sexta-feira, 1 de junho de 2012

Crianças cubanas celebram pleno desfrute de seus direitos

Havana, 1 jun

Crianças cubanas celebram pleno desfrute de seus direitos


Prensa Latina



Enquanto o bem-estar pleno das crianças é uma quimera para numerosas nações, Cuba celebra hoje no Dia Mundial da Infância com louváveis resultados e o reconhecimento internacional pela proteção de seus menores.
Saúde, educação, cultura, desporto, leis nestas e outras áreas o governo e as instituições da nação caribenha combinam esforços para garantir o desfrute dos direitos de suas crianças.
Durante a apresentação do relatório sobre o Estado Mundial da Infância 2012, o representante da UNICEF na ilha, José Juan Ortiz, ressaltou que Cuba constitui um exemplo de sociedade equitativa, com a vontade política de proteger a meninas, meninos e adolescentes.
Em declarações à imprensa, o servidor público destacou que os cubanos contam com escolarização plena, direito à participação e possibilidade de brincar na rua, quando em outras nações não sucede assim pela insegurança e a violência.
Para Ortiz, Cuba é um modelo no cumprimento da Convenção sobre os direitos das crianças e possui experiências para mostrar ao mundo, em espaços como a educação e saúde, que são gratuitas e acessíveis para todos.
Isso se sustenta em fatos como que a mortalidade infantil em 2011 foi de 4,9 pela cada mil nascidos vivos, enquanto cada criança cubana está protegida contra 13 doenças, entre elas a poliomielite, tuberculose, difteria, tétanos, tosse ferina, sarampo e hepatites.
Do ponto de vista jurídico, os direitos dos menores também se encontram amparados por um sistema de leis que toma em conta seu bem-estar e desenvolvimento.
O advogado espanhol Carlos Villagrasa, que visitou Cuba no final de 2011 como professor de um curso da Escola Ibero-americana de Direito de Família, comentou a Imprensa Latina que a nação antilhana constitui uma exceção no meio do contexto do continente.
Cuba é o melhor exemplo de que, apesar da falta de recursos econômicos, se pode proteger à infância se existe uma aposta decidida para atender a suas necessidades básicas, assegurou o também professor da Universidade de Barcelona.
Um exemplo das ações despregadas a nível nacional está no projeto Por Um mundo  Direito, no qual se unem profissionais do Ministério de Justiça, a Federação de Mulheres Cubanas e de setores como a saúde, a educação, a cultura, a ciência e o desporto.
O objetivo da iniciativa é que a família conheça melhor as leis para a proteção de crianças e adolescentes, e segundo sua coordenadora nacional, Ana Audiver, 10 anos após sua fundação existem mais de 169 círculos de interesse em todo o país nos que se ensina e se debate sobre o tema.
Desse modo, quando milhões de crianças em todo mundo sofrem diariamente a violação de seus direitos, Cuba celebra a efeméride com atividades culturais e esportivas em coletivos e instalações escolares, praças, ruas, parques, lares de crianças sem amparo familiar, hospitais e salas de pediatria.
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Paradoxos de um continente rico: pobreza infantil afecta 19 milhões de crianças na UE. (em 2008, hoje está aumentada)
Alerta pela pobreza infantil na Europa.
Leia mais
No Brasil


Na foto acima, crianças cubanas com o professor Alexandre

Dizem que para cuidar da saúde de uma nação é necessário dinheiro. Mas o que realmente decide é vontade política, caráter humanitário leal e sinceridade na luta em defesa dos interesses prioritários das pessoas. E líderes com a grandeza humana de Fidel, Che e todos aqueles que se inspiram neles.



As Arcadas contra a vanguarda do atraso



 
 
01-Jun-2012

Vanguarda do atraso, tucanos ainda não adotaram cotas raciais
 

Por José Dirceu

Nenhuma das universidades públicas de SP instituiu o sistema...
A notícia pouco divulgada mesmo na internet, de que a tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco deflagrou um movimento pela adoção do sistema de cotas raciais na Universidade de são Paulo (USP) merece ser comemorada, mesmo que revele um lado preocupante e lamentável.

A comemoração é pelo fato da centenária São Francisco e de seu Centro Acadêmico XI de Agosto tomarem a louvável iniciativa posicionando-se, mais uma vez, na vanguarda da marcha pela igualdade e pelo avanço da História, como já fizeram tantas vezes antes.

