quarta-feira, 2 de maio de 2012

A lenda do Popocatépetl e Iztaccíhuatl

O vulcão Popocatépetl, localizado há cerca de 60 km da Cidade do Mexico, deixou o povo e o governo em estado de alerta nessas semanas.

O Popocatépetl está localizado no Parque Nacional Izta-Popo Zoquiapan e seu cume atinge 5.482 metros de altitude, é o segundo mais alto do Mexico. O vulcão está situado entre os estados de Morelos, Puebla e Mexico, podendo entrar em erupção a qualquer momento.

A última erupção violenta foi registrada em dezembro de 2000, que resultou na evacuação de milhares de pessoas da área ao redor do vulcão.

Com o retorno a atividade do Popocatépetl, esta maravilha da natureza, vale a pena relembrar a lenda que cerca esta poderosa montanha.


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Popocatépetl visto de Cholula

A lenda de Popocatépetl e Iztaccíhuatl

 

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Popocatépetl é um termo náhuatl, falado por povos indígenas mexicanos, que significa: popoca "que solta fumaça, fumaceia" e tepetl "montanha, ou monte", assim Popocatépetl significa o "monte que fumaceia".

Na mitologia mexica, Popocatépetl foi um guerreiro valente que amava a princesa Iztaccíhuatl.

Existem várias variantes desta lenda, mas que se assemelham em contar a estória de um guerreiro lendário chamado Popoca que, ao retornar vitorioso do campo de batalha, se depara com a morte inesperada de sua amada princesa.

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Então, sobe ao cume do templo com ela em seus braços e entrega a si e a ela como oferendas aos deuses. Estes aceitam o sacrifício de seu amor não consumado e, para conservá-los imortais e eternos, decidem transformá-los em montanhas, um lado ao lado do outro.

A montanha de Iztaccíhuatl foi chamada de "A mulher branca", ou popularmente, "a mulher adormecida", pois seu perfil se assemelha ao de uma mulher deitada.

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Iztaccíhuatl

Já Popoca, foi convertido no vulcão Popocatépetl que solta labaredas de fogo, com uma raiva cega pela perda de sua amada.

Assim, Popocatépetl e Iztaccihuatl, o guerreiro corajoso vigia a donzela adormecida para sempre.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Brasileira acusa militares dos EUA de tentativa de homicídio

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Romilda Aparecida Ferreira



Brasileira acusa militares dos EUA de tentativa de homicídio

 

Darío Pignotti - Página/12


"Se as relações de agentes norte-americanos com mulheres na Colômbia causaram um escândalo internacional, pelo que tenho lido na imprensa, as agressões que os marines cometeram contra Romilda Aparecida Ferreira foram mais graves, e mereces uma reparação da embaixada norte-americana" resume o advogado da vítima, Rodrigo Machado.

O caso Romilda, escondido durante meses pela embaixada norte-americana, confirma que são uma regra e não uma exceção os escândalos dos “boys” em prostíbulos quando partem em missão no "quintal da América".

“Romilda foi vítima de uma tentativa de homicídio. Foi jogada violentamente fora da camioneta, depois a camioneta passou por cima dela. Ela quebrou a clavícula, costelas, perfurou o pulmão e ficou desmaiada. O veículo com placa oficial não prestou socorro" declarou Machado.

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"Pelo visto até o momento, Washington protege os marines que agrediram Romilda, ou pelo menos não deu a colaboração adequada às autoridades brasileiras para que os suspeitos sejam investigados. Tudo isto foi, em última instância, uma ofensa à soberania do Brasil, que não pode ser arquivada como se nada tivesse acontecido.”

O fato ocorreu no dia 29 de dezembro na saída do clube noturno brasiliense Apple, quando um grupo de mulheres foi contratado por quatro militares norte-americanos que prestavam serviços, não se sabe se permanentes ou provisórios, na embaixada.

Mas só se tornou público na terça-feira passada, justamente quando o secretário de Defesa, Leon Panetta, foi recebido por seu colega brasileiro Celso Amorim, para dar curso aos acordos militares, por enquanto pouco ambiciosos, rubricados neste mês pelos presidentes Barack Obama e Dilma Rousseff em Washington. A surra dada em Romilda eclipsou o encontro celebrado no Ministério de Defesa brasileiro, onde Panetta declarou estar indignado com o comportamento de seus rapazes e informou que estes foram enviados de volta para casa, ao invés de permanecer no Brasil para testemunhar diante da Justiça.

