contra as altas mensalidades escolares que obrigam a classe média a, para educar seus filhos, recorrer a um ensino público da pior qualidade; contra universidades sem verbas, sem reformas, sem equipamentos, em que os professores ganham salários vis e, por isso mesmo, não podem ser sequer um espectro do que foram os grandes mestres do passado.

Esses jovens da classe média se sentem maltratados. Ouvem boas notícias do governo, porque há muitas para serem dadas, realmente há – nosso país retomou seu desenvolvimento e encontrou uma forma mais justa de distribuir sua renda – mas esses resultados parecem não afetá-los.
Posicionada numa camada do meio, onde não é alcançada por benefícios que contemplam os mais pobres, situados abaixo dela, e incentivos que impulsionam o setor produtivo empresarial, colocados acima, a classe média protesta, entre outras coisas, porque se sente esquecida, relegada aos telefonistas do telemarketing.
Classe média entregue às gravações impessoais e sem rosto das prestadoras de serviços públicos e privados, que não lhes solucionam os problemas e a desrespeitam repetidamente, sob o beneplácito das agências reguladoras, criadas para defendê-la, porém solenemente ignoram sua angústia multiplicadora de AVCs e infartos do miocárdio.

Daí que, quando os jovens da classe média levantam a “bandeira dos 20 centavos”, mesmo sem andar de ônibus, como alguns já disseram, eles dão muitos gritos.
Gritam nas ruas pelos que não gritam, não querem gritar, não têm tempo, têm é pressa para chegar em casa, jantar e ver a novela.

Em 1969, espremido dentro dos ônibus lotados, o povão olhava com estranheza aqueles jovens da classe média sobraçando livros serem espancados pela polícia, enquanto berravam ensanguentados “pelo povo e abaixo a ditadura!”.

Mas o povo dos ônibus tinha pressa para ir dormir, descansar do dia puxado de trabalho. Pressa pra ir buscar ou levar os filhos na escola. Pressa pra fazer seu curso noturno e, com o diploma, ter um salário melhor. Pressa pra tirar os sapatos, esticar as pernas. Pressa pra uma chuveirada, mesmo fria.

Passadas cinco décadas, nosso povo continua com pressa pra conseguir lugar na barca. Pra chegar à estação do trem, à rodoviária. Pressa pra fazer a baldeação de dois, três ônibus, até seu ponto final. Pressa para botar a cabeça no travesseiro, pois há sempre o dia seguinte.
O povo tem pressa da pressa. Os jovens têm pressa das ruas. A polícia tem pressa de bater. Os partidos políticos têm pressa de ganhar eleição. E quem tem pressa de defender o Brasil?
Quem tem pressa de dar a esses jovens de 2013 uma bandeira de que o Brasil necessita com urgência? A bandeira do patriotismo!
Coragem de mostrar aos jovens as vísceras da realidade brasileira, oculta sob os panos cirúrgicos de uma vergonhosa operação lambança, a dos leilões petrolíferos da margem equatorial brasileira, roubando a estes mesmos jovens o seu futuro? Aquele futuro brilhante prometido na campanha eleitoral?

A Agência Nacional de Petróleo acaba de vender um bilhete premiado às empresas petrolíferas estrangeiras e todos se calaram.Perplexos, assistimos em maio passado como que a um grande conluio entre as classes dominantes em todas as esferas  – Executivo, Legislativo, Judiciário, grande mídia – parecendo compactuarem com o que, aos tempos de FHC, disse o primeiro diretor geral da ANP a uma plateia de empresários top: “O petróleo é vosso!”.
É fundamental levar a essa juventude inquieta das ruas a realidade desses leilões de entrega do patrimônio nacional às multinacionais, sem compensação ao povo brasileiro, um crime de lesa-pátria, um escárnio, um escarro na Soberania Nacional.
Pressa, temos pressa para que seja cumprida a promessa de campanha da candidata Dilma: “O pré-sal é o nosso passaporte para o futuro”.
No entanto, passadas as eleições e às vésperas de uma próxima, vemos chocados a retomada dos leilões, inclusive das áreas regidas pela Lei 9478/97, aquela que dá todo o petróleo a quem o produz e, para a União, apenas a suave obrigação de pagar módicos, inexpressivos, 10% de royalties, em dinheiro!