O lado lamentável da notícia é descobrir-se que nenhuma das três grandes universidades estaduais públicas paulistas - líderes nos rankings das maiores do país - adotou o sistema de cotas até agora. Isto simplesmente mostra que os tucanos, que governam o Estado de São Paulo há quase 30 anos (a contar do governo Franco Montoro, 1983/1986), representam mesmo o atraso nessa história.



Brasil já adota o sistema há uma década
A USP não adotou o sistema de cotas, a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) não tem e descarta adotá-lo, e a Universidade Estadual Júlio de Mesquita Neto (UNESP) não tomou até agora qualquer iniciativa nesse sentido e nem sequer discute o assunto. Vejam bem, isso no mais rico e desenvolvido Estado do país!

Surgidas nos Estados Unidos na década de 1960, no bojo das ações afirmativas adotadas na esteira do movimento pelos direitos civis, as cotas raciais existem, portanto, há mais de meio século; e no Brasil são adotadas há uma década, desde 2002.

Em abril deste ano, ao julgar uma ação do grande parceiro dos tucanos, o DEM - sim, ele mesmo! - contra a adoção do sistema pela Universidade de Brasília (UnB), o Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade, julgou constitucional as cotas.



Decisão histórica

“Esta é uma decisão histórica”, comemorou o professor Marcus Orione ao término da reunião, ontem, em que a congregação da São Francisco decidiu reivindicar à USP a adoção das cotas raciais. Além desse sistema, a Faculdade vai pedir, também, a adoção de cotas sociais para candidatos que estudam em escolas públicas e para pessoas portadoras de necessidades especiais.

A congregação decidiu deflagrar o movimento pró-instituição de cotas por constatar que os programas de bônus para estudantes de escolas públicas em universidades paulistas são insuficientes para proporcionar o acesso nestas instituições de estudantes negros, de baixa renda e de portadores de deficiência, especialmente nos cursos mais concorridos como, por exemplo, direito e medicina.

Parabéns, Arcadas!

A toga, a língua e o caçador de blogs

Vídeo de primoroso comentário de Bob Fernandes


Saiu num Blog de Mexericos da Candinha de Brasília:
O ministro Gilmar Mendes acaba de informar ( …) que vai entrar com uma ação na Procuradoria Geral da República, solicitando o substrato das empresas estatais que usam do uso do dinheiro público para o financiamento de blogs que atacam as instituições.
— É inadmissível que esses blogueiros sujos recebam dinheiro público para atacar as instituições e seus representantes. Num caso específico de um desses, eu já ponderei ao ministro da Fazenda que a Caixa Econômica Federal, que subsidia o blog, não pode patrocinar ataques às instituições.


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Sexta-Feira, 01 de Junho de 2012

A toga, a língua e o caçador de blogs


Por Saul Leblon




Escudado na proteção republicana da toga, o ministro Gilmar Mendes desnudou uma controversa agenda política pessoal na última semana de maio. Onipresente na obsequiosa passarela da mídia amiga, lacrou seu caminho na 6ª feira declarando-se um caçador de blogs adversários de suas ideias e das ideias de seus amigos. Em preocupante equiparação entre a autoridade da toga e a arbitrariedade da língua, Gilmar decretou serem inimigos das instituições republicanas todos aqueles que contestam os seus malabarismos discursivos, a adequar denúncias a cada 24 horas, num exercício de convencimento à falta de testemunhas e fatos que as comprovem.

A fragilidade desse discurso impele-o agora ao papel de censor a exigir da Procuradoria Geral da República, e do ministro Mantega, que sufoque blogs adversários asfixiando-os com o corte da publicidade oficial. Sobre veículos que incluem entre suas fontes e 'colaboradores informais', notórios acusados de integrar quadrilhas do crime organizado, o ministro nada observa em relação à presença da publicidade oficial. Cabe ao governo Dilma dar uma resposta ao autonomeado censor da República.

