terça-feira, 18 de setembro de 2012

Rainhas célebres


 
 
UOL, 18/09/2012
 

Fotógrafa reimagina glamour e poder de sedução de rainhas históricas


A fotógrafa australiana Alexia Sinclair juntou pesquisa, roupas extravagantes e os mais modernos efeitos fotográficos para criar retratos imaginários de algumas das rainhas mais famosas da História.

Alexia viajou por cinco meses pela Europa para registrar as imagens de fundo do ensaio - como palácios e templos. Usando modelos e vestimentas de luxo inspiradas em roupas da época, ela retratou monarcas como Elizabeth 1ª, Maria Antonieta e Cleópatra, em um processo que ela descreveu à BBC Brasil como a combinação "de diferentes paisagens e arquiteturas europeias com as minhas modelos e adereços adicionais".

O resultado é o ensaio fotográfico "As Doze Rainhas" - das quais nós destacamos dez na galeria acima.

O trabalho todo durou três anos e as fotos são uma forma de conhecer mais sobre episódios importantes na história.

Imagem 1/10: Aqui está retratada a imperatriz romana Agripina, a jovem (14 DC - 53 DC) que se casou com seu tio, Cláudio. Acredita-se que ela tenha matado o marido por envenenamento, o que levou Nero ao poder na Roma antiga. O título é "a venenosa"

Imagem 2/10: Alexandra Romanov (1972-1918) se casou com Nicolau 2º e foi assassinada pelos bolcheviques na Revolução Russa. O título faz referência a esta queda da monarquia: "a última czarina".

Imagem 3/10: Catarina, a Grande (1729-1796), com o título "a imperadora iluminada"
 
 
Imagem 4/10: A rainha Cristina da Suécia (1626-1689) abriu mão de seu reinado para se converter ao catolicismo. No entanto, ela ficou famosa pelo seu comportamento masculinizado, que foi tema de vários livros e óperas. Daí, o título desta foto, "a rainha andrógina"     
 
 
Imagem 5/10: Cleópatra (69 BC-30 BC) é uma personagem que desperta grande interesse.
Ela foi a rainha do Egito, falava seis idiomas e possuía um grande conhecimento sobre estratégias militares. A imagem é intitulada "a sedutora"      
 
Imagem 6/10: Leonor da Aquitânia (1122-1204) foi a rainha consorte de França e Inglaterra.
Primeiramente, ela casou com o rei Luis 7º da França e, depois de ter a união anulada por consanguinidade, ela se casou com Henrique 2º, da Inglaterra.
Com um apurado senso político, ela foi considerada uma das mulheres mais poderosas e influentes do seu tempo. O título desta foto é "a águia"        

Imagem 7/10: A rainha Elizabeth 1ª (1533-1603), filha de Ana Bolena e Henrique 8º, assumiu o trono inglês em 1558. Ela nunca se casou, e, por isso, ficou conhecida como a "a rainha virgem"
 
 
Imagem 8/10: Aqui, está retratada "a católica", rainha Isabella da Espanha (1451-1504)

Imagem 9/10: Maria Antonieta (1755-1793), a rainha consorte da França, que aparece na imagem com o palácio de Versalhes ao fundo.Esta foto é intitulada a "Rainha Extravagante" 


Imagem 10/10: Olímpia (376 AC-316 AC) casou-se com Filipe 2º, então rei da Macedônia. Da união, nasceu Alexandre, o Grande.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O caos nosso de cada dia

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http://www.aepet.org.br/site/colunas/pagina/290/O-caos-nosso-de-cada-dia

O caos nosso de cada dia

 
Data: 17/09/2012 
Fonte: Carta Capital
Colunista: Thomaz Wood Jr. 