Migalhas atiradas da mesa da Casa Grande (os grandes grupos multinacionais) aos da senzala de sempre (nós).
Jovens das ruas, o Brasil precisa desesperadamente do protesto indignado de vocês contra o desprezo por uma questão estratégica para o País!
A corajosa juventude brasileira precisa, com pressa, fazer sua voz alçar voo, junto com o condor de Castro Alves, e bradar que a Petrobras não precisa leiloar nada, pois já descobriu mais de 54 bilhões de barris no pré-sal, que, somados à reserva anterior de 14 bilhões de barris, nos dão uma auto suficiência para mais de 50 anos.Por que, então, essa teimosia em realizar os leilões? Por que essa pressa?

Vemos hoje estrangulamentos sucessivos e ilegais na Petrobras, obrigando a empresa a importar derivados por preços menores do que é obrigada a vender no país.

Mas não obrigam as concorrentes multinacionais a fazerem o mesmo.
Vemos abrirem o caminho para o cartel internacional atuar em bloco e se beneficiar da eventual impossibilidade da Petrobras participar dos leilões. No da margem equatorial, foi pífia a participação da petrolífera brasileira, enquanto os compradores estrangeiros saíram deles de pança cheia e palitando os dentes (nada temos contra os investidores internacionais, mas não queremos ser explorados).

No caso do pré-sal, é previsto na nova lei 12351/10 que o vencedor do leilão é aquele que der maior percentual do lucro para a União.

Se a Petrobras não participar, o cartel poderá ganhar blocos com uma oferta irrisória do percentual do lucro, o que anularia o esforço do Governo Lula para neutralizar o estrago que a Lei 9478/97 tem feito ao País.

A última novidade foi a Receita Federal desengavetar esta semana um processo tentando impedir a Petrobras de participar dos próximos leilões do pré-sal. Se alguém chamar de complô, não estranharemos.
Jovens das ruas, aí está uma causa fundamental! Uma causa que definirá o seu futuro. Bandeira costurada na medida da sua energia à flor da pele, à flor de seu grito e de seu coração aberto: modulem a voz, engrossem o grito, deem à sua luta maior potência e tônus!

Afinal de contas: era ou não era o petróleo que iria garantir a nossa educação?
Já somos assaltados indefesos, nas ruas e dentro de casa.
Vamos reagir contra o pior de todos os assaltos: aquele contra a nossa possibilidade de independência, cidadania, prosperidade e futuro!
Vamos defender nossos interesses. O interesse do povo brasileiro.
Ser patriota não está fora de moda. Ainda está valendo. Esse papo de globalização é só pra nós. Nos países deles todos se ufanam da Nação que têm.
Vamos dar o nosso grito do Resgate Patriótico!
Se não abrirmos o olho e levantarmos nossa voz, o Brasil, mesmo com todo o seu petróleo do pré-sal, continuará senzala do mundo, curvando a cabeça e recebendo as migalhas da “Casa Grande” dos países poderosos

Não custa lembrar e até declamar o poema épico do ‘poeta dos escravos’ Castro Alves, cujos versos do século 19 vêm a calhar neste 21

Ao Povo o Poder“A praça é do povo! como o céu é do condor”.
É o antro onde a liberdade
cria águias em seu calor.
Senhor, pois quereis a praça?
Desgraçada a população!
Só tem a rua de seu…
Ninguém vos rouba os castelos,
Tendes palácios tão belos…
Deixai a terra ao Anteu.
Mas embalde… que o direito
Não é pasto de punhal
Nem a patas de cavalo
Se faz um crime legal…
Ah! não há muitos setembros!
Da plebe doem-se os membros
No chicote do poder,
E o momento é malfadado
Quando o povo ensanguentado
Diz: já não posso sofrer.