O ataque da língua togada contra a imprensa crítica não é aleatório. O dispositivo midiático conservador vive em andrajos de credibilidade e pautas. A semana final de maio estava marcada para ser um desses picos de desamparo, na despedida humilhante de seu herói decaído. E de fato o foi: em depoimento no Conselho de Ética do Senado, na 3ª feira, o ex-líder dos demos na Casa, Demóstenes Torres, deixaria gravado no bronze dos falsos savonarolas a lapidar confissão de que um chefe de quadrilha pagava as contas, miúdas, observaria, de seu celular. E ele, o centurião da moralidade, a direita linha dura assim cortejada pela língua togada e pelo aparato conservador - quem sabe até para vôos maiores em 2014 -, não viu nenhum tropeço ético nesse pequeno mimo que elucida todo um perfil.

O fecho de carreira do tribuno goiano contaminaria as manchetes que ele tantas vezes ancorou à direita não fosse a providencial intervenção da língua amiga do ministro do STF, Gilmar Mendes. Na mesma 3ª feira desde as primeiras horas da manhã, lá estava ela a falar pelos cotovelos. Diuturnamente, contemplou a orfandade da mídia amiga naquele dia cinzento. A cada qual ofereceu uma frase brinde para erguer a moral da tropa e justificar a manchete com o carimbo 'exclusivo' no alto da página. Não se poupou. O magistrado, não raro em destemperados decibéis, esfregou na opinião pública recibos e documentos que comprovariam o pagamento, com recursos próprios - 'tenho-os para umas três voltas ao mundo' - de seu giro europeu, em abril de 2011, onde se encontraria com o herói decaído da linha dura, Demóstenes Torres.

Sua língua foi peremptória em alguns momentos, na mais pura tradição liberal que o distingue: 'Vamos parar com essas suspeitas sobre viagens", determinou. Para depois admitir em habilidosa antecipação: por duas vezes utilizou carona aérea do amigo Demóstenes; por duas vezes voou sob os auspícios do amigo que não possui veículo aéreo próprio; do amigo que não paga nem as contas de celular. Contas miúdas, diga-se, a revelar um vínculo orgânico com a ubíqua carteira gorda de acusados de integrar o condomínio criminoso goiano.

Gilmar estava determinado a servir de redenção ao dispositivo midiático demotucano num dia tão aziago. Não desapontou amigos, ainda que tenha escandalizado parte do país. Ofensivo, execrou blogs e sites críticos - esses sim, bandidos e gangsters - que arguiram e ainda arguem as fronteiras da identidade de valores que aproximou o magistrado do senador decaído.

Fez mais ainda: acusou Lula de ser a central de boatos contra ele para 'melar o julgamento do mensalão' - como se o ex-presidente Lula não pudesse, não devesse ter opinião sobre fatos relevantes da vida política nacional - prerrogativa que outras togas mais serenas não contestam e legitimam. Ao jornal O Globo, na linha da frase à la carte, facilitou a manchete pronta para dissolver a terça-feira de cinzas do conservadorismo: 'O Brasil não é a Venezuela onde Chávez manda prender juiz'. O diário retribuiu a gentileza em manchete garrafal de duas linhas no alto da página. Um contrafogo sob medida à humilhante baixa no Senado. Incansável, a língua foi provendo xistes e chutes a emissários de redações sedentas, mas cometeu alguns deslizes.

Esqueceu que um pilar de sua versão sobre a famosa conversa com Lula - origem de toda celeuma que descambou em ataque à liberdade de imprensa - residia nos pequenos detalhes que emprestam veracidade ao bom contador; um deles, o cenário: a cozinha. Teria sido naquele recinto profano do escritório do ex-ministro Nelson Jobim, abrigado de qualquer solenidade e sem a presença do anfitrião, que ocorrera o assédio moral inesperado de um Lula chantageador contra um Gilmar irretocável.

Quadro perfeito. Exceto pelo fato de não se sustentar nem mesmo no matraquear do interessado. Sim, o mesmo magistrado suprimiu o precioso cenário despido de testemunhas na versão apresentada ao jornal Valor do dia 30-05 quando afirmou literalmente: 'Jobim esteve presente durante todo o tempo'. Como? E a cozinha? E a privacidade a dois que lubrificou o assédio de um Lula irreconhecível?