Converse o prezado leitor com um executivo de uma empresa local, de qualquer porte, e dele ouvirá histórias de horror. Todas elas parecem viver em constante estado de confusão. Jornadas intermináveis de trabalho, telefones celulares que não param de cuspir emergências, e-mails que não cessam de disparar urgências, chefes atordoados e liderados em pânico: a lista é longa e tenebrosa. Todos parecem viver à beira de um ataque de nervos.

O que provoca tal estado das coisas? O suspeito usual é velho conhecido. Nove entre dez executivos perguntados a respeito provavelmente culparão a globalização, a volatilidade econômica e a instabilidade dos mercados. Há alguma verdade nessa resposta. De fato, quanto mais conectado for um sistema, mais sensível um componente será em relação à ação de outro componente. Uma borboleta batendo as asas na Amazônia pode provocar um tufão no Texas.

No entanto, mesmo que se aceite a vilania da mão invisível do mercado, há de se considerar que parte considerável do caos vem das próprias empresas. Cinco fatores, isoladamente ou combinados, contribuem para o caos nosso de cada dia.

O primeiro fator é a confusão estratégica. Se estratégia significa aonde ir e como chegar lá, então, provavelmente, o conceito está ausente da maioria das organizações. Muitas empresas multiplicam iniciativas, projetos e ações, perdendo tempo e recursos em atividades que não as levará a lugar algum. Tempo, recursos e energia jogados fora.

O segundo fator é a confusão estrutural. Um modelo de organização bem pensado provê foco ao trabalho, indica o que cada um deve fazer e os limites de sua ação. Os melhores modelos equilibram clareza e flexibilidade, permitem extrair o melhor de cada profissional, ao mesmo tempo que garante espaço à criatividade. Muitas empresas ignoram as boas práticas e trabalham com estruturas mal desenhadas, provocam alocação inadequada de recursos e geram conflitos. Com isso, gasta-se mais tempo definindo o que deve ser feito e quem deve fazer, do que realizando.

O terceiro fator é a confusão na gestão. As consultorias, aliadas à fantasiosa mídia de negócios, vêm há tempos criando e disseminando soluções mágicas para todos os males organizacionais. Muitas empresas adotaram as soluções sem ter os problemas. Então, para justificarem os vultosos investimentos realizados, desenvolveram as respectivas patologias. Com isso, tornam-se verdadeiros hospícios, nos quais os executivos passam parte considerável do tempo em intermináveis comitês, reuniões e atividades que não agregam valor.

O quarto fator é a confusão cultural. Nas últimas décadas, empresas de todos os setores passaram por inúmeros processos transformacionais: fusões, aquisições e outras mudanças radicais. Hoje, muitas empresas constituem aglomerados de tribos com histórias, identidades e culturas distintas, trabalhando sob uma mesma bandeira. Ocorre que elas mantêm seus valores, comportamentos e formas de tomar decisões e conduzir negócios. O resultado é uma nau em estado permanente de motim, o capitão e seus asseclas sempre atarantados, procurando manter a aparência de normalidade sob uma realidade convulsionada.

O quinto fator é a presença dos agentes do caos (não confundir com agentes da Kaos, da antiga série de tevê, embora haja semelhanças). Os agentes do caos são executivos que sofrem de confusão mental crônica. Eles (e elas) poderiam ter vida produtiva e feliz longe dos centros decisórios empresariais. Por razões desconhecidas, conseguiram penetrar nas pirâmides corporativas e delas fizeram seu lar. Foram promovidos por motivos misteriosos, vindo a ocupar cargos nos quais têm grande poder de influência. E fazem de seus cargos a plataforma para espalhar a confusão.

Os agentes do caos marcam e desmarcam reuniões, nas quais sempre chegam com atraso e das quais sempre saem mais cedo; sua mente flana por outras galáxias; eles estabelecem prioridades, esquecendo-as em seguida; mobilizam equipes para realizar projetos de utilidade duvidosa e resultados embaraçosos; esquecem compromissos e ignoram cronogramas. O melhor amigo do agente do caos é seu telefone celular, permanentemente em ação, sua principal ferramenta para disseminar a desordem.