O Itamaraty pediu explicações ao embaixador em Brasília, Thomas Shannon, ex-secretário de Estado Adjunto para o hemisfério, e não se descarta que o tema entre na agenda a ser tratada esta semana pelos chanceleres Antônio Patriota e Hillary Clinton.

Paralelamente, fontes do governo estadunidense informaram que, depois de tantas orgias e surras, o serviço secreto estabelecerá novas normas de conduta, “entre elas deter o abuso de álcool, proibir o ingresso de hóspedes nos hotéis e não frequentar mais locais que não gozam de boa reputação”.

Quase ao mesmo tempo, em Brasília, a embaixada informava “estar ciente do incidente” e jurava ter cooperado “plenamente com as autoridades brasileiras pertinentes, incluindo a polícia”.

O advogado Rodrigo Machado disordou do uso da palavra “colaborar”. Segundo ele, se realmente houvesse a intenção de ajudar a esclarecer o caso, a embaixada teria ordenado a seus marines que permanecessem no Brasil. Isto não parece demonstrar uma vontade de que se faça justiça, mais parece que se tenta que o fato permaneça impune”.

Machado e Danilo Prudente, profissionais do escritório de advocacia de Cezar Britto, concederam uma entrevista iniciada durante a viagem de Brasília à Taguatinga, onde vive Romilda.

“Ela está virando a estrela do bairro, jornalistas de todos os lados, dos Estados Unidos vieram vários”, me conta um taxista no posto Ipiranga, em frente ao domicílio da mulher agredida.

A versão dos advogados de Romilda é diferente da apresentada pelo Departamento de Estado.

Victoria Nuland, porta-voz da chancelaria norte-americana disse, em Washington, que a bailarina não foi expulsa da camioneta por um marine, mas que ela “tentou abrir uma porta do carro e entrar em um veículo fechado e em movimento. Não conseguiu, caiu e se machucou sozinha”.

“O que dizem os Estados Unidos é contraditório com o que disseram todos os testemunhos, inclusive algum dos marines, à polícia de Brasília, e o que disseram as colegas de Romilda. Todos coincidiram em que ela foi tirada com violência da caminhoneta e atirada. Seria importante que os marines estivessem aqui para participar na reconstituição”, afirmam os advogados do escritório Britto.

Danilo Prudente comenta que, entre janeiro e março, mantiveram negociações com enviados da embaixada para chegar a um acordo sobre o caso, sem que este se tornasse público.

“Eu não quero fazer afirmações categóricas, mas temo que eles (a embaixada), na realidade estivessem negociando só para postergar as coisas, para que o escândalo não estourasse justamente antes que a presidenta Dilma visitasse Washington (princípio de abril)”.

E agrega: “É obvio que este caso tem repercussão diplomática, que isto pode repercutir na relação bilateral, mas o que nos preocupa é que Romilda receba uma reparação justa e se faça justiça”.

Tradução: Libório Junior

Bolívia: Morales nacionaliza companhia de eletricidade com capital espanhol

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 UOL, 01/05/2012

Bolívia: Morales nacionaliza companhia de eletricidade com capital espanhol



LA PAZ, 1 Mai 2012 (AFP) - O presidente de Bolívia, Evo Morales, nacionalizou nesta terça-feira a empresa Transportadora de Eletricidade S.A., gerida pela empresa Rede Elétrica Internacional, filial do Grupo Rede Elétrica, da Espanha, e ordenou às Forças Armadas sua ocupação.

"O presente decreto supremo tem por objetivo nacionalizar a favor da Empresa Nacional de Eletrificação (ENDE), representante do Estado Plurinacional, o pacote acionário em mãos da sociedade Rede Elétrica Internacional na Empresa Transportadora de Eletricidade", afirmou Morales em um ato público no presidencial Palácio Quemado.

O presidente também ordenou às Forças Armadas "para que realizassem as ocupação das instâncias e administração da Transportadora de Eletricidade".

A TDE foi fundada em 1997 e possui 73% das linhas de transmissão, segundo sua página oficial na internet na Bolívia.

Cerca de 99,94% de seu capital estava em mãos da Rede Elétrica Internacional e 0,06% pertencia aos trabalhadores da empresa, de acordo com a página na web da empresa.

Morales, um descentente indígena de tendência esquerdista, tomou a medida em meio de protestos de sindicatos, que exigem um incremento salarial superior aos 8% oferecidos pelo governo.

O líder boliviano já realizou outras nacionalizações no Dia do Trabalho desde que chegou ao poder em janeiro de 2006, para nacionalizar a produção de petróleo, empresas de eletricidade e de fundições.