Evaporou-se: Jobim estava presente o tempo todo, afirmou o narrador em contradição ostensiva. Mas por um bom motivo: desferir no ex-ministro de FHC e ex- presidente do STF uma punhalada em retribuição ao desmentido categórico do anfitrião para seu relato original do episódio à indefectível VEJA. No mesmo Valor, Gilmar insinuaria contra Jobim uma suspeita de cumplicidade com Lula por ter lançado na mesa o nome de um desafeto: Paulo Lacerda. Ex-dirigente da ABIN, Lacerda foi demitido em 2008 depois que Gilmar denunciou suposta escuta da PF, nunca comprovada, em seu escritório. Só na 5ª feira o entendimento da investida contra Jobim ficaria completo: Serra, o candidato predileto do conservadorismo, amigo de Gilmar e de outros da mesma cepa, prestou-se à colaborar com Veja; desinteressadamente, a exemplo do que tantas vezes o fez também o colaborador Dadá, aparaponga de aluguel do esquema Cachoeira. Serra incitou o amigo Jobim a falar com a revista sobre o encontro.

Surpreendido pela trama Jobim tirou a escada de VEJA e deu troco duplo: desmentiu Gilmar no Estadão e confirmou a Monica Bergamo, da Folha, o que tantos sabem: Serra não falha; sua biografia de bastidores está, esteve e estará sempre entrelaçada a golpes e denúncias que contemplem a regressividade udenista da qual VEJA constitui a corneta mais atuante e Gilmar o novo expoente da linha de frente lacerdista.

Diante do maratonismo verbal não sobraria fôlego aos jornais e jornalistas amigos para conceder ao leitor um pequeno espaço de reflexão sobre a momentosa semana final de maio, pausa todavia ainda mais necessária à medida em que versões assentam e dúvidas emergem em contornos mais nítidos. Ademais da evanescente cozinha do escritório do ex-ministro Nelson Jobim, outros pontos de dissipação merecem retrospecto. Por exemplo:

a) a reportagem publicada por Carta Maior no dia 29-04 'Cachoeira arruma avião para Demóstenes e 'Gilmar' ' - com aspas por conta da identificação incompleta do ilustre viajante e um dos motivos da fluvial verborragia togada, não tratava de pagamento de vôo a Berlim pelo esquema Demóstenes/Cachoeira;

b) o texto, conciso e claro baseado em escutas públicas da PF teve como foco uma 'carona aérea' no trecho SP-Brasília, solicitada ao esquema Cachoeira para o dia 25-04 de 2011;

c) as tratativas telefônicas da quadrilha Cachoeira apontam que os passageiros da carona viriam da Alemanha e seriam, respectivamente, Demóstenes e 'Gilmar' ;

d) a data da chegada a São Paulo é a mesma do retorno informado pelo próprio Gilmar Mendes em seu rally jornalístico;

e) o horário de chegada do seu vôo originário da Alemanha guarda proximidade com aquele informado à quadrilha. Essas as coincidências notáveis. A partir daí os fatos e comprovantes apresentados por Gilmar Mendes desmentem que ele tenha utilizado a dita carona solicitada à quadrilha, fato que Carta Maior noticiou imediatamente após os esclarecimentos do magistrado. O desencontro entre essas evidências e as providencias tomadas pela quadrilha Cachoeira, todavia, autoriza uma indagação que não se dissolve no aluvião verborrágico da semana, a saber: quantos Gilmares havia em Berlim com Demóstenes Torres? E, mais que isso: quem seria o 'Gilmar' cuja inclusão na carona, aparentemente desativada, não causou qualquer surpresa a Cachoeira, que nas escutas reage à menção do nome e da presença como algo se não habitual, perfeitamente compatível com a extensão de seus tentáculos e zonas de influência?

Carta Maior reserva-se o direito de continuar praticando um jornalismo crítico e auto-crítico, comprometido única e exclusivamente com a democracia e as aspirações progressistas da sociedade brasileira, abraçadas pela ampla maioria de seus leitores. Isso naturalmente a coloca na margem oposta daqueles que até ontem consideravam Demóstenes Torres, seus valores, agendas, contas de celular e caronas em jatinhos uma referência ética e republicana.

Fiel aos compromissos Carta Maior cumpre a obrigação de manter em pauta algumas perguntas ainda sem resposta satisfatória: quantos gilmares havia em Berlim? Quantos gilmares havia no escritório de Jobim (um na cozinha e um na sala)? E, ainda mais urgente, quantas ameaças de fuzilamento da liberdade de expressão serão necessárias para que os partidos democráticos e o governo tomem a iniciativa de desautorizá-lo? Não só em palavras, mas sobretudo na impostergável democratização da publicidade oficial, antes que novos e velhos caçadores de jornalistas consigam transformá-la em mais um torniquete da pluralidade de opinião.