O tempo, sabemos, é inexorável. No entanto, o ritmo do trabalho é socialmente construído. Certos executivos o modelam ao gosto de sua paranoia, convulsivo e frenético, em esforço patológico para manter as hordas sob seu controle.
Para ajudá-los, criam exércitos de agentes do caos. Eles confundem frenesi com produtividade, atividade insana com trabalho eficiente. Em muitas organizações, o caos não vem do ambiente. É fruto direto da incompetência gerencial.

Os gastos do Brasil com educação em relação ao mundo

http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/os-gastos-do-brasil-com-educacao-em-relacao-ao-mundo


17/09/2012

Os gastos do Brasil com educação em relação ao mundo

 

O Brasil é o 15º maior gastador, mas só aparece em 53º - de um total de 65 países - quando se trata de qualidade da educação. Confira como ele se compara a outras nações

Marcos Santos/USP Imagens
Carteiras na sala de aula
Ensino no Brasil: qualidade de ensino não acompanha altos investimentos

São Paulo – Tramita no Congresso Nacional uma proposta para fazer o volume de recursos para a educação chegar a 10% do PIB nacional. Hoje, o Brasil investe 5,7% - um dos índices mais altos entre os 42 países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a frente de Reino Unido, Canadá e Alemanha, por exemplo.
Na semana passada, a organização lançou um relatório sobre os gastos em educação de várias nações.
Investir um décimo de toda a riqueza produzida no país deixaria o Brasil em primeiro lugar no ranking, acima da Islândia, que investe assombrosos 7,8% do PIB em educação hoje.
Esse número considera, além dos investimentos nas instituições de ensino, gastos governamentais com bolsas e programas de apoio aos alunos.
Apesar do investimento brasileiro ser próximo da média dos países da OCDE, o país se encontra somente em 53º lugar - de um total de 65 - no Pisa, um programa de avaliação da qualidade da educação da mesma organização.
Ou seja, maiores investimentos não necessariamente acompanham, na mesma proporção, uma melhora no desempenho dos estudantes.
O Brasil é o 15º que mais investe o PIB na área na lista da OCDE. Os lanternas no ranking foram Indonésia (investimento de 3% do PIB), Índia (investimento de 3,5%), Japão (3,8%), Eslováquia (4,1%) e República Tcheca (4,4%).

Confira os maiores “gastadores” e sua posição no ranking de qualidade educacional:

Ranking País Gasto com educação Posição no Pisa
1 Islândia 7,80% 16º lugar
2 Noruega 7,30% 12º lugar
3 Suécia 7,30% 19º lugar
4 Nova Zelândia 7,20% 7º lugar
5 Finlândia 6,80% 3º lugar
6 Bélgica 6,60% 11º lugar
7 Irlanda 6,50% 21º lugar
8 Estônia 6,10% 13º lugar
9 Argentina 6% 58º lugar
10 Áustria 6% 39º lugar
11 Holanda 5,90% 10º lugar
12 França 5,90% 22º lugar
13 Israel 5,80% 37º lugar
14 Portugal 5,80% 27º lugar
15 Brasil 5,70% 53º lugar
16 Eslovênia 5,70% 31º lugar
17 Reino Unido 5,60% 25º lugar
18 Suíça 5,50% 14º lugar
19 Estados Unidos 5,50% 17º lugar
20 México 5,30% 48º lugar
21 Hungria 5,10% 26º lugar
22 Polônia 5,10% 15º lugar
23 Canadá 5,10% 6º lugar
24 Alemanha 5,10% 20º lugar
25 Coreia do Sul 5% 2º lugar
26 Espanha 5% 33º lugar
27 Austrália 5% 9º lugar
28 África do Sul 4,80% (não participa)
29 Rússia 4,70% 43º lugar
30 Itália 4,70% 29º lugar