Apesar de suas medidas nacionalistas, Morales tem evitado opinar sobre a decisão argentina de expropiar 51% da petroleira YPF, sob o controle da espanhola Repsol. "É um tema da Argentina e da Espanha", disse ele em recente coletiva de imprensa.

A expropriação decidida pela presidente argentina Cristina Kirchner "não vai nos trazer nenhum problema porque temos uma relação de muita confiança com a Repsol (...). A Repsol, como empresa, respeita todas as normas bolivianas e os investimentos que a Repsol está fazendo vão bem", afirmou.

Depois da nacionalização dos hidrocarbonetos bolivianos em 2006 e após árduas negociações, 10 petroleiras estrangeiras, entre elas a Repsol-YPF (que controlava 27% das reservas gasíferas bolivianas), alcançaram acordos com o governo Morales sobre as novas condições para operar na Bolívia.

O trabalho e os pobres que fazem a História

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August Spies (1855-1887)



Jornal do Brasil, 01/05/2012

 

O trabalho e os pobres que fazem a História

 
Mauro Santayana


Até recentemente os historiadores desdenhavam os pobres. A crônica do passado se fazia em torno de reis débeis, alguns; corajosos, outros. Também os intelectuais, cientistas e artistas sempre estiveram na vanguarda da história oficial. A civilização se fazia também com os santos, mas os santos da Igreja, em sua maioria, eram recrutados entre os membros da classe dominante na Idade Média, ainda que renunciassem à riqueza, como Francisco de Assis, ou se fizessem mártires nas guerras que, de santas nada tinham, como as cruzadas. Os santos modernos, com raras exceções, são militantes políticos contra os pobres, como o fundador da Opus dei.

Hoje cresce entre os acadêmicos a preocupação com a “História vista de baixo”, embora a razão recomende não estabelecer o que seja alto ou baixo na construção do homem. É bom olhar o trabalho dos pobres, e sua luta por justiça, como o sumo da História. Não foram os faraós que construíram as pirâmides, mas, sim, os escravos; as grandes cidades modernas podem ter sido imaginadas pelos arquitetos geniais, mas não sairiam das pranchetas sem as mãos ásperas dos pedreiros, armadores e carpinteiros. O mundo virtual, abstrato, dos pensadores, prescinde do trabalho pesado, mas a doma da natureza, com a agricultura e o pastoreio, e sua transformação em objetos tangíveis, são conquistas da  fadiga cotidiana.

Muitos trabalhadores que hoje estão comemorando o primeiro de maio, não  sabem exatamente como surgiu essa tradição. Ela se deve a uma das primeiras greves organizadas nos Estados Unidos, em 1886. No dia 3 de maio, parados havia algum tempo, os trabalhadores de uma indústria de máquinas colheitadeiras de Chicago, a McCormick Harvesting Machine Company, formaram piquetes diante dos portões da fábrica e foram dissolvidos pelos policiais que protegiam os fura-greves, com a morte de vários operários e  dezenas de presos e feridos. Como protesto, eles se reuniram, com o apoio de outros trabalhadores, no dia seguinte, na praça do Heymarket, no centro da cidade.

Entre outras reivindicações, os grevistas exigiam a fixação da jornada do trabalho em oito horas diárias. Os patrões, como fazem até hoje, organizaram pelotões de bate-paus, garantidos para ajudar a polícia. Houve o conflito, com os grevistas se defendendo como podiam, e uma bomba explodiu, matando sete policiais. A polícia atirou, matou muitos trabalhadores e buscou suspeitos. Um líder dos trabalhadores, August Spies, embora provasse não estar no local, foi, com três outros, também vistos como inocentes, condenados à forca, e executados em 11 de novembro do ano seguinte. Um dos presos matou-se.  Os três que conseguiram escapar do cadafalso foram perdoados, em 1893,  pelo governador de Illinois, John P. Altgeld. O movimento sindical, que existia, de forma dispersa e débil, desde a presidência de Andrew Jackson, tomou corpo a partir do episódio, com a reorganização da American Federation of Labor.

O século 20 começou com a criação de novos sindicatos de trabalhadores, principalmente  nos Estados Unidos e na Inglaterra ( já anteriormente com o incentivo do conservador Disraeli), e na Alemanha. Foram as lutas dos trabalhadores que moderaram, um pouco, a avidez dos capitalistas liberais. Essas lutas se iniciaram em 1848 na Europa, tiveram impulso com a Comuna de Paris, em 1871, e viveram a sua grande data no massacre do Haymarket e suas conseqüências, em 1886.