O 40o aniversário de uma foto histórica

UOL, 01/06/2012
 
 
O 40o aniversário de uma foto histórica

Do UOL, em São Paulo


Foto tirada em 8 de junho de 1972 mostra um pequeno grupo de crianças fugindo das explosões na vila de Trang Bang, no Vietnã.A imagem tornou-se símbolo da guerra. Kim Phuc aparece nua, no centro, a frente do irmão mais novo,Phan Thanh Phouc, que perdeu um olho, e de dois primos, Ho Van Bon e Ho Thi Ting Nick Ut/AP
 
 
Poucas vezes uma foto simbolizou tão bem o horror de uma guerra. Era 8 de junho de 1972, no Vietnã, e o fotógrafo Huynh Cong 'Nick' Ut viu algumas crianças correndo, tentando escapar de seguidas explosões na vila de Trang Bang, na província de Tay Ninh.
Ele não pensou duas vezes antes de fotografar a cena, que trazia uma personagem que entraria para a história: uma garotinha de 9 anos, nua, gritando "muito quente, muito quente", enquanto tentava escapar das bombas.
A imagem tornou-se um dos símbolos da Guerra do Vietnã e agora está perto de completar 40 anos. Hoje, a personagem da foto está com 49 anos e diz que a foto a perseguiu a vida inteira.
"Eu realmente quis escapar daquela menina", diz Phan Thi Kim Phuc. "Eu queria escapar dessa imagem, mas parece que a foto não me deixou escapar", disse ela, que hoje comanda uma fundação para ajudar crianças vítimas da guerra.
"Eu fui queimada e me tornei uma vítima da guerra, mas crescendo, tornei-me outro tipo de vítima", completa ela. Ao relembrar o momento em que a foto foi tirada, ela diz ter ouvido fortes explosões e que o chão "tremeu".
"Eu vou ficar feia, não serei mais normal. As pessoas vão me ver de um jeito diferente", ela diz ter pensado na hora, ao perceber que sua mão e braço esquerdos estavam queimados.
Em choque, ela correu atrás seu irmão mais velho e não se lembra de reparar nos jornalistas estrangeiros reunidos enquanto corria na direção deles, gritando. Depois disso, ela perdeu a consciência.
"Eu chorei quando a vi correndo", diz Ut, que cobria a guerra pela Associated Press. "Se eu não a ajudasse e alguma coisa acontecesse que a levasse a morte, acho que eu me mataria depois", comenta o fotógrafo, que nunca mais deixou de falar com Phuc. Ele a deixou em um pequeno hospital e fez os médicos garantirem que tomariam conta da garota.
A foto foi publicada e, alguns dias depois, outro jornalista, Christopher Wain, um correspondente britânico que tinha dado água de seu cantil a Phuc, descobriu que ela tinha sobrevivido. A garota tinha sido transferida para uma unidade americana em Barsky, única instalação em Saigon equipada para lidar com ferimentos graves.
"Eu não tinha ideia do que tinha acontecido comigo", diz Phuc. "Acordei no hospital com muita dor e com enfermeiras ao meu redor. Acordei com um medo terrível".
"Toda manhã, às 8 horas, as enfermeiras me colocavam em uma banheira com água quente para cortar toda a minha pele morta. Eu só chorava e quando eu não aguentava mais, desmaiava", relembra ela que hoje vive com o filho e o marido, Bui Huy Toan, no Canadá.
Depois de vários enxertos de pele e cirurgias, Phuc foi finalmente autorizada a deixar o hospital, 13 meses após o bombardeio. Ela tinha visto foto de Ut, que até então tinha ganhado o Prêmio Pulitzer, mas ainda não sabia do alcance e poder da imagem.