Protestos do Ocupar Wall Street terminam com mais de 100 ativistas presos

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Jornal Correio do Brasil - Notícias online

Protestos do Ocupar Wall Street terminam com mais de 100 ativistas presos

 

17/9/2012 15:18,  Por Carl Edgard com NYT - de Nova York, EUA 


Terminou em Nova York, nesta segunda-feira, com mais de 100 prisões, o primeiro aniversário do movimento Ocupar Wall Street. Os manifestantes se reuniram perto da Bolsa de Nova York e tentaram bloquear o acesso para o local. Os manifestantes haviam planejado para convergir de várias direções para formar uma “parede humana” em torno da Bolsa de Valores para protestar contra o que eles disseram ser um sistema econômico injusto, que beneficia os ricos e as corporações, em detrimento dos cidadãos comuns. Policiais e manifestantes se defrontaram em vários pontos, com manifestantes bloqueando cruzamentos e calçadas por alguns instantes, antes de serem dispersos e, na maioria das vezes, presos.
A polícia agiu com truculência contra o bloqueio dos manifestantes. Patrulhou as ruas e calçadas que levam à Bolsa e formou barricadas, pedindo a identificação de trabalhadores que buscavam acesso ao local. Enquanto isso, manifestantes marcharam pelas ruas agitando bandeiras, sempre acompanhados por bandas tocando Parabéns pra você. Policiais alertavam repetidamente aos manifestantes que eles poderiam ser presos se não se mantivessem em movimento. A maioria dos detidos foi acusada “de conduta desordeira”, segundo a polícia.
Em um ponto entre a Broad Street e da Beaver Street, um comandante da polícia agarrou um homem na multidão. Manifestantes lutaram com ele, tentando libertar o companheiro preso até conseguir, mas os policiais avançaram e arrancaram o ativista entre a multidão que o cercava e o algemaram, sob as vaias da população. O fato marcava o início de um dos episódios mais tensos, que ocorreu quando várias centenas de pessoas marcharam lentamente ao longo da Broadway. Como parte do grupo passou pela Wall Street, uma linha de policiais separava os manifestantes em duas partes. Alguns momentos depois, policiais partiram para cima de um homem que protestava em voz alta na direção das barricadas que isolaram a Wall Street. Os policiais agarraram o ativista, que gritou:
– Eu não fiz nada de errado – pouco antes de ser atirado em um camburão. Enquanto os policiais o arrastavam para a viatura, um outro pelotão tratou de afastar as pessoas que protestavam contra aquela prisão arbitrária junto com os repórteres fotógráficos. Um oficial, repetidamente, empurrava os fotógrafos com um bastão e um tenente da polícia advertiu que a imprensa não poderia mais fazer fotos da passeata.
Ao meio-dia, 124 pessoas estavam presas. As prisões foram, em sua maioria, por acusações de conduta desordeira “por impedir o tráfego de veículos ou de pedestres”, segundo Paul Browne, porta-voz do Departamento de Polícia. No sábado e no domingo, a polícia prendeu 43 pessoas ligadas aos protestos, disse Browne. Enquanto a maioria dessas prisões tinha por base a acusação de conduta desordeira, outros foram presos por resistir à prisão.