Na luta contra a Depressão dos anos 30, os países ocidentais (na União Soviética a situação era outra) procuraram incentivar o sindicalismo e contar com seu apoio. Hitler decretou, no dia 1º de maio de 1933, que a data seria festejada sob o nazismo como o Dia do Trabalho. No dia seguinte, fechou todos os sindicatos, prendeu seus líderes e iniciou a perseguição aos socialistas e comunistas.  Nos Estados Unidos e no Canadá, para desvincular a comemoração do massacre de maio,  a data escolhida foi a da primeira segunda feira de setembro.

O movimento sindical, para ser autêntico, não deve atrelar-se aos governos, ainda que, na defesa do interesse dos trabalhadores, possa apoiar essa ou aquela medida dos estados nacionais. Foi a luta dos trabalhadores ingleses que criou o Labour Party na Inglaterra, em 1906, e conseguiu as reformas das leis do trabalho que permitiram o desenvolvimento econômico e político da Grã Bretanha, e a levaram ao forte  desempenho bélico na Primeira e na Segunda Guerra Mundial.

Os historiadores começam a deixar os papéis dos gabinetes oficiais e as alcovas da nobreza, a fim de encontrar os verdadeiros agentes da civilização,  no estudo da vida e da resistência dos pobres contra a opressão – o que ela tem de melhor. É hora de que se faça o mesmo em nosso país. É mais importante estudar a resistência dos negros e dos  brancos miseráveis do Brasil Colônia – que valiam menos do que os escravos, posto que os últimos, como bens de produção, tinham valor de mercado – do que imaginar como eram os encontros galantes de Pedro I com a Marquesa de Santos. Foi o suor dos desprezados que deu liga à argamassa de nossa nação – e de todas as outras nações.

Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador?

Dia do trabalho ou dia do trabalhador?


Operários - Tarsila do Amaral

DIA DO TRABALHO OU DIA DO TRABALHADOR?
Murilo Oliveira, Juiz do Trabalho(5ª Região) e Professor da UFBA.
No dia internacional do trabalhador, celebram-se as lutas operárias em defesa da redução da jornada de trabalho. Lembrar do primeiro de maio serve para que não se esqueça o ocorrido em 1º de maio de 1886 em Chicago nos Estados Unidos. Nestas manifestações, precisamente durante o confronto com a polícia local, ocorreram mortes quando uma bomba explodiu. Por considerar os organizadores das passeatas os responsáveis pelas mortes, os dirigentes sindicais foram condenados pela Justiça à morte na forca. É esse o grosso resumo dos fatos que explicam historicamente o primeiro de maio, justificando o epíteto de “os mártires de maio”.
A despeito desta história de luta, morte e injustiça de trabalhadores, o primeiro de maio tem sido designado como “dia do trabalho”. Este título oficialesco representa uma sutil prevalência da ação (trabalho), logicamente em detrimento do sujeito que realiza esta ação (trabalhador). No discurso oficial, celebra-se o trabalho humano na sua acepção genérica e não a luta dos trabalhadores que pagaram com sangue a obtenção da jornada de oito horas. Suprime-se o trabalhador (e sua dor), restando o trabalho, na perspectiva positivista mais neutra possível.
Esta questão de nomenclatura não pode ser tida como um problema pequeno. Isto porque algumas mudanças de nomes, como esta, trazem um conteúdo ideológico de esvaziamento do sentido histórico do termo. Falar hoje em dia do trabalho pouco remete a luta pela redução da jornada de trabalho e as demais lutas dos trabalhadores. Comemorar o primeiro de maio tende a significar somente a exaltação de toda a pessoa que trabalha, que pode ser tanto um empregador que administra sua empresa, um trabalhador autônomo, ou um empregado. Assim, consegue-se, com uma pequena mudança de nome, desfocar as lutas dos trabalhadores, consagradas em parte no Direito do Trabalho.
Celebra-se, enfim, neste dia uma série de conquistas do trabalhador. Rememora-se que estas lutas tiveram um preço histórico grande para serem reconhecidas pelo Estado como direitos trabalhistas, tal como foi a morte de mais cento e trinta mulheres grevistas queimadas numa fábrica de Nova York em 1857, data posteriormente reconhecida como dia internacional da mulher. Mais apropriado, então, é referir-se ao dia de hoje como “dia internacional do trabalhador”, em memória dos mártires de Chicago e em respeito à história das lutas dos trabalhadores e trabalhadoras.