Foto tirada em 1973 mostra Kim Phuc e o fotógrafo Nick Ut, durante uma visita dele à garota, na vila de Trang Bang, no Vietnã,quando ela ainda se recuperava dos ferimentos sofridos em um dos ataques aos vietnamitas AP
 
"Fico muito feliz em saber que ajudei Kim", disse Ut, que ainda é fotógrafo da Associated Press. "Eu a chamo de minha filha", brinca.
"A maioria das pessoas conhece minha foto, mas sabe pouco sobre minha história", diz Phuc. “Fico agradecida por poder aceitar essa foto como um presente. Com ela, eu posso usá-la para a paz." (Com Associated Press)

Foto tirada em 5 de maio de 1992 mostra Phan Thi Kim Phuc e o marido, Bui Huy Toan, durante uma celebração em uma igreja em Ontário, no Canadá. O casal se conheceu em Cuba, para onde Phuc foi enviada em 1986 para que médicos pudessem estudar seu caso, após ser uma das vítimas da Guerra do Vietnã. Os dois se casaram em 1992 e vivem no Canadá Nick Ut/AP
 
Foto tirada dem 25 de maio de 1997 mostra Phan Thi Kim Phuc com o filho, Thomas, 3, no apartamento da família em Toronto, no Canadá.O marido de Phuc aparece atrás. O braço esquerdo de Phuc ainda guarda as marcas das queimaduras deixadas pelas explosões da Guerra do Vietnã Nick Ut/AP
 
O fotógrafo Nick Ut durante visita em março deste ano, ao local onde Kim Puch morava na época da foto histórica, na vila de Trang Bang,na província de Tay Ninh, no Vietnã. O retrato deu a Ut o Pulitzer de fotografia Na Son Nguyen/AP
 
Local onde há 40 anos o fotógrafo Nick Ut registrou um dos momentos mais dramáticos da Guerra do Vietnã: um grupo de crianças fugindo de uma série de explosões. Décadas depois, o local, na vila de Trang Bang, na província vietnamita Tay Ninh, não guarda mais lembranças da guerra Na Son Nguyen/AP

Obama ordenou aumento de ciberataques contra sistemas de usinas nucleares do Irã

 
 
UOL, 01/06/2012 
 

Obama ordenou aumento de ciberataques contra sistemas de usinas nucleares do Irã, diz jornal


Do UOL, em São Paulo
Ebrahim Norouzi/AP
 
 
O presidente dos Estados Unidos Barack Obama teria ordenado, já nos primeiros meses de mandato no cargo, que ataques “sofisticados” contra sistemas de computadores de usinas nucleares no Irã fossem intensificados, segundo reportagem do “New York Times” desta sexta (1º).
De acordo com participantes da ação, a decisão aumentou significativamente a primeira ação sustentada por armas cibernéticas do país. De acordo com o “New York Times”, Obama acelerou os ataques (iniciados na administração de George W. Bush), mesmo depois que o vírus, conhecido como Stuxnet, acidentalmente saiu das usinas nucleares iranianas e circulou na internet mundial.
O Stuxnet, desenvolvido em conjunto pelos Estados Unidos e Israel, foi descoberto por empresas de segurança logo após sua “fuga acidental” do Irã. O “New York Times” afirma que houve uma reunião logo após o ocorrido na Casa Branca, com a presença de Joe Biden, vice-presidente dos EUA, e o diretor da CIA (Agência Central de Inteligência) na época, Leon E. Panetta, na qual consideraram que o esforço “havia sido fatalmente comprometido”.
Obama teria perguntado “devemos desligar essa coisa?”, segundo membros da segurança nacional presentes na sala. Ao ser avisado que ainda não estava claro o quanto os iranianos sabiam sobre o código do vírus e que ele ainda estava “causando estragos”, Obama teria decidido continuar o ataque cibernético.
De acordo com o jornal americano, nas semanas seguintes, a usina nuclear iraniana de Natanz foi atacada com uma nova versão do vírus e mais uma vez depois também. Na última série de ataques, poucas semanas depois de o Stuxnet ser detectado no mundo, cerca de 1.000 a 5.000 centrífugas que enriquecem urânio foram paralisadas.
As informações foram obtidas pelo “New York Times” após 18 meses de entrevistas com ex-oficiais americanos, israelenses e europeus envolvidos na ação, além de outros especialistas.
O Irã inicialmente negou que suas usinas nucleares haviam sido atacadas por um vírus de computador, mas depois admitiram o fato. O país, após o ataque, criou uma unidade militar de ciberdefesa em 2011.
O governo dos Estados Unidos apenas recentemente admitiu desenvolver armas cibernéticas e nunca admitiu tê-las utilizado.