Policiais e cavalos
As ruas de Manhatan encheram-se com os gritos dos manifestantes, as sirenes das viaturas da polícia e o ruído dos helicópteros que passavam em voos rasantes. Dezenas de veículos da polícia estacionaram em ruas laterais em todo o distrito financeiro, enquanto homens de terno seguiam a pé para o trabalho e se misturavam aos grandes contingentes policiais que passavam pelas calçadas. Um ponto de encontro marcado, mais cedo nesta segunda-feira, na Water Street, concentrou em frente ao Vietnam Veterans Memorial mais de 400 manifestantes. Outras cerca de 200 pessoas reuniram-se no Zuccotti Park, tomado por manifestantes no último ano e usado como acampamento.
No memorial de veteranos, o ativista Oren Goldberg, que havia acabado de chegar de Bushwick, no Brooklyn, disse ser “emocionante ver qualquer grupo de pessoas que tenta qualquer tipo de mudança”, acrescentando que os participantes do Ocupar Wall Street estavam interessados em “trabalhar para um bem maior do que especulação”. Próximo a ele, Grace de la Aguilera, uma estudante de pós-graduação em espanhol que também é de Bushwick, disse que decidiu se juntar ao protesto devido à “insatisfação com a economia.”
Em seguida, linhas de policiais usando capacetes chegaram à praça dos veteranos e se posicionaram em fileiras perto da Water Street, quando os manifestantes se reuniram em um círculo para uma reunião. Um dos organizadores, Austin Visitante, pediu que as pessoas se mantivessem em grupos, para a própria segurança.
– Ei, todos, vamos desligar Wall Street hoje – gritou enquanto os manifestantes aplaudiram e comemoraram.
Naquele momento, Visitante advertiu que prisões seriam possíveis.
– Nossa meta é William e Wall Street – disse ele.
A manifestação foi seguida de perto pelo comando policial de Water Street, com policiais vestindo camisas brancas, protegidos por homens a cavalo, alinhados em uma fileira. Os manifestantes continuaram a discutir os seus planos e anunciaram, em uníssono, um número de telefone para qualquer ajuda legal, rapidamente escrito com marca-texto em seus braços.
No final da manhã as marchas foram se desmobilizando e muitos manifestantes dirigiram-se à Bowling Green e ao Museu Nacional do Índio Norte-Americano, onde se realizavam as reuniões e o planejamento para as ações futuras.

A guerra da Mídia contra o retorno de Lula

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Golpismo age como se não houvesse amanhã
 
 
Por Saul Leblon
 
 
Carlinhos Cachoeira e seu ubíquo braço-direito, o araponga Dadá, não estão mais à solta para emprestar artes e ofício às reportagens' e 'denúncias' programadas por 'Veja'. Quase não se nota. Se o plantel perdeu talento específico, o engajamento na meliância política ganhou em arrojo e sofreguidão. A constelação de colunistas que orbita em torno daquilo que 'Veja' excreta arregaçou mangas e redobra esforços.

A afinação do jogral não deixa dúvida sobre o alvo mais cobiçado, como mostra a meticulosa análise de Marco Aurélio Weissheimer
, nesta pág.
O troféu da vez é Lula, não a pessoa, mas o símbolo de uma barragem que reordenou a política brasileira criando espaço à ascensão do campo popular.

Buliçosos escribas do jornalismo isento sugerem nesta 2ª feira que podem superar as mais dilatadas expectativas na caça ao tesouro. As postagens do colunismo amigo de Demóstenes Torres -outro centurião da linha de frente abatido sem deixar vácuo- sugerem a travessia de um Rubicão.

O conservadorismo age como se não houvesse amanhã. A crise econômica não destruiu o governo do PT e o país retoma o crescimento neste 4º trimestre. Então, é agora ou nunca.

Com a ajuda das togas que atiçam o linchamento contra o partido no STF, a mídia demotucana arranca uma escalada preventiva vertiginosa. Comete-se de forma explícita aquilo que até mesmo Dadá e Cachoeira teriam pejo em praticar desguarnecidos das sombras: a chantagem ancorada em 'provas' improváveis, mas tornadas críveis através do incessante centrifugador de carniça de quatro hélices: Veja-colunistas- bancada demotucana-Procuradoria geral da República.

No manuseio dessa engrenagem exibem o que sabem fazer melhor: regurgitar guerra política travestida de jornalismo; incorporar denúncias palatáveis à heterodoxia jurídica; arredondar a massa informe em escândalo e criminalização de forças e lideranças que não derrotam na urna há três eleições presidenciais.

Nas últimas 72 horas uma não-entrevista do publicitário Marcus Valério a 'Veja', talvez pela pífia credibilidade e repercussão do meio e da mensagem, transformou-se em 'entrevista gravada' -mas cujo áudio a revista 'estuda' se vai liberar', avisam os relações públicas do comboio em marcha.

Ato contínuo, o renitente vácuo de credibilidade é ocupado pelo anúncio da existência de um suposto vídeo, 'de 4 cópias' (sempre é oportuno um detalhe para granjear confiabilidade à impostura) em que um desesperado Marcus Valério faria revelações para divulgação imediata -' caso sofra um atentado', acena um operador da usina de carniça midiática, exalando o odor característico que o inebria.

Claro, o indefectível procurador Roberto Gurgel está disponível para dar uma pala, emprestando glacê jurídico aos fuzarqueiros do golpismo; porém, evocando parcimônia: 'só' posteriormente ao julgamento em curso no STF, as denúncias de Valério contra Lula -negadas pelo próprio e por seu advogado, até segunda ordem- poderão, eventualmente, ser examinadas pelo ministério público.

No fecho do rally desta segunda feira, o PSDB e seu rodapé gasto, Roberto Freire, 'exigiam' que Lula se pronunciasse sobre a maromba desatada. Esse é o idioma político adotado pelo dispositivo midiático conservador -que recebeu 70% da publicidade federal do governo Dilma- a dois anos da sucessão de 2014. A ver.
 
 
 
A guerra da Veja contra o retorno de Lula


Marco Aurélio Weissheimer


A revista Veja publicou neste final de semana mais uma de suas bombásticas “denúncias” contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “Marcos Valério envolve Lula no mensalão”, diz a publicação. Quase que imediatamente, os colunistas políticos de sempre passaram a reproduzir a “informação” da revista. Cristiana Lôbo tuitou sábado à tarde: “Está instalada a polêmica sobre entrevista de Marcos Valério à Veja. Diz que Lula sabia e que PT deu garantias de punição branda por silêncio”. Detalhe: não havia nenhuma “entrevista de Marcos Valério” na revista. E a própria Veja dizia isso: a reportagem foi “feita com base em revelações de parentes, amigos e associados”.

O jornalista Ricardo Noblat foi outro que passou a tarde de sábado repercutindo a “denúncia” da revista. Ainda no sábado veio o desmentido do advogado de Valério: “O Marcos Valério não dá entrevistas desde 2005 e confirmou para mim hoje que não deu entrevista para a Veja e também não confirma o conteúdo da matéria, disse Marcelo Leonardo. Noblat não seu deu por vencido e, pelo twitter, reclamou dos termos do desmentido: “O advogado de Valério diz que seu cliente não confirma as informações publicadas pela Veja. Por que não disse que Valério as desmente?”. Entusiasmado, o imortal Merval Pereira (O Globo) afirmou em um artigo intitulado “Valério acusa Lula”: “os estragos políticos são devastadores, e nada impede que uma denúncia seja feita contra Lula mais adiante”. Merval não mencionou o desmentido oficial do advogado de Valério.

A tese do “domínio final do fato”
A Folha de S.Paulo correu para dar voz a José Serra que classificou as “denúncias” como graves e defendeu a abertura de investigações. Merval Pereira, fazendo às vezes de jurista, manifestou esperança na tese do “domínio final do fato”, que levou o Procurador- geral Roberto Gurgel a acusar José Dirceu como “o chefe da quadrilha do mensalão”. O jornalista de O Globo escreveu: “Alguns ministros do Supremo deixaram escapar, no início do julgamento, que pela tese do domínio final do fato, se a cadeia de comando não terminasse no ex-ministro José Dirceu, teria forçosamente que subir um patamar e atingir o ex-presidente Lula”.

Já o colunista político Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo preferiu explorar as possíveis consequências políticas da matéria nas eleições municipais deste ano. Ele escreveu sábado em seu blog: “Do ponto de vista jurídico, o efeito pode ser nulo. O processo do mensalão está em fase de julgamento e não serão mais acrescentadas provas. Do ponto de vista político, a reportagem da revista Veja desta semana pode ter grande impacto na reta final das eleições municipais, sobretudo nas grandes cidades nas quais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem interesse direto, junto com o PT, em garantir vitórias para alavancar a sigla em 2014”.

Merval: “nada impede uma nova denúncia”
Mais uma vez, o circuito da “informação” funcionou e o assunto ganhou ampla repercussão pelos “formadores de opinião” de plantão. O funcionamento desse circuito é um tanto peculiar. Denúncias com base factual muito forte, como aquelas relacionadas às ligações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com a revista Veja, são solenemente ignoradas. Qualquer denúncia publicada pela revista Carta Capital recebe o mesmo tratamento silencioso. Mas qualquer denúncia da Veja é rapidamente repercutida. Os jornalistas citados acima sequer se dão ao trabalho de dar alguma justificativa para esse comportamento seletivo. Ele parece estar inserido, para usar a tese cara a Merval Pereira no “domínio final dos fatos”. Mas essas observações, é claro, são carregadas de uma certa ingenuidade. Não há razões para supresas nem espantos quanto ao funcionamento desse mecanismo de repercussões.

O artigo de Merval Pereira não deixa nenhuma dúvida sobre o que seria esse “domínio final dos fatos”, ou melhor, quem seria: Luiz Inácio Lula da Silva. O site Brasil 247 afirmou, na tarde de domingo, em texto intitulado “Globo antecipa próxima etapa do golpe contra Lula”: “No seu artigo deste domingo, Merval Pereira toma como verdade a “entrevista” de Veja com Marcos Valério, já negada pelo publicitário, e avisa: ‘Nada impede que uma nova denúncia seja feita mais adiante’. Ou seja: com alguns companheiros condenados e outros presos, Lula terá uma espada no pescoço”. Em outra matéria (“Civita deflagra operação para colocar Lula na cadeia”), o Brasil 247 sustentou que o objetivo da Veja é transformar Lula em réu no STF e impedir que ele volte à concorrer à Presidência da República.

Cristiana Lôbo pede explicações a Noblat
No início da noite de domingo, Cristiana Lôbo pediu a Ricardo Noblat, mais uma vez pelo twitter, para que ele explicasse em que pé estava o assunto: “Passei o fim de semana em Goiânia e não entendo mais a polêmica sobre a não entrevista de M. Valério. Você pode me explicar @BlogdoNoblat ?” E Noblat explicou do seguinte modo (em três tuitadas sucessivas), introduzindo uma novidade, a existência de uma suposta gravação com Marcos Valério: “Veja entrevistou Valério. O advogado dele foi contra. Combinou-se de apresentar a entrevista como conversas de Valério com outras pessoas. E assim saiu a matéria. Ocorre que o advogado de Valério desmentiu que ele tivesse dito o que a Veja publicou. Aí ficou parecendo que a Veja teria inventado coisas e atribuído a Valério. Por isso a direção da revista decide se divulga a fita”.

Do ponto de vista político, a pauta da Veja, já devidamente abraçada pela oposição ao governo Dilma, parece ter um objetivo muito claramente definido. No momento em que Lula começa a voltar aos palanques, nas campanhas das eleições municipais, e em que o STF começará a julgar os réus do chamado “núcleo político do mensalão”, a tentativa é de colar uma coisa na outra. No final da noite de domingo, o Brasil 247 publicou a seguinte síntese sobre o caso, deixando um conselho para o ex-presidente Lula: “No momento em que retorna aos palanques, Lula é alvo de uma tentativa de golpe preventivo. O recado que os opositores transmitem é: “se voltar levará chumbo”. Diante do ataque organizado, o ex-presidente só tem uma alternativa, que é lutar para não ser devorado pelos adversários”.